Artigo

12 de agosto de 2026

Financiamento do Setor de Energia Brasileiro: Análise Comparativa de Debêntures Incentivadas e Crédito Bancário Tradicional

Vivian Himari Watanabe; Rafael Confetti Gatsios

DOI: 10.22167/2675-6528-202601519

Artigo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Resumo

O presente estudo analisou comparativamente o custo e as condições de financiamento de longo prazo no setor elétrico brasileiro, focando em crédito bancário tradicional e debêntures incentivadas, no período de 2020 a 2024. O objetivo foi identificar qual modalidade se mostrou mais competitiva, mensurando o trade-off financeiro entre a captação via mercado de capitais e o crédito tradicional, considerando o contexto macroeconômico. Adotou-se uma abordagem descritiva e comparativa, utilizando dados secundários de demonstrações financeiras e relatórios corporativos de três empresas representativas do setor: Eletrobras, ENGIE Brasil Energia e CPFL Energia. O principal instrumento de análise foi o Custo Efetivo Total (CET), apurado em termos nominais e reais, para permitir a comparação entre operações com diferentes indexadores (CDI, IPCA, TLP, SOFR). Os resultados demonstraram que não houve superioridade universal de uma única modalidade de financiamento. As debêntures incentivadas apresentaram maior competitividade média para a CPFL Energia e para a Eletrobras, enquanto o crédito bancário tradicional foi mais vantajoso para a ENGIE Brasil Energia. A isenção fiscal das debêntures incentivadas exerceu papel relevante na redução do custo de captação. Concluiu-se que a decisão ótima de financiamento no setor elétrico brasileiro dependeu da combinação estratégica entre crédito bancário e mercado de capitais, adaptada ao perfil de risco, ambiente macroeconômico e necessidades financeiras de cada companhia, contribuindo para decisões mais eficientes.

Palavras-chave: Custo de capital; Dívida corporativa; Finanças corporativas; Infraestrutura; Mercado de capitais.

1. Introdução

O setor elétrico brasileiro desempenha papel central no desenvolvimento socioeconômico do país, fornecendo infraestrutura essencial para atividades industriais, comerciais e de serviços, além de promover a inclusão social (PORTAL DA INDÚSTRIA, 2017). Em um cenário de transição energética global, marcado pela busca por descarbonização e eficiência, o setor demanda investimentos crescentes de longo prazo (PwC, 2024). A matriz elétrica brasileira, predominantemente renovável (EPE, 2025), enfrenta desafios como a dependência hídrica, a modernização das redes e a integração de fontes intermitentes, exigindo financiamentos robustos para sua expansão e estabilidade (GESEL/UFRJ, 2020; MPO, 2025). A natureza intensiva em capital e os longos ciclos de maturação dos projetos tornam as condições de financiamento cruciais para o desempenho setorial.

Historicamente, o financiamento do setor elétrico no Brasil foi dominado por instituições estatais, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que oferecia crédito de longo prazo, muitas vezes subsidiado. Contudo, a partir da década de 2010, observou-se uma mudança significativa, com a retração do crédito público e o fortalecimento do mercado de capitais como fonte alternativa (IPEA, 2021). A Lei nº 12.431/2011 foi um marco, ao instituir as debêntures incentivadas para direcionar a poupança privada a projetos de infraestrutura, reduzindo o custo de captação para as empresas emissoras (BRASIL, 2011). Análises de mercado (ANBIMA, 2023; B3, 2024) confirmam a crescente relevância desses títulos no financiamento da infraestrutura, oferecendo prazos mais longos e maior previsibilidade financeira em comparação com o crédito bancário tradicional, apesar de sua maior complexidade estrutural.

As decisões de financiamento corporativo são guiadas por teorias que buscam a minimização do custo de capital e a otimização da estrutura de capital (ROSS; WESTERFIELD; JAFFE, 2022; BREALEY; MYERS; ALLEN, 2021). A avaliação de modalidades de financiamento requer uma métrica abrangente que capture todos os custos associados, incluindo juros, *spreads*, taxas e benefícios fiscais. O Custo Efetivo Total (CET) é uma ferramenta analítica fundamental, pois consolida esses componentes em um único indicador, refletindo o custo econômico real da operação (ASSAF NETO, 2023). Essa abordagem permite uma comparação padronizada entre instrumentos com características contratuais, indexadores e prazos diversos, fornecendo uma base robusta para avaliar a eficiência financeira. A transição para um cenário de financiamento mais diversificado no Brasil reforça a relevância prática dessas considerações teóricas.

O período de 2020 a 2024 foi marcado por um ambiente macroeconômico brasileiro dinâmico e desafiador, influenciando significativamente as condições de financiamento. Este intervalo abrangeu o impacto inicial da pandemia de COVID-19, com contração econômica e políticas monetárias expansionistas, seguido por um ciclo de aperto monetário a partir de 2021, com elevação da taxa Selic (BCB, [2024]). Paralelamente, houve mudanças estruturais na política de crédito de longo prazo, como a consolidação da Taxa de Longo Prazo (TLP) nas operações do BNDES, que reduziu o diferencial de custo entre o crédito subsidiado e as taxas de mercado (IPEA, 2021). Tais flutuações macroeconômicas impactaram diretamente o custo de capital e a atratividade relativa dos instrumentos de financiamento, tornando a análise comparativa neste período empiricamente relevante.

A complexidade do financiamento no setor elétrico, dada sua intensidade de capital e o ambiente macroeconômico volátil, demanda uma análise aprofundada da competitividade das fontes de recursos. Este estudo justifica-se pela necessidade de fornecer evidências empíricas que auxiliem as decisões estratégicas de captação das empresas. Assim, o objetivo é analisar comparativamente o custo e as condições de financiamento de longo prazo no setor elétrico brasileiro, focando em crédito bancário tradicional e debêntures incentivadas, no período de 2020 a 2024, para identificar a modalidade mais competitiva e mensurar o trade-off financeiro entre a captação via mercado de capitais e o crédito tradicional, considerando o contexto macroeconômico.

2. Material e Métodos

O presente estudo adotou uma abordagem metodológica comparativa, de natureza descritiva e explicativa, com predominância quantitativa e complementação qualitativa. O foco recaiu sobre o setor elétrico brasileiro, um segmento intensivo em capital e essencial para o desenvolvimento nacional. A unidade de análise foram as operações de financiamento de longo prazo. O período de estudo, de 2020 a 2024, foi selecionado por englobar um ciclo macroeconômico dinâmico, marcado por políticas monetárias expansionistas e subsequente aperto monetário, além da consolidação da Taxa de Longo Prazo (TLP) e o fortalecimento das debêntures incentivadas.

A população de interesse compreendeu as operações de financiamento de longo prazo no setor elétrico brasileiro. A amostra foi composta por três empresas representativas do segmento: Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras), ENGIE Brasil Energia S.A. e CPFL Energia S.A. A seleção dessas companhias fundamentou-se na necessidade de obter uma amostra heterogênea que refletisse diferentes realidades de mercado, considerando sua relevância econômica, diversidade de perfil societário e recorrência na utilização de diversos instrumentos de captação. A disponibilidade de informações públicas padronizadas, por serem empresas de capital aberto reguladas pela CVM, foi um critério determinante para a obtenção de dados consistentes e comparáveis.

A coleta de dados foi realizada predominantemente por meio de fontes secundárias, de natureza documental e institucional, selecionadas por sua confiabilidade e comparabilidade. Utilizaram-se informações das demonstrações financeiras padronizadas divulgadas pelas companhias da amostra, incluindo balanço patrimonial, demonstração do resultado do exercício, fluxos de caixa, notas explicativas e relatórios da administração. Para caracterizar as operações de financiamento, analisaram-se escrituras de emissão de debêntures e instrumentos correlatos, identificando variáveis contratuais como indexadores, spreads, prazos, cronogramas de amortização, garantias, benefícios fiscais e custo efetivo. Complementarmente, consultaram-se bases de dados e informes técnicos da ANBIMA e do BNDES.

Adicionalmente, foram incorporados indicadores macroeconômicos e financeiros extraídos de bases oficiais do Banco Central do Brasil (BCB) e da Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Incluíram-se a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a taxa básica de juros (Selic), o Certificado de Depósito Interbancário (CDI), taxas referenciais de mercado e séries históricas de juros. Essas variáveis foram essenciais para contextualizar as condições macroeconômicas vigentes no período analisado e para avaliar o impacto do ambiente monetário e do ciclo de crédito sobre o custo nominal e real das captações, permitindo a triangulação de informações.

Os métodos de análise fundamentaram-se nos pressupostos teóricos da Teoria de Finanças Corporativas, com ênfase na mensuração do custo de capital e na estrutura de endividamento (ROSS; WESTERFIELD; JAFFE, 2022; BREALEY; MYERS; ALLEN, 2021). O principal instrumento de análise foi o Custo Efetivo Total (CET), entendido como o indicador capaz de expressar o custo real de captação para a empresa. O CET incorporou encargos, taxas, impostos e benefícios fiscais associados ao fluxo econômico da operação (ASSAF NETO, 2023), refletindo o custo de oportunidade do capital e permitindo a padronização para comparabilidade entre operações heterogêneas.

O CET foi estimado a partir da taxa nominal efetiva anual das operações, em substituição ao cálculo da Taxa Interna de Retorno (TIR) do fluxo financeiro integral, devido à indisponibilidade de dados detalhados. Para operações indexadas ao CDI, o CET nominal resultou da multiplicação da taxa CDI acumulada pelo fator contratual. Para o IPCA, somou-se a inflação acumulada anual ao spread real. Operações com TLP tiveram o custo nominal apurado com base na TLP efetiva e spread contratual. Captações externas em SOFR foram convertidas para reais após proteção cambial via swap. O CET real foi obtido pela deflação do CET nominal pelo IPCA anual, neutralizando efeitos inflacionários. Adicionalmente, considerou-se o benefício fiscal da Lei nº 12.431/2011 para debêntures incentivadas, que reduziu o custo efetivo de captação.

Os dados coletados foram sistematizados e organizados em planilhas eletrônicas, consolidando-se em tabelas comparativas. Adotou-se uma análise descritiva e comparativa, tanto intertemporal (2020-2024) quanto interempresas, para identificar padrões de custo e estratégias de financiamento. Inicialmente, calculou-se o CET nominal e real para cada operação de financiamento, abrangendo todos os indexadores e proteções cambiais. Em seguida, os valores apurados foram comparados entre crédito bancário e debêntures incentivadas, em níveis agregado e individual por empresa. A interpretação dos resultados considerou aspectos institucionais, regulatórios e os fundamentos teóricos da estrutura de capital.

O estudo apresentou limitações metodológicas e informacionais. A análise baseou-se exclusivamente em dados secundários, extraídos de fontes públicas sujeitas a diferentes periodicidades e níveis de detalhamento, o que pode ter restringido a padronização integral das informações e a granularidade de variáveis. A indisponibilidade de dados completos sobre fluxos de caixa contratuais e encargos acessórios levou à mensuração do custo da dívida por meio do CET estimado a partir de taxas anuais equivalentes, em substituição ao cálculo da TIR do fluxo financeiro integral. Embora amplamente utilizada, essa abordagem constituiu o CET como uma proxy do custo efetivo, podendo não capturar integralmente especificidades contratuais.

A comparação entre captações indexadas a referenciais distintos, como CDI, IPCA, TLP e SOFR, exigiu procedimentos de equivalência financeira e conversão de taxas para uma base comum em moeda doméstica. Nas operações externas protegidas por hedge cambial, o custo foi estimado a partir de taxas equivalentes em reais, o que pode ter incorporado simplificações decorrentes das condições médias observadas. Por fim, a abordagem concentrou-se predominantemente em indicadores quantitativos de custo, prazo e alavancagem, não contemplando integralmente aspectos qualitativos e negociais, como cláusulas restritivas, garantias e ratings de crédito, que também influenciam as decisões de financiamento corporativo.

3. Resultados e Discussão

Este capítulo apresentou os resultados empíricos obtidos a partir da aplicação dos procedimentos metodológicos descritos anteriormente. A análise concentrou-se na mensuração do custo econômico da dívida por meio do Custo Efetivo Total (CET), apurado em termos nominais e reais, bem como na avaliação do perfil temporal do passivo e da composição das fontes de financiamento. Adotou-se abordagem descritivo-comparativa, com análise intertemporal entre 2020 e 2024 e comparação entre empresas, buscando identificar padrões de custo, diferenças estruturais e tendências nas estratégias de captação das companhias do setor elétrico.

Caracterização dos instrumentos de financiamento

A análise inicial das operações de financiamento revelou um panorama diversificado e estratégico, alinhado às necessidades de capital intensivo do setor elétrico brasileiro. Conforme apresentado na Tabela 1, as empresas ENGIE Brasil Energia, CPFL Energia e Eletrobras demonstraram uma predileção por instrumentos de longo prazo, o que é intrínseco à natureza de seus investimentos em infraestrutura, caracterizados por elevados montantes e longos períodos de maturação. Essa escolha é consistente com a teoria de finanças corporativas que preconiza o casamento entre o prazo dos ativos e passivos, minimizando o risco de descasamento de liquidez (ROSS; WESTERFIELD; JAFFE, 2022).

Tabela 1. Caracterização das operações de financiamento por empresa (2020-2024)

Empresa

Modalidades predominantes

Indexadores principais

Prazo típico

ENGIE

Bancário externo + Debentures

SOFR/Swap, IPCA, CDI

Médio e longo

CPFL

BNDES (Finem) + Debentures

IPCA, CDI

Longo

Eletrobras

BNDES + Debentures

TLP, IPCA

Longo

Fonte: Dados da pesquisa

A Tabela 1 consolidou as características contratuais das operações analisadas, evidenciando que as companhias recorreram a uma combinação de crédito bancário tradicional, financiamentos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), captações externas com proteção cambial e emissões de debêntures incentivadas. Essa diversificação de fontes de recursos é uma estratégia robusta para mitigar riscos e otimizar o custo de capital, conforme sugerido pela teoria da estrutura de capital (BREALEY; MYERS; ALLEN, 2021). A dependência de uma única fonte de financiamento pode expor a empresa a condições desfavoráveis de mercado ou a restrições de crédito, tornando a diversificação uma prática prudente.

Verificou-se que o crédito bancário concentrou-se majoritariamente em indexadores inflacionários, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e a Taxa de Longo Prazo (TLP). Essa preferência por indexadores reais no crédito bancário pode ser atribuída à busca por estabilidade no custo real da dívida em um ambiente de inflação volátil, além de refletir a natureza de longo prazo dos projetos de infraestrutura, cujas receitas muitas vezes possuem alguma indexação à inflação. Em contraste, as debêntures incentivadas apresentaram maior presença de estruturas pós-fixadas ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI), além do benefício fiscal previsto na Lei nº 12.431/2011. A isenção tributária para investidores em debêntures incentivadas torna esses títulos mais atrativos, permitindo que as empresas captem recursos a custos nominais mais baixos, um benefício que se traduz em um menor Custo Efetivo Total para a emissora (BRASIL, 2011).

A heterogeneidade contratual observada, com a utilização de múltiplos indexadores e a presença de benefícios fiscais específicos, justificou a adoção do Custo Efetivo Total (CET) como métrica padronizada de comparação. O CET, ao incorporar todos os encargos, taxas, impostos e benefícios fiscais, oferece uma medida mais precisa do custo real de captação para a empresa, permitindo uma análise comparativa equitativa entre operações de naturezas distintas (ASSAF NETO, 2023). Sem essa padronização, a comparação direta entre taxas nominais indexadas a CDI, IPCA ou TLP seria enganosa, pois não refletiria o custo econômico verdadeiro e os efeitos inflacionários ou fiscais.

### Evolução do Custo Efetivo Total nominal

A análise do CET nominal evidenciou forte sensibilidade das modalidades de financiamento às condições macroeconômicas observadas no período de 2020 a 2024, especialmente à inflação e à política monetária. De modo geral, verificou-se que as oscilações da taxa básica de juros (Selic) e dos indexadores contratuais influenciaram diretamente o comportamento do custo nominal das captações, tanto no crédito bancário tradicional quanto nas debêntures incentivadas. Esse achado corrobora a literatura que destaca a interconexão entre as condições macroeconômicas e o custo de capital das empresas, onde períodos de aperto monetário e alta inflação tendem a elevar os custos de endividamento (SAITO; SHENG, 2017).

Na ENGIE Brasil Energia, observou-se que o custo nominal do crédito bancário variou de 9,72% em 2020 para 14,09% em 2022, acompanhando a elevação do CDI e o aperto monetário do período. Essa tendência reflete a resposta do mercado de crédito às políticas do Banco Central do Brasil, que elevou a taxa Selic para conter a inflação, impactando diretamente os custos de captações atreladas a taxas pós-fixadas como o CDI. As debêntures incentivadas, por sua vez, apresentaram comportamento heterogêneo, com patamar reduzido em 2020 e 2021 e elevação posterior, aproximando-se de dois dígitos a partir de 2022. Essa flutuação pode ser explicada pela interação entre as condições de mercado, a demanda por títulos incentivados e a percepção de risco dos investidores, que se ajustam ao longo do ciclo econômico. A menor competitividade das debêntures em 2022 para a ENGIE pode indicar que, naquele momento, as condições de mercado para emissões de dívida incentivada não foram tão favoráveis quanto as do crédito bancário, ou que a empresa conseguiu negociar spreads mais vantajosos com instituições financeiras.

Na CPFL Energia, o crédito bancário indexado ao IPCA apresentou CET nominal entre 7,49% e 14,60%, enquanto as debêntures atreladas ao CDI oscilaram entre 2,94% e 13,78%, refletindo maior exposição às variações da taxa de juros. A ampla variação do CET nominal das debêntures da CPFL, especialmente o patamar de 2,94% em 2020, sugere que a empresa pode ter aproveitado janelas de mercado favoráveis, caracterizadas por juros nominais baixos e alta inflação, resultando em um custo real negativo, conforme será discutido adiante. Essa estratégia de “market timing”, onde as empresas emitem dívida quando as condições de mercado são mais favoráveis, é um comportamento observado na literatura de finanças corporativas (MYERS, 2001). A elevação posterior do custo das debêntures acompanhou o ciclo de aperto monetário, demonstrando a sensibilidade desses instrumentos às condições de liquidez e às expectativas de juros.

Na Eletrobras, observou-se maior convergência entre as modalidades a partir de 2022, com custos nominais próximos entre si, embora tenha se destacado a redução do custo das debêntures em 2024, em razão de spreads mais baixos. Essa convergência pode indicar uma maturidade do mercado de capitais para a Eletrobras, que, após sua transição de controle estatal para capital pulverizado, pode ter melhorado sua capacidade de negociação e acesso a investidores dispostos a aceitar spreads menores em suas emissões de debêntures incentivadas. A redução dos spreads em 2024 é um indicativo de maior confiança do mercado na solidez financeira da empresa ou de uma maior demanda por esses títulos, o que se traduz em um custo de captação mais eficiente.

Em termos gerais, verificou-se que as debêntures incentivadas apresentaram custos nominais competitivos em diversos exercícios, sobretudo quando combinadas a condições favoráveis de mercado e à compressão de spreads. Contudo, como as operações analisadas estiveram indexadas a referenciais distintos, a comparação baseada apenas em taxas nominais mostrou-se insuficiente para aferir, de forma precisa, o custo econômico efetivo das modalidades. Por essa razão, a análise em termos reais foi adotada como principal critério comparativo deste estudo, neutralizando os efeitos inflacionários e permitindo uma avaliação mais acurada do poder de compra do capital.

### Comparação consolidada do Custo Efetivo Total real médio

A Tabela 2 consolidou o CET real médio das modalidades de financiamento analisadas para cada empresa da amostra, permitindo a comparação direta entre o crédito bancário tradicional e as debêntures incentivadas no período de 2020 a 2024. No caso da Eletrobras, a média foi apurada com base apenas nos exercícios para os quais houve disponibilidade de dados públicos padronizados.

Tabela 2. Custo Efetivo Total (CET) real médio por empresa e modalidade (%)

Empresa

Crédito bancário

Debêntures incentivadas

Diferença média (Debenture – Crédito bancário)

Modalidade de menor custo

ENGIE

4,41%

9,65%

+5,24 p.p.

Bancário

CPFL

3,73%

3,21%

-0,52 p.p.

Debentures


Eletrobras


4,99%

3,85%

-1,14 p.p.

Debêntures

Fonte: Dados da pesquisa

A leitura consolidada dos resultados evidenciou que não houve superioridade uniforme de uma única modalidade de financiamento entre as empresas analisadas. Ao contrário, a competitividade relativa entre crédito bancário e debêntures incentivadas variou conforme a estrutura contratual das operações, o ambiente macroeconômico e as especificidades financeiras de cada companhia. Esse achado é crucial e alinha-se à Teoria de Finanças Corporativas, que postula que a decisão ótima de financiamento é contingente a múltiplos fatores internos e externos à empresa (BREALEY; MYERS; ALLEN, 2021). Não existe uma “bala de prata” no financiamento corporativo; a escolha mais eficiente é sempre contextual.

Na ENGIE Brasil Energia, o crédito bancário apresentou CET real médio de 4,41%, enquanto as debêntures incentivadas registraram média de 9,65%, resultando em diferença positiva de 5,24 pontos percentuais em favor da modalidade bancária. Esse resultado indicou que, para a ENGIE, o crédito bancário tradicional constituiu a alternativa de menor custo no período analisado. Tal desempenho pode ser atribuído a diversos fatores. A ENGIE, sendo um dos maiores *players* privados de geração, pode ter um relacionamento bancário consolidado que lhe permite negociar condições de crédito mais favoráveis, incluindo spreads mais baixos e estruturas de garantia eficientes. Além disso, a percepção de risco do mercado em relação às debêntures da ENGIE pode ter sido maior em alguns períodos, exigindo um prêmio de risco mais elevado dos investidores, mesmo com o benefício fiscal. A diversificação de captações externas com proteção cambial, conforme Tabela 1, também pode ter contribuído para um custo bancário médio mais competitivo, ao permitir acesso a mercados com taxas de juros mais baixas.

Na CPFL Energia, observou-se comportamento distinto. O CET real médio do crédito bancário alcançou 3,73%, ao passo que o das debêntures incentivadas correspondeu a 3,21%, gerando diferença negativa de 0,52 ponto percentual. Embora essa vantagem tenha sido relativamente moderada, os dados indicaram maior competitividade das debêntures incentivadas no período considerado para a CPFL. Este resultado é particularmente interessante, pois sugere que a CPFL conseguiu capitalizar de forma mais eficaz os benefícios das debêntures incentivadas. A predominância de financiamentos de longo prazo junto ao BNDES, combinados a emissões recorrentes de debêntures incentivadas atreladas ao CDI, conforme a análise detalhada dos dados da CPFL, permitiu à empresa otimizar seu custo de capital. Em 2020 e 2021, as debêntures da CPFL apresentaram CET real negativo, o que é um indicativo de que a inflação (IPCA) superou o custo nominal da dívida, resultando em um custo real de captação extremamente vantajoso. Essa situação, embora não sustentável a longo prazo, demonstra a capacidade da empresa de aproveitar condições macroeconômicas específicas e os incentivos fiscais da Lei nº 12.431/2011 para reduzir significativamente seu custo de dívida.

Na Eletrobras, também se verificou desempenho mais favorável das debêntures incentivadas. O CET real médio do crédito bancário foi de 4,99%, enquanto o das debêntures atingiu 3,85%, resultando em diferença negativa de 1,14 ponto percentual. Tal evidência sugeriu que, para a Eletrobras, o acesso ao mercado de capitais ofereceu condições de captação relativamente mais vantajosas no intervalo analisado. A Eletrobras, que passou por um processo de capitalização e pulverização de capital, pode ter encontrado no mercado de debêntures incentivadas um canal eficiente para financiar seus projetos de infraestrutura, aproveitando a demanda de investidores por títulos com isenção de imposto de renda. A expressiva redução do CET real das debêntures da Eletrobras em 2024, que atingiu 1,10%, valor significativamente inferior ao custo bancário de 5,63% no mesmo ano, é um forte indicativo da crescente competitividade desse instrumento para a companhia. Essa melhoria pode ser reflexo de uma maior percepção de solidez da empresa após sua reestruturação, ou de uma estratégia bem-sucedida de negociação de spreads mais baixos no mercado de capitais.

A consolidação desses resultados reforçou a importância da análise em termos reais. Considerando-se que as operações comparadas estiveram indexadas a referenciais distintos, como CDI, IPCA, TLP e SOFR, a comparação baseada exclusivamente em taxas nominais poderia gerar interpretações distorcidas sobre o custo econômico efetivo das captações. A utilização do CET real médio permitiu neutralizar os efeitos inflacionários e estabelecer base homogênea de comparação entre instrumentos e períodos, conferindo maior rigor metodológico à análise. Esse procedimento é fundamental para a tomada de decisão financeira, pois o que importa para a empresa é o custo real do capital, ou seja, o custo após descontar a inflação, que representa o verdadeiro sacrifício de poder de compra.

Em termos agregados, concluiu-se que as debêntures incentivadas se mostraram mais competitivas para a CPFL Energia e para a Eletrobras, enquanto o crédito bancário tradicional apresentou melhor desempenho relativo para a ENGIE Brasil Energia. Assim, os resultados evidenciaram que a escolha da fonte de financiamento mais eficiente não dependeu exclusivamente do tipo de instrumento, mas da interação entre condições de mercado, benefícios fiscais, indexadores, spreads contratuais e perfil financeiro de cada empresa. Essa complexidade na decisão de financiamento é um tema central na teoria da estrutura de capital, que reconhece a ausência de uma solução universalmente ótima e a necessidade de considerar as especificidades de cada empresa e do ambiente econômico (MODIGLIANI; MILLER, 1958; MYERS; MAJLUF, 1984).

Discussão dos resultados à luz da teoria financeira

Os resultados obtidos mostraram-se consistentes com os fundamentos da teoria da estrutura de capital, segundo a qual as decisões de financiamento são orientadas pela busca de minimização do custo da dívida, preservação da flexibilidade financeira e diversificação das fontes de recursos. Nesse sentido, a evidência empírica indicou que a eficiência relativa entre crédito bancário tradicional e debêntures incentivadas não dependeu exclusivamente da natureza do instrumento, mas da interação entre condições macroeconômicas, estrutura contratual das operações, indexadores utilizados e perfil financeiro das companhias analisadas.

Tabela 3. Ranking das modalidades de menor custo real médio por empresa (2020-2024)

Posição

Empresa

Modalidade mais eficiente

CET real médio

CPFL

Debentures

3,21%

Eletrobras

Debentures

3,85%

ENGIE

Bancário

4,41%

Fonte: Dados da pesquisa

A Tabela 3, que rankeia as modalidades de menor custo real médio, sintetiza a principal conclusão do estudo: a ausência de uma superioridade universal de um único instrumento. Para CPFL e Eletrobras, as debêntures incentivadas foram mais eficientes, enquanto para ENGIE, o crédito bancário tradicional se destacou. Este achado é fundamental para a compreensão da dinâmica de financiamento no setor elétrico brasileiro e para a aplicação da teoria de finanças corporativas.

No caso das debêntures incentivadas, observou-se que sua competitividade esteve associada, em grande medida, ao benefício fiscal previsto na Lei nº 12.431/2011. A isenção tributária concedida a determinados investidores aumentou a atratividade líquida desses títulos e contribuiu para reduzir a taxa de retorno exigida pelo mercado. Em termos econômicos, esse mecanismo beneficiou simultaneamente investidores e empresas emissoras: para os investidores, elevou o retorno líquido do investimento; para as empresas, favoreceu a redução do custo efetivo de captação. Esse resultado mostrou-se compatível com os estudos citados na introdução, que apontaram o avanço das debêntures incentivadas como instrumento relevante de financiamento da infraestrutura no Brasil (ANBIMA, 2023; B3, 2024). A capacidade de transferir parte do benefício fiscal para o custo de captação da empresa emissora é um exemplo claro de como as fricções de mercado, como os impostos, tornam a estrutura de capital relevante, contrariando as proposições iniciais de Modigliani e Miller (1958) em um mundo sem impostos.

Os achados referentes à CPFL Energia e à Eletrobras corroboraram parcialmente essa literatura. Em ambas as empresas, as debêntures incentivadas apresentaram CET real médio inferior ao do crédito bancário, sugerindo que, em determinados contextos, o mercado de capitais ofereceu condições de captação relativamente mais favoráveis. Tal evidência mostrou-se aderente às análises que destacaram a crescente relevância das debêntures incentivadas no financiamento de projetos intensivos em capital, especialmente quando associadas a spreads mais competitivos, maior liquidez e aproveitamento do benefício fiscal. A capacidade dessas empresas de acessar o mercado de capitais de forma eficiente pode ser atribuída à sua reputação, tamanho e histórico de crédito, fatores que reduzem a assimetria informacional e os custos de agência, tornando as emissões de dívida mais atrativas para os investidores (MYERS; MAJLUF, 1984).

Por outro lado, os resultados da ENGIE Brasil Energia indicaram comportamento distinto. Para essa empresa, o crédito bancário tradicional apresentou CET real médio inferior ao das debêntures incentivadas, evidenciando que a vantagem do mercado de capitais não se verificou de forma uniforme. Esse achado divergiu, ainda que parcialmente, de interpretações mais amplas que associaram as debêntures incentivadas a uma superioridade generalizada em relação ao crédito bancário. Assim, os resultados sugeriram que a competitividade desse instrumento dependeu das condições específicas de emissão, do momento macroeconômico, da composição do passivo e do perfil de risco de cada companhia. A ENGIE, com sua forte atuação e histórico no mercado, pode ter acesso a linhas de crédito bancário com spreads mais competitivos ou condições contratuais mais flexíveis que, em certos períodos, superaram os benefícios das debêntures incentivadas, mesmo com a isenção fiscal. Isso reforça a ideia de que a otimização da estrutura de capital é um processo dinâmico e multifacetado.

A análise também reforçou a importância metodológica da comparação em termos reais. Como as operações avaliadas estiveram indexadas a referenciais distintos, como CDI, IPCA, TLP e SOFR, a comparação baseada apenas em taxas nominais poderia conduzir a interpretações distorcidas acerca do custo econômico efetivo das captações. A utilização do CET real permitiu neutralizar os efeitos inflacionários e estabelecer base homogênea de comparação entre instrumentos e períodos, conferindo maior rigor analítico ao estudo. Este rigor é essencial para a validade das conclusões e para a aplicabilidade prática dos resultados, pois o custo real reflete o verdadeiro impacto financeiro das decisões de endividamento.

Adicionalmente, a consolidação dos resultados médios apresentados na Tabela 3 evidenciou diferenças relevantes entre as empresas analisadas. Verificou-se que, para CPFL Energia e Eletrobras, as debêntures incentivadas apresentaram menor custo real médio no período, enquanto, para a ENGIE Brasil Energia, o crédito bancário mostrou-se relativamente mais competitivo. Dessa forma, os achados reforçaram a inexistência de uma fonte universalmente superior e indicaram que a eficiência do instrumento de financiamento esteve condicionada às características específicas das operações e ao ambiente econômico vigente.

Implicações para a decisão de financiamento e síntese dos achados

A interpretação dos resultados empíricos mostrou-se aderente aos fundamentos da Teoria de Finanças Corporativas, especialmente no que se refere às decisões de estrutura de capital e à escolha entre diferentes fontes de financiamento. À luz das proposições clássicas de Modigliani e Miller (1958), observou-se que, embora a estrutura de capital fosse irrelevante em mercados perfeitos, a presença de fricções como impostos, assimetria informacional, custos de contratação e incentivos regulatórios tornou economicamente relevante a escolha entre crédito bancário e mercado de capitais. A Lei nº 12.431/2011, ao criar um benefício fiscal para as debêntures de infraestrutura, introduziu uma fricção tributária que alterou a atratividade relativa dos instrumentos de dívida, tornando a decisão de financiamento uma questão estratégica para as empresas.

Os resultados também dialogaram com a Trade-off Theory, segundo a qual as empresas buscam equilibrar benefícios e custos do endividamento (MYERS, 2001). No caso das debêntures incentivadas, verificou-se que o benefício fiscal incorporado à estrutura do título favoreceu a redução do custo de captação em determinados contextos, aumentando a atratividade dessa modalidade. Este benefício atua como um escudo fiscal, reduzindo o custo efetivo da dívida e, consequentemente, o custo médio ponderado de capital da empresa. Em contrapartida, o crédito bancário apresentou maior estabilidade relativa em diversas situações, especialmente em operações indexadas ao IPCA e à TLP, revelando vantagem em cenários de maior instabilidade monetária e elevação da taxa de juros. A previsibilidade e a menor volatilidade do crédito bancário, em certos contextos, podem ser mais valorizadas pelas empresas, mesmo que o custo nominal seja ligeiramente superior, devido à redução do risco financeiro.

Sob a ótica da Pecking Order Theory proposta por Stewart Myers (2001), observou-se que empresas com acesso mais consolidado ao mercado de capitais puderam recorrer com maior eficiência às debêntures incentivadas, enquanto o crédito bancário preservou relevância em situações nas quais a previsibilidade contratual, a estabilidade dos fluxos financeiros e a segurança operacional assumiram maior importância. A teoria da ordem de preferência sugere que as empresas preferem financiar investimentos com recursos internos, depois dívida e, por último, capital próprio. A utilização de debêntures incentivadas por empresas como CPFL e Eletrobras, que possuem forte presença no mercado de capitais, pode ser interpretada como uma forma de dívida que se tornou mais atrativa devido aos incentivos fiscais, posicionando-se favoravelmente na hierarquia de financiamento. Também se identificaram indícios de aproveitamento de janelas favoráveis de mercado, sobretudo nos casos em que determinadas emissões de debêntures apresentaram CET real muito reduzido ou negativo, o que sugeriu comportamento compatível com a hipótese de *market timing*. Essa estratégia permite que as empresas captem recursos a custos excepcionalmente baixos em momentos específicos, otimizando o custo de capital.

Do ponto de vista prático, essas evidências assumiram relevância particular no setor elétrico, cujos projetos se caracterizam por grande escala, longos ciclos de maturação e elevada intensidade de capital. Nessas condições, a decisão de financiamento não se limitou à busca do menor custo imediato, mas incorporou critérios como previsibilidade do fluxo de caixa, alongamento do perfil da dívida, redução do risco de refinanciamento e diversificação das fontes de recursos. Para gestores financeiros do setor, a implicação é clara: a análise deve ir além do custo nominal, considerando o custo real, os benefícios fiscais, a flexibilidade contratual e a capacidade de adaptação às condições macroeconômicas. A diversificação de fontes de financiamento é uma estratégia robusta para garantir a sustentabilidade dos projetos de longo prazo e a resiliência financeira das empresas.

De forma sintética, verificou-se que o crédito bancário tendeu a cumprir função de maior estabilidade financeira, em razão de sua menor volatilidade relativa em determinados contextos, enquanto as debêntures incentivadas atuaram como instrumento relevante de redução do custo marginal da dívida e ampliação do acesso ao mercado de capitais. Assim, a combinação entre ambas as modalidades mostrou-se consistente com uma estratégia de financiamento orientada simultaneamente pela eficiência econômica e pela preservação da solidez financeira. A capacidade de alternar ou combinar esses instrumentos de forma estratégica, aproveitando as vantagens de cada um em diferentes cenários, é o que define uma gestão de financiamento eficaz no setor elétrico.

Em resposta direta ao objetivo de pesquisa, concluiu-se que a competitividade entre debêntures incentivadas e crédito bancário tradicional variou conforme a empresa analisada, a estrutura contratual das operações e o contexto macroeconômico de cada exercício. De forma agregada, observou-se que as debêntures incentivadas se mostraram mais competitivas para a CPFL Energia e para a Eletrobras, enquanto o crédito bancário tradicional apresentou desempenho relativamente mais competitivo para a ENGIE Brasil Energia. Os resultados mostraram, portanto, que não houve superioridade universal de um único instrumento no período analisado. A evidência empírica indicou que a decisão ótima de financiamento no setor elétrico brasileiro dependeu menos da adoção exclusiva de uma modalidade e mais da combinação estratégica entre instrumentos, de forma compatível com o perfil de risco, o ambiente macroeconômico e as necessidades financeiras de cada companhia.

4. Conclusão

Conclui-se que o objetivo foi atingido, ao analisar comparativamente o custo e as condições de financiamento de longo prazo no setor elétrico brasileiro, entre crédito bancário tradicional e debêntures incentivadas, no período de 2020 a 2024. A pesquisa buscou identificar a modalidade mais competitiva e mensurar o trade-off financeiro, considerando o contexto macroeconômico. Os resultados demonstraram que não houve superioridade universal de um único instrumento. A competitividade variou conforme a empresa, a estrutura contratual e o ambiente macroeconômico. As debêntures incentivadas foram mais vantajosas para CPFL Energia e Eletrobras, enquanto o crédito bancário tradicional se mostrou mais competitivo para ENGIE Brasil Energia. Isso indica que a decisão ótima de financiamento reside na combinação estratégica de instrumentos, adaptada ao perfil de risco e às necessidades de cada companhia.

Contudo, o estudo apresentou limitações importantes. A análise baseou-se em dados secundários com diferentes níveis de detalhamento, e a mensuração do Custo Efetivo Total (CET) foi uma proxy, devido à indisponibilidade de fluxos de caixa contratuais completos. Além disso, o foco predominantemente quantitativo não contemplou integralmente aspectos qualitativos e negociais, como cláusulas restritivas e ratings de crédito. Para estudos futuros, sugere-se ampliar a amostra para outros segmentos de infraestrutura e incorporar variáveis adicionais, como risco de crédito, prazo médio das captações, liquidez dos títulos e efeitos regulatórios, a fim de aprofundar a compreensão da dinâmica de financiamento.

Referências Bibliográficas

ANBIMA – Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais. Conexão entre Mercados: Os Movimentos de 2024. São Paulo: ANBIMA, 2024. Disponível em: https://data.anbima.com.br. Acesso em: 17 out. 2025.

ASSAF NETO, Alexandre. Finanças corporativas e valor. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2023.

BANCO CENTRAL DO BRASIL. Séries temporais econômicas: IPCA, CDI, taxa Selic e indicadores financeiros. Brasília: BCB, [2024]. Disponível em: https://www.bcb.gov.br. Acesso em: 10 jan. 2026

BRASIL. Lei nº 12.431, de 24 de junho de 2011. Dispõe sobre medidas de estímulo à emissão de títulos de crédito e à realização de operações no mercado de capitais. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 27 jun. 2011. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2011/lei/l12431.htm. Acesso em: 4 out. 2025.

BREALEY, Richard A.; MYERS, Stewart C.; ALLEN, Franklin. Princípios de finanças corporativas. 13. ed. Porto Alegre: AMGH, 2021.

EPE – Empresa de Pesquisa Energética. Balanço Energético Nacional 2025: Ano base 2024. Rio de Janeiro: EPE, 2025.

GESEL/UFRJ – Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Relatório de Pesquisa: Financiamento e Sustentabilidade do Setor Elétrico Brasileiro. Rio de Janeiro: UFRJ, 2020.

MODIGLIANI, Franco; MILLER, Merton H. The cost of capital, corporation finance and the theory of investment. American Economic Review, v. 48, n. 3, p. 261–297, 1958.

MPO – Ministério do Planejamento e Orçamento. Estudo Estratégico de Infraestrutura: Estratégia Brasil 2050. Brasília: MPO, 2025.

MYERS, Stewart C. Capital structure. Journal of Economic Perspectives, v. 15, n. 2, p. 81–102, Spring 2001.

MYERS, Stewart C.; MAJLUF, Nicholas S. Corporate financing and investment decisions when firms have information that investors do not have. Journal of Financial Economics, v. 13, n. 2, p. 187-221, 1984.

PORTAL DA INDÚSTRIA. Energia elétrica: pilar do desenvolvimento industrial brasileiro. Brasília: CNI, 2017.

PwC. Infraestrutura 2030: O futuro dos investimentos em energia e logística no Brasil. São Paulo: PwC Brasil, 2024.

ROSS, Stephen A.; WESTERFIELD, Randolph W.; JAFFE, Jeffrey. Corporate finance. 13. ed. New York: McGraw-Hill Education, 2022.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Finanças e Controladoria do MBA USP/Esalq

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Compliance E Esg

11 de setembro de 2026

Inteligência Artificial na Gestão Contratual: Supervisão Humana, Riscos Jurídicos e Governança Algorítmica

O advento da inteligência artificial como tecnologia disruptiva reconfigurou processos econômicos, institucionais e jurídicos, conferindo centralidade à automação contratual na gestão de relações complexas. A automação contratual revelou-se um fenômeno juridicamente não neutro, com opacidade decisória, geração automatizada de cláusulas abusivas e dificuldades de atribuição de responsabilidade, deslocando a elaboração contratual para o domínio jurídico-normativo. O estudo analisou como a inteligência artificial na automação contratual intensificou a colisão entre eficiência tecnológica e segurança jurídica, e em que medida mecanismos de supervisão humana significativa e de governança algorítmica funcionaram como instrumentos de ponderação normativa para preservar princípios do direito contratual brasileiro. A pesquisa adotou abordagem qualitativa de estudo de casos múltiplos, com análise documental de quatro casos paradigmáticos: Moffatt v. Air Canada, United States v. RealPage, Deloitte/DEWR e INSS/TRF-4ª Região, representando os contextos consumerista, concorrencial, consultivo-contratual e administrativo. A análise identificou cinco padrões estruturais recorrentes – opacidade decisória, substituição da racionalidade normativa por inferências probabilísticas, accountability gap, assimetria informacional e incompreensão semântica – que emergiram de forma sistêmica. O desfecho fragmentado do caso RealPage reforçou a conclusão de que a jurisprudência sobre automação decisória permanece em formação. A governança algorítmica eficaz demonstrou exigir a integração de mecanismos de auditabilidade, responsabilização e supervisão humana, conforme as normas ISO 31000, COSO ERM e ISO 37301, como condição necessária à legitimidade dos sistemas automatizados de gestão contratual.

Palavras-chave: Contratos; Governança algorítmica; Inteligência artificial; Segurança jurídica; Supervisão humana.

Compliance E Esg

11 de setembro de 2026

Rituais de Verificação sob Pressão: Categorias de Ação ESG Relatadas por Grande Grupo Frigorífico Antes e Após Operação Deflagrada Pela Polícia Federal e Seus Desdobramentos, em Passado Recente

Relatórios de sustentabilidade são amplamente empregados como instrumentos de gestão da legitimidade corporativa, mas sua função como mecanismo de reorganização cognitiva em contextos de crise reputacional permaneceu subexplorada na literatura. O estudo analisou as transformações nas categorias de ação ESG reportadas pela Empresa JBS em seus relatórios anuais de sustentabilidade de 2015 a 2018, período que compreendeu dois anos anteriores e dois anos posteriores à Operação Carne Fraca e seus desdobramentos. O objetivo foi investigar como a organização alterou sua estrutura cognitiva após a crise reputacional, por meio de um de seus sistemas de reporte. Empregou-se um processo de catalogação sistemática de 1.088 práticas relatadas, classificadas por pilar ESG, tema material e categoria de ação. O referencial teórico mobilizou Mary Douglas (1986), Michael Power (1997), Meyer e Rowan (1977) e Edelman (2016) para interpretar os fenômenos observados. Os resultados evidenciaram um crescimento exigido em governança, que coexistiu com o colapso do pilar social, o desaparecimento de categorias substantivas e a substituição de ações voltadas a prêmios por ações que ressignificaram as relações da organização e seu posicionamento no mercado. Além disso, treinamentos de liderança migraram do tema de cultura para compliance, campanhas de comunicação cederam lugar a canais estruturais permanentes, e investidores tornaram-se a audiência de maior crescimento proporcional. Concluiu-se que a sofisticação do esforço de legitimação residiu não no que a empresa necessariamente fez, mas na consistência com que reorganizou quem ela diz ser e para quem, a partir das categorias de ação que relatou.

Palavras-chave: Crise reputacional; ESG; Pensamento institucional; Relatórios de sustentabilidade; Estratégia organizacional.

Gestão Escolar

11 de setembro de 2026

Liderança Escolar à Luz da Teoria U: um Diálogo com as Lideranças Transformacional e Servidora.

A integração de diferentes modelos de liderança mostrou-se um caminho relevante para instituições de ensino que buscaram inovar e alcançar excelência em suas práticas educacionais. Contudo, foram escassas as pesquisas empíricas que investigaram a aplicação da Teoria U na gestão escolar associada às abordagens Transformacional e Servidora, o que configurou uma lacuna na literatura. Este estudo buscou compreender como gestores educacionais perceberam e aplicaram princípios da Teoria U — escuta generativa, presencing e cocriação — em diálogo com as abordagens teóricas da Liderança Transformacional e da Liderança Servidora em suas práticas de gestão. A pesquisa, de natureza qualitativa e exploratória, foi realizada em uma instituição de ensino privada, localizada na cidade de São Paulo, que abrangeu desde a Educação Básica até a Pós-Graduação. Os dados foram coletados por meio de um roteiro de perguntas semiestruturadas, aplicado a sete gestores educacionais, e foram analisados com base na Análise de Conteúdo de Bardin. Os resultados evidenciaram aproximações entre as práticas observadas e os pressupostos teóricos dos modelos estudados, com a escuta destacando-se como a competência que melhor articulou as três abordagens no contexto investigado. Também foram identificadas algumas tensões entre os referenciais teóricos e o cotidiano da gestão. O estudo contribuiu para uma reflexão crítica sobre as possibilidades e os limites da integração desses diferentes modelos de liderança em ambientes escolares, ampliando o debate e oferecendo subsídios relevantes para o fortalecimento do campo da gestão educacional.

Palavras-chave: Análise de Conteúdo; Escuta Generativa; Estudo de Caso; Gestão Escolar; Liderança.

10 de setembro de 2026

Desempenho de Modelos de Machine Learning na Seleção de Ações da Bolsa de Valores Brasileira

O mercado acionário brasileiro, caracterizado por elevada volatilidade e restrições de liquidez, impõe desafios à aplicação de modelos de aprendizado de máquina na previsão de retornos e na construção de estratégias de investimento. O estudo comparou o desempenho preditivo e econômico de modelos de aprendizado de máquina e métodos estatísticos tradicionais na estimação de retornos futuros e na formação de carteiras baseadas em ranking de ativos. Utilizaram-se dados históricos de ações da B3, com variáveis técnicas e financeiras derivadas de preços e volume. Avaliaram-se modelos lineares (Regressão Linear, Ridge, LASSO, Elastic Net), de ensemble (Random Forest, XGBoost, LightGBM) e uma rede neural (Multilayer Perceptron). A avaliação preditiva ocorreu por métricas de erro em conjunto de teste, e a econômica por backtest de estratégias long-only, com custos operacionais baseados no turnover para análise de retornos brutos e líquidos. Os resultados revelaram baixa capacidade preditiva em todos os modelos, com R² negativos e erros elevados. Embora diferenças marginais nas previsões tenham gerado variações no desempenho econômico, estas foram de baixa magnitude e instáveis. O modelo LightGBM obteve o melhor desempenho econômico, mas com ganhos limitados em relação ao benchmark após a inclusão de custos operacionais. Não se observou evidência consistente de geração de retorno ajustado ao risco superior.

Palavras-chave: aprendizado de máquina; backtest; mercado acionário; previsão de retornos; seleção de ativos.

10 de setembro de 2026

Precificação Hedônica de Imóveis na Grande Florianópolis: Uso e Comparação de Modelos de “Machine Learning”

O mercado imobiliário da Grande Florianópolis tem experimentado valorização acelerada, impulsionada pelo crescimento populacional e pela demanda turística e de investimento. Este estudo analisou os determinantes do valor de imóveis residenciais e comparou o desempenho preditivo de modelos de aprendizado de máquina, especificamente Random Forest e Gradient Boosting (XGBoost), com uma regressão por Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). Os dados foram coletados via web scraping de dois portais imobiliários em março de 2026, abrangendo os municípios de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, resultando em 8.056 observações válidas após limpeza. Avaliou-se o desempenho dos modelos por meio das métricas R², RMSE e MAPE. O XGBoost apresentou o melhor desempenho preditivo geral (R² = 0,742, RMSE = R$ 927.113), enquanto o Random Forest obteve o menor erro relativo (MAPE = 25,69%). Os principais determinantes do preço identificados foram a área construída, a região de localização e o número de banheiros. Uma análise complementar por segmento de mercado revelou que o MQO dependeu dos valores extremos para sustentar seu ajuste, enquanto os modelos ensemble mantiveram desempenho estável. Concluiu-se que os métodos de aprendizado de máquina são mais robustos para precificação hedônica em mercados imobiliários heterogêneos, especialmente na presença de imóveis atípicos.

Palavras-chave: Ensemble; Imobiliário; Regressão; Residencial; Web Scraping.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

10 de setembro de 2026

A Produção de Memes como Estratégia de Formação Literária e Multiletramentos no Ensino Fundamental Ii

A leitura de obras literárias clássicas apresenta desafios no contexto escolar contemporâneo, devido ao distanciamento entre a linguagem dos textos e o repertório dos estudantes. Investigou-se como a utilização de memes contribuiu para a construção de sentidos na leitura da obra Senhora, de José de Alencar, no Ensino Fundamental II. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, com caráter de pesquisa participante, e foi desenvolvida com duas turmas de 9º ano de uma escola privada em Volta Redonda, Rio de Janeiro. Os dados foram coletados por meio de questionários e das produções dos estudantes, e analisados à luz da análise de conteúdo. Os resultados indicaram que a utilização de memes favoreceu a aproximação dos alunos com o texto literário, reduziu a resistência inicial e ampliou o engajamento com a leitura. Observou-se, também, o avanço progressivo na compreensão da narrativa, evidenciado pela capacidade de interpretar fatos, analisar personagens, identificar relações implícitas e elaborar posicionamentos críticos. As produções revelaram a articulação entre o conteúdo da obra e o repertório sociocultural dos estudantes, indicando a construção de aprendizagens com significado. Concluiu-se que a integração entre literatura e cultura digital potencializou a mediação pedagógica, contribuindo para a formação de leitores mais ativos e interpretativamente autônomos.

Palavras-chave: aprendizagem significativa; cultura digital; leitura literária; multiletramentos; neurociência.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Definição de Insumos para Fins de Aproveitamento de Créditos de Pis e Cofins

O estudo analisou a interpretação e a aplicação da definição de insumos para fins de creditamento do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no regime não cumulativo, à luz do entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial n.º 1.221.170 (Tema 779). Objetivou-se examinar os limites jurídicos da utilização desses créditos, considerando os critérios de essencialidade ou relevância estabelecidos pela jurisprudência do STJ. Realizou-se pesquisa documental e jurisprudencial, com análise de acórdãos representativos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e do STJ, abrangendo períodos anteriores e posteriores ao Tema 779. Complementarmente, conduziu-se pesquisa bibliográfica e estudos de dois casos concretos do CARF, com abordagem qualitativa, para verificar a aplicação prática dos critérios. Constatou-se que o STJ afastou a aplicação automática da definição de insumo do IPI, consolidando os critérios de essencialidade e relevância. Entretanto, a análise dos julgados do CARF evidenciou que, embora houvesse reconhecimento formal do precedente do STJ, sua incidência foi modulada conforme a natureza da atividade empresarial, mostrando-se mais restritiva para empresas de revenda. Os casos concretos ilustraram que creditamentos de fretes foram tratados de forma distinta, dependendo da vinculação do gasto à produção ou à revenda. Concluiu-se que a definição de insumos permanece um ponto sensível do sistema tributário, e a correta utilização dos créditos demanda análise casuística rigorosa, pautada na observância dos precedentes judiciais e dos limites normativos vigentes, para evitar glosas e penalidades.

Palavras-chave: COFINS; Creditamento; Insumos; PIS.

Gestão Tributária

10 de setembro de 2026

Fiscalização Delegada do ITR: Desestímulo aos Convênios, Reflexos na Arrecadação e Desinteresse Processual da União

O Imposto Territorial Rural (ITR), de competência da União, pode ter sua fiscalização e cobrança delegadas aos Municípios e ao Distrito Federal. Este trabalho examinou a adesão municipal a esses convênios e o impacto na arrecadação, analisou se os entraves processuais para os Municípios remeterem demandas aos órgãos federais desestimulavam a celebração de acordos, e avaliou o interesse processual da União em litígios de ITR sob delegação, à luz da Teoria Eclética da Ação, bem como a efetividade da diretriz constitucional de desestímulo a propriedades improdutivas. A pesquisa utilizou um estudo de caso, com base em dados e relatórios oficiais da Receita Federal do Brasil e referencial doutrinário jurídico. Os resultados indicaram baixa adesão municipal aos convênios, com quase 75% dos municípios sem acordo. A arrecadação do ITR, mesmo integralmente repassada, não justificou os investimentos municipais, e a manutenção da atuação processual pela União desestimulou a continuidade dos ajustes. Verificou-se que a União carecia de interesse processual nessas demandas, dada a ínfima representatividade do ITR na arrecadação federal e a ausência de proveito econômico-financeiro, o que impediu o cumprimento efetivo da diretriz constitucional de desestímulo à improdutividade rural. Concluiu-se que são necessárias modificações legislativas para que o ITR alcance seus objetivos de arrecadação e função social.

Palavras-chave: Arrecadação; Eficiência; Fiscalização; ITR; Municípios.

10 de setembro de 2026

Governança de Dados e Risco Financeiro no Setor Florestal: Evidências Empíricas em Perspectiva Brasil-Finlândia

A fragmentação informacional no setor florestal brasileiro constituiu o ponto de partida desta pesquisa, que investigou como a governança de dados impactou a capacidade analítica, o risco financeiro e a competitividade da gestão florestal, por meio de um estudo comparativo entre Brasil e Finlândia. Submeteram-se 332 documentos, incluindo 307 informativos CEPEA/Esalq/USP (2001–2025) e 25 relatórios setoriais (Bracelpa, ABRAF, Ibá, 2003–2025), a um pipeline de extração automatizado baseado em OCR, mineração de texto e expressões regulares, obtendo-se 13.059 registros estruturados. Realizou-se análise de sensibilidade do Valor Presente Líquido (VPL) e análise de sentimento léxica. Apenas 12,1% dos registros de custo continham Custo Operacional Efetivo preenchido, e nenhum apresentou margem líquida calculável. A incerteza nos dados de entrada oscilou o VPL de um projeto florestal em mais de R$ 20.000/ha, evidenciando a distorção da decisão orientada por dados quando a sofisticação algorítmica não substituiu a qualidade dos dados de origem. A análise de sentimento léxica confirmou a transição dos relatórios setoriais brasileiros de formato estatístico para promocional. Em contraste, o modelo finlandês demonstrou a viabilidade de uma governança integrada, com o inventário florestal consolidado como pilar de inteligência industrial. Os resultados indicaram que o fortalecimento da governança de dados constituiu pré-requisito para a transição do setor para um sistema de planejamento sustentado por evidências.

Palavras-chave: competitividade; fragmentação informacional; inteligência artificial; soberania digital; tomada de decisão.

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