Digital Business
08 de outubro de 2026
A influência da metodologia Lean na gestão de uma startup: um estudo de caso
A Influência da Metodologia Lean na Gestão de uma Startup: um Estudo de Caso
Juliana Arias Garrido; Nicole Cerci Mostagi
DOI: 10.22167/2675-6528-202603079
Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.
Resumo
Startups operam em ambientes de alta incerteza, frequentemente geridas por empreendedores sem formação prévia em gestão. A metodologia Lean Startup surgiu como uma abordagem para auxiliar o desenvolvimento de negócios nesses contextos, mas sua contribuição para a gestão de empresas enxutas, lideradas por um único empreendedor e sem conhecimento administrativo prévio, ainda não estava clara. O estudo analisou os efeitos da metodologia Lean na gestão e no lançamento de novos produtos em uma startup de tecnologia, a Tech EF. Adotou-se um estudo de caso único, de natureza mista, que combinou análise qualitativa, por meio de entrevista semiestruturada com o fundador da empresa, e análise quantitativa descritiva de indicadores organizacionais, comparando os períodos antes e após a formação do empreendedor na metodologia Lean. Os resultados revelaram mudanças na gestão da empresa, notadamente na organização da tomada de decisão, no uso de recursos e na priorização de demandas com base na validação de mercado. Observou-se também um aumento no número de funcionalidades desenvolvidas, na diversificação dos tipos de clientes atendidos e no crescimento do número de clientes. Esses achados sugeriram que a metodologia Lean orientou a tomada de decisão, o desenvolvimento de novos produtos e a organização da gestão, contribuindo para a adaptação ao mercado e o crescimento da startup ao longo do tempo.
Palavras-chave: Inovação; Modelos de negócio; MVP; Tomada de decisão.
1. Introdução
Startups são organizações caracterizadas por operarem em ambientes de elevada incerteza, dedicadas à criação de produtos ou serviços inovadores que geram valor (Ries, 2019). O modelo de negócio dessas empresas baseia-se em hipóteses flexíveis, com um foco inicial na escalabilidade e na geração de lucro (Blanke e Dorf, 2014). Apesar das instabilidades econômicas, o mercado de startups na América Latina tem demonstrado crescimento contínuo (FGV, 2022; Sling Hub, 2025), impulsionado por inovações como a inteligência artificial.
Nesse cenário de expansão, muitos profissionais transitam para o empreendedorismo sem formação prévia em gestão (Ries, 2019). No Brasil, o perfil desses empreendedores é heterogêneo, com frequência atuando de forma individual e sem perspectiva de contratar colaboradores (Carvalho et al., 2018; Moreira et al., 2017; GEM, 2019). A inexperiência gerencial, a gestão individualizada e os erros no lançamento de produtos em ambientes incertos contribuem para as altas taxas de insucesso. Pesquisas indicam que aproximadamente 90% das startups encerram suas atividades nos primeiros anos (SEBRAE, 2024), com cerca de 25% falindo no primeiro ano e 50% em menos de quatro anos (Fundação Dom Cabral, 2012).
Diante dessa realidade, torna-se essencial a adoção de abordagens que se alinhem às particularidades das startups, capazes de orientar o planejamento e promover o crescimento sustentável (Ries, 2019). A metodologia Lean Startup surge como uma proposta para auxiliar o desenvolvimento de negócios em contextos de incerteza. Ela preconiza um modelo de desenvolvimento baseado na eliminação de desperdícios, na experimentação contínua e na interação com os clientes, visando criar produtos mais alinhados às demandas do mercado (Ries, 2019). Essa abordagem busca equilibrar a visão do fundador com a necessidade de adaptação às respostas do mercado (Faria et al., 2021), pois a ausência desse equilíbrio pode levar ao insucesso devido a investimentos em soluções sem demanda (Blanke e Eckhardt, 2023).
A Lean Startup tem suas raízes nos princípios da manufatura enxuta da Toyota, adaptando ideias como criatividade, aproveitamento do conhecimento dos trabalhadores e produção em lotes menores para o contexto empreendedor (Ries, 2019). O progresso é avaliado pela aprendizagem validada, e a metodologia busca reduzir a incerteza por meio da experimentação e do aprendizado contínuo, utilizando ciclos de desenvolvimento para testar hipóteses antes de grandes investimentos (Ries, 2019). Um dos mecanismos centrais é o Produto Mínimo Viável (MVP), que permite avaliar soluções com usuários e orientar decisões futuras. Essa abordagem tem sido aplicada em diversos setores, resultando em melhorias na eficiência operacional, redução de desperdícios e melhor desempenho econômico (Gupta et al., 2016; Kalendar et al., 2020; Kimsey et al., 2010; Fausto et al., 2023). Contudo, grande parte das evidências disponíveis deriva de projetos prototípicos ou de organizações com equipes mais estruturadas (Sanz et al., 2024; Pires et al., 2022).
Nesse contexto, emerge uma lacuna na compreensão sobre a eficácia da metodologia Lean em cenários específicos, como o de empreendedores brasileiros que iniciam seus negócios de forma individual e sem experiência prévia em gestão, caracterizados pela ausência de suporte organizacional e pela condução solitária da empresa em seus primeiros anos de funcionamento. A empresa Tech EF, uma startup de tecnologia, representa um caso relevante para explorar essa lacuna. Desde sua criação até poucos meses antes deste estudo, a Tech EF foi gerida exclusivamente por seu fundador, que não possuía experiência prévia em gestão empresarial. Em meados de 2023, o CEO buscou formação específica em metodologia Lean Startup, que passou a ser incorporada gradualmente nos processos de gestão da empresa. Atualmente, a empresa mantém uma estrutura organizacional enxuta, composta pelo sócio fundador e um sócio responsável pela área de tecnologia da informação.
A singularidade do caso da Tech EF, com um empreendedor sem experiência prévia liderando a empresa de forma independente por vários anos, justifica a relevância deste estudo para a literatura sobre empreendedorismo e gestão de startups, especialmente considerando as altas taxas de falência de empresas devido a problemas de planejamento e gestão (Santos et al., 2023). Assim, o presente estudo tem como objetivo analisar os efeitos da utilização da metodologia Lean Startup no processo de gestão e no lançamento de novos produtos em uma startup de tecnologia denominada Tech EF.
2. Material e Métodos
O presente estudo caracterizou-se como um estudo de caso único, com abordagem de pesquisa mista, combinando naturezas qualitativa e quantitativa dos dados. Adotou-se a pesquisa descritiva, cujo objetivo foi retratar as características de um fenômeno, sem interferência do pesquisador, conforme preconizado por Prodanov e Freitas (2013). Essa estratégia metodológica foi selecionada para analisar os efeitos da metodologia Lean no processo de gestão e no lançamento de novos produtos em uma startup de tecnologia, a Tech EF, alinhando-se ao objetivo geral do estudo.
A unidade de análise empírica foi a startup de tecnologia Tech EF, um nome fictício utilizado para preservar a identidade da empresa. O objeto de estudo concentrou-se na gestão e no desenvolvimento de produtos dessa organização. O participante principal da pesquisa foi o fundador e CEO da Tech EF, um profissional com aproximadamente 44 anos, graduado em Educação Física, mestre e doutor na área, que não possuía experiência prévia como empreendedor ou gestor de empresas antes da criação da startup.
Para a coleta de dados qualitativos, utilizou-se uma entrevista semiestruturada, composta por onze perguntas abertas. O roteiro da entrevista foi elaborado com o propósito de abordar os objetivos específicos do estudo, investigando a experiência prévia do empreendedor, os desafios iniciais na gestão da startup, o processo de adoção da metodologia Lean e os efeitos percebidos em processos específicos da empresa. Os temas e conceitos que guiaram a elaboração do roteiro foram previamente mapeados e apresentados no TCC original.
A entrevista foi conduzida de forma presencial com o fundador da Tech EF. Todas as respostas foram gravadas e, posteriormente, transcritas com o auxílio do aplicativo Samsung Voice Recorder. Após a transcrição, o documento final contendo o roteiro e as respostas foi encaminhado ao entrevistado, que manifestou parecer favorável quanto à fidelidade e à adequação do material coletado, garantindo a integridade dos dados para análise.
Para a coleta de dados quantitativos, foram considerados indicadores organizacionais da Tech EF, abrangendo o período anterior e posterior à implementação da metodologia Lean pelo empreendedor, que ocorreu em meados de 2023. As variáveis analisadas incluíram o número e os tipos de clientes atendidos, o número de clientes que descontinuaram o uso do serviço e o número de novas funcionalidades desenvolvidas e implementadas no aplicativo da Tech EF ao longo dos anos. Esses dados foram obtidos a partir de registros internos da própria empresa.
A análise dos dados qualitativos foi realizada por meio do método de codificação e categorização temática, conforme proposto por Creswell (2007). Este processo compreendeu quatro etapas principais: leitura, organização e preparação dos dados; codificação de palavras, frases e trechos relevantes; categorização dos códigos em categorias analíticas com base em critérios semânticos, sintáticos, léxicos e expressivos; e interpretação dos resultados. O processo foi conduzido manualmente, com o apoio de ferramentas computacionais baseadas em inteligência artificial, utilizadas como recurso auxiliar para organização e sistematização.
A análise dos dados quantitativos empregou estatística descritiva, seguindo as diretrizes de Field (2013). A finalidade dessa análise foi organizar, resumir e apresentar os dados de forma clara e sistemática, permitindo a identificação de padrões, tendências e variações temporais. Os dados foram analisados e as representações gráficas foram construídas utilizando o software Microsoft Excel, comparando os indicadores organizacionais antes e após a formação do empreendedor na metodologia Lean.
Em relação aos cuidados éticos, o roteiro da entrevista e as respostas transcritas foram encaminhados ao entrevistado, que validou a fidelidade e adequação do material. Como limitação metodológica, reconhece-se que o estudo de caso único restringe a generalização dos resultados para outras startups com diferentes contextos ou perfis de empreendedores. Os dados quantitativos, de caráter descritivo, não permitiram estabelecer relações de causa e efeito, e a análise qualitativa baseou-se na percepção de um único participante, o que pode limitar a diversidade de perspectivas sobre o fenômeno investigado.
3. Resultados e Discussão
A análise dos dados revelou que a startup Tech EF, concebida em 2020 e lançada comercialmente no final de 2022, surgiu de uma demanda identificada em pesquisas acadêmicas nas áreas de Educação Física e Comportamento Motor. O foco inicial da empresa era o desenvolvimento da competência motora infantil, combatendo o sedentarismo e a obesidade em crianças. A solução tecnológica proposta visava avaliar, monitorar e interpretar variáveis do desenvolvimento motor, físico e atitudinal de crianças, tornando-se um instrumento de apoio à tomada de decisão pedagógica e ao planejamento de intervenções educacionais, com base em evidências científicas e testes em contextos escolares reais.
O fundador e CEO da Tech EF, um profissional de 44 anos com formação em Educação Física (mestre e doutor), não possuía experiência prévia em empreendedorismo ou gestão empresarial. Essa lacuna na formação gerencial foi um ponto central, pois, conforme o próprio empreendedor, sua formação acadêmica “não me ajudou muito no processo de gestão” e ele “não entendia nada daquele novo mundo”. Esse relato evidencia um descompasso entre a sólida base científica e as demandas práticas da gestão de uma startup, corroborando estudos que apontam para a insuficiência da formação acadêmica tradicional em áreas da saúde e educação física para capacitar empreendedores (Moura, 2021; Oliveira et al., 2011; Souza, 2020).
Nos primeiros anos, a gestão da Tech EF foi marcada por desafios significativos, incluindo a captação de recursos, o desenvolvimento tecnológico e a falta de foco estratégico. O empreendedor descreveu esse período como “muito conturbado”, com decisões tomadas de forma pouco estruturada que resultaram em desperdício de tempo e recursos financeiros, exemplificado pela afirmação “gastei muito dinheiro e tempo onde não devia”. Essa gestão reativa e pouco sistematizada, com investimentos em soluções que não eram “a alma do sistema”, destaca a necessidade de um método para evitar o insucesso, conforme apontado pela literatura sobre falência de startups (Santos et al., 2023).
A aproximação com a metodologia Lean Startup ocorreu como uma resposta direta a esse cenário de instabilidade e desorganização gerencial. O empreendedor percebeu que “estava sem foco e precisava de uma metodologia”, e que “estava tudo muito no achismo”, o que o levou a buscar uma formação específica. Essa busca por uma abordagem estruturada, como a Lean Startup, reflete a necessidade de organizar o pensamento gerencial e reduzir a dependência de decisões baseadas em tentativa e erro, especialmente em um contexto de incerteza e recursos limitados, características inerentes às startups (Ries, 2019).
A incorporação da metodologia Lean na gestão da Tech EF tornou-se mais sistemática a partir de meados de 2023, quando o CEO buscou formação específica. Um momento determinante para essa transição foi a participação da empresa em um projeto de pesquisa de larga escala em Portugal, que proporcionou maior contato com usuários e feedbacks de mercado. Esse período ofereceu ao empreendedor as condições necessárias para repensar e reorganizar o modelo de gestão, adotando princípios como experimentação, validação de hipóteses, foco no cliente e flexibilidade estratégica (Ries, 2019).
A partir da adoção do Lean, a empresa passou a priorizar demandas com base na validação de mercado, em vez de atender automaticamente a todas as solicitações dos usuários. O empreendedor enfatizou a importância de “evitar desperdício, testar rápido, ouvir o mercado” e “não atender todos os pedidos dos clientes”. Essa mudança reflete o princípio central da metodologia Lean de evitar o desenvolvimento de produtos ou funcionalidades sem evidências de demanda real, utilizando a interação com o mercado para orientar as decisões sobre quais soluções devem ser desenvolvidas, alinhando-se ao conceito de aprendizagem validada (Ries, 2019).
Os impactos percebidos da metodologia Lean na gestão e nos processos da empresa foram significativos, sendo descrita como um ponto de inflexão na atuação do gestor. Observou-se um maior controle no uso de recursos, a definição de critérios mais claros para a tomada de decisão e o aprimoramento contínuo dos fluxos de trabalho. A prática de “fazer MVP antes de investir tempo e dinheiro” e “só investir depois de validar no mercado” tornou-se central, indicando que os princípios da Lean Startup orientaram tanto as decisões estratégicas quanto as operacionais, reduzindo desperdícios e aumentando as chances de sucesso das soluções desenvolvidas.
Essa mudança no processo decisório se refletiu no desenvolvimento de novos produtos, com a criação de funcionalidades relevantes para os usuários, como a comparação de desempenho entre turmas, controle de presença e testes personalizados por esporte. O empreendedor relatou que, antes da adoção do Lean, diversas funcionalidades foram implementadas com baixo uso e posteriormente descontinuadas, gerando custos de tempo e dinheiro. A nova abordagem, baseada no ciclo construir-medir-aprender (Ries, 2019), permitiu testar soluções em versões simplificadas e incorporá-las ao produto somente após validação de mercado, otimizando o uso de recursos e o alinhamento com as demandas reais.
A análise quantitativa dos indicadores de desempenho da empresa antes e após a formação do empreendedor na metodologia Lean revelou tendências importantes. Em relação ao número total de clientes, observou-se uma queda inicial logo após a implementação da metodologia Lean, seguida por um crescimento notável no ano de 2025. Embora não seja possível estabelecer uma relação de causa e efeito direta, essa dinâmica sugere que a metodologia Lean pode ter auxiliado a empresa a reorganizar seus processos e reduzir desperdícios durante um período de menor captação de clientes, contribuindo para sua continuidade e posterior crescimento, em linha com a estratégia de aprendizado validado em fases de poucos clientes (Ries, 2019).
A diversificação dos tipos de clientes atendidos também foi evidente. Inicialmente, a Tech EF atendia principalmente escolas, secretarias de educação e organizações não governamentais. Após a implementação da metodologia Lean, a empresa expandiu seu escopo para incluir secretarias de esportes, clubes, instituições esportivas e academias. Essa ampliação reflete uma adaptação do produto a diferentes contextos de aplicação e uma busca por novos segmentos de mercado, o que pode estar relacionado ao desenvolvimento de novas funcionalidades alinhadas às necessidades desses públicos.
O número de novas funcionalidades desenvolvidas e implementadas no aplicativo Tech EF também apresentou um crescimento ao longo do tempo, com um pico de desenvolvimento observado no final de 2024. Esse aumento, combinado com o relato do empreendedor sobre a prática de “fazer MVP antes de investir tempo e dinheiro”, sugere que a metodologia Lean influenciou não apenas a quantidade, mas a forma como o desenvolvimento de produtos foi conduzido. A adoção de testes, validação e aprendizagem contínua pode ter impulsionado o desenvolvimento de funcionalidades que agregaram valor, contribuindo para a aquisição e retenção de clientes (Dibie et al., 2019).
Em síntese, a aproximação do empreendedor com a metodologia Lean foi motivada pela insuficiência de sua formação prévia em gestão e pela necessidade de estruturar um processo decisório que antes era intuitivo e gerava desperdícios. A implementação do Lean promoveu mudanças significativas na gestão da Tech EF, notadamente na organização da tomada de decisão, no uso eficiente de recursos e na priorização de demandas com base na validação de mercado. Os princípios da metodologia Lean, como o ciclo construir-medir-aprender e o uso de MVPs, influenciaram diretamente o desenvolvimento de novos produtos, resultando em um aumento de funcionalidades, diversificação de clientes e crescimento geral da startup, indicando que a abordagem serviu como um modelo orientador para a adaptação e o crescimento da empresa em um ambiente de incerteza.
4. Conclusão
O presente estudo teve como objetivo analisar os efeitos da utilização da metodologia Lean Startup no processo de gestão e no lançamento de novos produtos em uma startup de tecnologia, a Tech EF. Verificou-se que a inexperiência gerencial do fundador, aliada a uma gestão inicial desestruturada e ao desperdício de recursos, motivou a busca por uma abordagem metodológica. A incorporação da metodologia Lean, especialmente após a formação do empreendedor e o contato com o mercado, promoveu uma reorientação estratégica. Observou-se uma mudança na tomada de decisão, que passou a ser guiada pela validação de mercado e pela priorização de demandas, evitando o desenvolvimento de funcionalidades sem demanda real. Essa abordagem influenciou o desenvolvimento de novos produtos, resultando em um aumento de funcionalidades, diversificação dos tipos de clientes atendidos e crescimento no número de clientes da startup ao longo do tempo. A metodologia Lean, portanto, atuou como um modelo orientador para a adaptação da empresa ao mercado e para o seu crescimento em um ambiente de incerteza.
Contudo, o estudo apresenta limitações inerentes ao seu desenho metodológico, caracterizado como um estudo de caso único. Essa abordagem restringe a generalização dos resultados para outras startups com diferentes contextos, estruturas organizacionais ou perfis de empreendedores. Além disso, os dados quantitativos analisados são de natureza descritiva, não permitindo estabelecer relações de causa e efeito diretas entre a implementação da metodologia Lean e o desempenho da empresa, visto que variáveis externas não foram controladas. A análise qualitativa, baseada na percepção de um único participante, também limita a diversidade de perspectivas. Para estudos futuros, sugere-se a realização de pesquisas com um número maior de startups e estudos longitudinais, a fim de investigar de forma mais precisa a relação entre a adoção da metodologia Lean, o desenvolvimento de novos produtos e indicadores de desempenho organizacional, como crescimento, retenção de clientes e sustentabilidade financeira. Este trabalho reforça a compreensão da metodologia Lean não apenas como uma ferramenta de desenvolvimento de produtos, mas como um modelo de gestão abrangente para startups, especialmente aquelas lideradas por empreendedores sem experiência prévia em administração.
Referências Bibliográficas
Blanke, S.; Dorf, B. 2014. Startup: Manual do Empreendedor: guia passo a passo para construir uma grande companhia. Alta Books Editora, Rio de Janeiro.
Fundação Getúlio Vargas – Escola de Administração de Empresas de São Paulo [FGV EAESP]. 2022. Pesquisa do Uso de TI no Brasil. Disponível em: <https://portal.fgv.br/noticias/pandemia-acelerou-processo-transformacao-digital-empresas-brasil-revela-pesquisa>. Acesso em: 16 out.2025.
Global Entrepreneurship Monitor Empreendedorismo no Brasil: 2019 \ Coordenação de Simara Maria de Souza Silveira Greco; diversos autores — Curitiba: IBQP, 2020. 200 p.: il.
Ries, E. 2019. A Startup Enxuta. Sextante, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Sling Hub e Itau BBA Insights. 2025. Latam startup market 2024 in review. Disponível em: <https://slinghub.io/reports/report24>. Acesso em: 16 out. 2025.
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