Artigo

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

15 de setembro de 2026

Entendendo a Superdotação: o que a Escrita de Mulheres Superdotadas Diz sobre a Norma Linguística

Letícia Cordeiro de Oliveira Bueno; Sheila Cristina da Silva Victorio

DOI: 10.22167/2675-6528-202602258

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

Este estudo analisou textos produzidos em blogs por mulheres com altas habilidades/superdotação, com o objetivo de identificar marcas linguísticas relacionadas ao uso da norma-padrão e compreender como tais escolhas se articulam a normas sociais e a possíveis estratégias de masking. Uma abordagem qualitativa, descritiva e documental foi empregada, examinando dez textos de blogs pessoais, publicados entre 2018 e 2025, por mulheres que se autodeclararam superdotadas e que abordaram suas experiências. A análise evidenciou um manejo consistente da norma-padrão, mas também uma oscilação entre usos mais monitorados e formas mais flexíveis, com traços de oralidade e menor formalidade. Essa tensão linguística refletiu negociações identitárias em diferentes contextos discursivos. Observou-se que expectativas sociais de perfeição e adequação linguística incidem intensamente sobre meninas, influenciando suas práticas. Contudo, o ambiente dos blogs favoreceu maior liberdade expressiva, permitindo discursos íntimos e autobiográficos. Concluiu-se que a análise da escrita contribuiu para ampliar a compreensão sobre identidade, gênero e inclusão, destacando a importância de práticas educacionais sensíveis às especificidades de estudantes com altas habilidades.

Palavras-chave: Altas habilidades/superdotação; Blogs; Identidade; Masking; Norma-padrão.

1. Introdução

Os estudos em neurociências desempenham um papel fundamental na compreensão do sistema nervoso, sua estrutura, funcionamento e impacto no comportamento humano e nos processos mentais (Lent, 2001). No contexto da aprendizagem, essa área de conhecimento destaca a dependência da aquisição de conhecimento em relação ao funcionamento cerebral e à plasticidade neural, que é a capacidade de formar, fortalecer e reorganizar conexões. Contudo, é crucial reconhecer a individualidade de cada ser humano e, por extensão, de cada cérebro, o que implica em formas individualizadas de aprendizado, guiadas por fatores como genética, ambiente, experiências passadas e emoções (Reis et al., 2009).

Nesse sentido, a teoria das múltiplas inteligências, proposta por Gardner (1983), oferece uma perspectiva ampliada sobre a cognição humana. Ela defende a existência de diversos tipos de inteligência, como a linguística, lógico-matemática, espacial, musical, corporal-cinestésica, interpessoal, intrapessoal e naturalista. Essa abordagem justifica que diferentes pessoas possuem habilidades cognitivas e formas de aprender distintas, o que é particularmente relevante para a discussão sobre a superdotação.

A superdotação, vista como a presença de maior facilidade e desempenho em comparação com pares da mesma idade, cultura e nível socioeconômico (Rzezak et al., 2004), não deve ser avaliada por um único parâmetro de inteligência. O conceito de inteligência como uma medida singular de competência (Virgolim, 2021) tem sido questionado, pois a inteligência é multifacetada e não se reduz a um único fator (Gardner, 1983; Virgolim, 2021). Embora indivíduos superdotados demonstrem atributos cognitivos específicos e habilidades mentais mais desenvolvidas, percebendo e interpretando o mundo de forma mais rápida e ampla (Rzezak et al., 2004), eles também enfrentam desafios significativos. Estes incluem tédio escolar, descompasso entre desenvolvimento intelectual e emocional, isolamento social e pressão por desempenho, que podem levar a ansiedade, frustração e baixo rendimento (Alencar e Fleith, 2001; Renzulli, 2005; Pérez, 2003).

Diante desses desafios e da busca por um melhor ajustamento ao ambiente, indivíduos superdotados podem adotar estratégias de mascaramento, conhecido como masking. Esse comportamento de camuflagem pode ocorrer tanto no ambiente escolar, com o estudante evitando demonstrar seus interesses ou respondendo incorretamente propositalmente, quanto em relações interpessoais, na tentativa de se encaixar em grupos (Seng, 2019; Cross et al., 2014). Embora o masking possa proporcionar aceitação social temporária, suas consequências emocionais são frequentemente negativas, incluindo ansiedade, baixa autoestima e uma sensação de desconexão com a própria identidade (Seng, 2019; Davidson, 2021).

O fenômeno do masking é particularmente observado entre mulheres superdotadas, refletindo não apenas diferenças na socialização, mas também pressões sociais intensas para que se adequem a normas de comportamento e comunicação (Seng, 2019; Cross et al., 2014). Nesse processo, elas ajustam suas atitudes e manifestações de conhecimento para se sentirem mais pertencentes e reduzir a estigmatização (Cross et al., 2014). Essa adaptação não se restringe ao comportamento, estendendo-se à linguagem e influenciando escolhas de vocabulário, estrutura sintática e adequação à norma linguística padrão. Tais estratégias linguísticas, embora favoreçam a aceitação social, podem ocultar o potencial intelectual e afetar a construção de uma identidade autêntica. Abre-se, assim, uma reflexão sobre a complexa relação entre mulheres superdotadas e suas práticas linguísticas, e como o uso da linguagem funciona como ferramenta de integração social e expressão do intelecto.

Historicamente, as mulheres estão socialmente submetidas a expectativas elevadas de adequação e perfeição, o que se reflete em como se comportam e utilizam a linguagem (Bueno, 2019). Com a superdotação, essas exigências se intensificam, criando uma dupla pressão: a cobrança social historicamente direcionada às mulheres e as expectativas de excelência associadas à superdotação. Espera-se que sejam cognitivamente excelentes e socialmente adequadas. No contexto educacional, essa problemática de gênero contribui para que meninas superdotadas sejam menos identificadas, devido a expectativas de comportamento conforme o sexo (Neumann, 2018), como serem “organizadas, persistentes, carinhosas e comportadas” (Camargo et al., 2013). A linguagem, nesse sentido, é entendida não apenas como instrumento de comunicação, mas como manifestação do funcionamento cognitivo e da organização do pensamento (Zanello, 2014).

A análise da escrita de mulheres superdotadas em blogs pessoais oferece uma oportunidade única para investigar como a norma linguística padrão é utilizada e como essa utilização se relaciona com as normas sociais e as estratégias de masking. Compreender essas dinâmicas é fundamental para ampliar o entendimento sobre identidade, gênero e inclusão, além de destacar a importância de práticas educacionais mais sensíveis às especificidades de estudantes com altas habilidades. Dessa forma, o presente estudo objetiva analisar textos produzidos em blogs por mulheres com altas habilidades/superdotação, a fim de identificar marcas linguísticas relacionadas ao uso da norma-padrão e compreender como tais escolhas se articulam a normas sociais e a possíveis estratégias de masking.

2. Material e Métodos

Este estudo teve como objetivo principal analisar textos de blogs pessoais escritos por mulheres superdotadas, identificando marcas linguísticas recorrentes que evidenciem o uso da norma-padrão e compreendendo como tais escolhas se articulam a normas sociais e a possíveis estratégias de masking. As etapas iniciais do trabalho incluíram a leitura e discussão de textos teóricos fundamentais para o embasamento do estudo e a composição do córpus.

A pesquisa possui abordagem qualitativa, de caráter descritivo e documental. O córpus foi composto por dez textos publicados em blogs pessoais de mulheres que se autodeclaram superdotadas e que abordam diretamente sua experiência com a superdotação. Os textos, datados de 2018 a 2025, foram retirados do blog intitulado “Supereficiente Mental”. Para a seleção, foram adotados os seguintes critérios: (i) textos disponíveis publicamente na internet; (ii) identificação clara da autora como superdotada ou relato em primeira pessoa sobre a condição; e (iii) textos escritos em língua portuguesa.

A coleta dos textos foi realizada por meio de pesquisa online, e os textos selecionados foram organizados em um banco de dados digital, contendo informações sobre a autora, a data de publicação e o título do texto. Foram analisados apenas textos de caráter público, garantindo o anonimato das autoras quando necessário e respeitando os direitos autorais, com citação da fonte original.

A análise dos textos seguiu etapas sequenciais: (i) leitura integral para familiarização com o conteúdo; (ii) identificação de marcas linguísticas relacionadas à norma-padrão; (iii) categorização dessas marcas em grupos; e (iv) interpretação qualitativa dos resultados, destacando padrões recorrentes que pudessem evidenciar a forma como essas mulheres utilizam a norma-padrão em seus escritos.

As categorias linguísticas observadas para identificar aproximação ou afastamento em relação à norma-padrão incluíram: concordância verbal e nominal (verificação do alinhamento entre sujeito-verbo e substantivo-artigo-adjetivo), regência verbal e nominal (emprego conforme as prescrições da gramática normativa), colocação pronominal (uso de próclise, ênclise e mesóclise em contextos formais) e léxico utilizado (observando escolhas vocabulares mais formais em detrimento de gírias ou marcas de oralidade). Além disso, foram consideradas as estruturas sintáticas e organizacionais do texto, como o uso de períodos compostos, orações subordinadas e conectivos; o emprego da pontuação de acordo com a norma; os mecanismos de coesão referencial (uso de pronomes e expressões de retomada) e coesão sequencial (uso de conectores que orientam a progressão textual, como portanto, contudo, logo). Por fim, foi avaliado o registro formal, verificando a ausência de abreviações, interjeições coloquiais e marcas explícitas de oralidade. Essas categorias funcionaram como parâmetros analíticos para identificar marcas linguísticas recorrentes e sua relação com o uso da norma-padrão.

Parte do processo de organização textual, revisão linguística, reformulação de trechos e apoio à estruturação argumentativa contou com o auxílio de ferramenta de inteligência artificial generativa (ChatGPT, OpenAI). Contudo, todas as decisões analíticas, seleção teórica, interpretação dos dados e redação final foram realizadas pela autora, sendo a ferramenta utilizada exclusivamente como suporte técnico e linguístico.

3. Resultados e Discussão

Nesta seção, são apresentados os resultados obtidos a partir da análise do córpus de textos produzidos por mulheres superdotadas, que permitiu a identificação de padrões linguísticos e discursivos. A superdotação, que envolve elevado nível de processamento cognitivo, repertório lexical amplo e capacidade de abstração, pode influenciar as escolhas linguísticas das autoras, tanto na aproximação quanto no afastamento da norma-padrão da língua (Souza et al., 2020).

A análise considerou a norma linguística como aquilo que é recorrente na fala e escrita, passível de alteração conforme o uso (Bueno, 2019). A norma-padrão, por sua vez, foi entendida como um modelo artificial e arbitrário, construído por critérios de bom gosto e vinculada a um determinado contexto social e histórico (Bagno, 2003). O conceito de adequação linguística foi mobilizado como ferramenta interpretativa, dialogando com o recurso do masking, sem ser um diagnóstico psicológico. As categorias linguísticas investigadas incluíram concordância verbal e nominal, regência verbal e nominal, colocação pronominal, escolha lexical, estrutura sintática, uso de conectivos, pontuação, coesão referencial e sequencial, e registro formal. A Tabela 1 detalha essas categorias e seus exemplos.

Tabela 1. Categorias gramaticais analisadas, definições e exemplos

Categoria gramaticalDefiniçãoExemplo extraído dos relatos
Concordância nominalRelação entre substantivo, adjetivo, artigo e pronomes, que devem concordar em gênero e número.“Forte alívio quando eu me afastava do material de estudo.” (Relato 1)
Concordância verbalO verbo deve concordar com o sujeito em número e pessoa.“Os outros adolescentes iam a festas, saíam juntos…” (Relato 2)
Regência nominal e verbalRelação entre nomes ou verbos e seus complementos, podendo exigir preposição específica.“Eu tinha dificuldade em compreender como tudo funcionava.” (Relato 3)
Colocação pronominalPosição do pronome oblíquo em relação ao verbo (próclise, ênclise ou mesóclise).“Fui entregar uma redação e me deparei novamente com o destaque e o bullying.” (Relato 2)
Escolha lexical (formal / informal)Seleção de palavras que evidencia o registro linguístico.“Uau!!! Existe um livro que explica como tudo funciona?” (Relato 3)
Períodos compostosEstruturas com duas ou mais orações.“Eu queria estudar, conhecer mais e mais coisas, mas o mal-estar físico era enorme.” (Relato 1)
Orações subordinadas e conectivosUso de conectores e orações dependentes.“Chorei no consultório porque me sentia impotente diante das desigualdades.” (Relato 4)
Emprego da pontuaçãoOrganização textual por meio de vírgulas, travessões etc.“Eu observava tudo, e, mesmo sem entender nada da vida, distinguia intenções com clareza.” (Relato 5)
Coesão referencialRetomada de elementos por pronomes ou expressões equivalentes.“Os professores elogiavam minha escrita, e eles também incentivavam que eu explicasse aos colegas.” (Relato 6)
Coesão sequencialConectores que indicam continuidade lógica.“Primeiro fui identificada no mestrado; depois, refiz a avaliação com outra profissional.” (Relato 7)
Registro formalEmprego de linguagem padrão, sem marcas de oralidade.“Percebi que precisava organizar meu tempo, meu espaço e minhas atividades para manter o equilíbrio.” (Relato 8)

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Aspectos Linguísticos de Adequação à Norma-Padrão

Os resultados iniciais destacam a recorrência de usos adequados da norma-padrão, evidenciando um domínio consistente da língua portuguesa pelas autoras. Este padrão sugere que mulheres superdotadas mobilizam frequentemente recursos linguísticos associados a um manejo mais consistente da língua. Observou-se o emprego adequado da concordância nominal e verbal, da regência nominal e verbal, e da colocação pronominal, conforme os princípios gramaticais. As estruturas sintáticas, incluindo períodos compostos, orações subordinadas e conectivos, também foram empregadas de forma a conferir clareza e coerência aos textos. Mecanismos de coesão referencial e sequencial contribuíram para a fluidez e organização textual.

Apesar do domínio da norma-padrão, a seleção lexical demonstrou flutuação entre o formal e o informal, com a presença de marcas de oralidade. Essa oscilação, juntamente com o emprego da pontuação, que, embora geralmente adequado, apresentou momentos de maior relaxamento, sugere uma flexibilidade no registro linguístico. A mobilização recorrente de estruturas linguísticas formais e normativamente estáveis pode ser interpretada como uma forma de alinhamento às convenções sociais e acadêmicas, o que reforça a aplicabilidade do conceito de masking como estratégia de camuflagem de anseios e medos de julgamento (Seng, 2019; Cross et al., 2014).

Oralidade, Pontuação e Ritmo Discursivo em Relatos de Mulheres Superdotadas

Nos textos analisados, notou-se um uso reduzido dos sinais de pontuação, especialmente da vírgula, o que limita as pausas e afeta o ritmo da leitura. Essa característica pode ser associada ao pensamento acelerado e à fluidez cognitiva comumente observados em indivíduos superdotados (Souza et al., 2020), refletindo-se na materialização do pensamento escrito e na organização sintática dos textos.

Essa manifestação linguística também pode ser compreendida à luz da sobre-excitabilidade psicomotora, uma característica de pessoas superdotadas que se manifesta como excesso de energia e fala rápida (Ackerman, 2009; Sousa e Fleith, 2024). A transposição dessas características para a escrita pode resultar em menos sinais de pontuação e pausas. Além disso, o gênero textual blog, por ser um ambiente de escrita mais fluida, rápida e informal (Marcuschi, 2010; Angeli, 2012), favorece a incorporação de marcas de oralidade e justifica os desvios de pontuação. Nesse espaço discursivo, onde as autoras se declaram explicitamente superdotadas, a necessidade de masking tende a atenuar-se, permitindo uma escrita mais espontânea e menos monitorada, com flexibilizações normativas.

Identidade, gênero e educação: quando a superdotação se faz presente

As mulheres, historicamente submetidas a maiores expectativas de adequação e perfeição, tendem a adotar uma linguagem mais rebuscada e próxima da norma-padrão para evitar estigmatização em ambientes competitivos (Bueno, 2019; Costa, 2005; Petry e Silva, 2005). Para mulheres superdotadas, essas exigências se intensificam, criando uma “pressão dupla”: a cobrança social direcionada às mulheres e as expectativas de excelência associadas à superdotação. Espera-se que sejam cognitivamente excelentes e socialmente adequadas.

No contexto educacional, a problemática de gênero muitas vezes impede a identificação de meninas superdotadas devido às expectativas de comportamento feminino (Neumann, 2018). Essa tensão entre expectativas externas, autoexigência e estratégias de camuflagem (masking) manifesta-se nos relatos analisados. Embora algumas autoras com superdotação linguística expressem dificuldades em organizar suas ideias por escrito, outras demonstram uma busca por um espaço seguro nos blogs para narrar suas imperfeições e flexibilizar a norma-padrão, distanciando-se da ideia de perfeição que lhes é frequentemente atribuída. Esses enunciados revelam um posicionamento identitário e formas de negociação subjetiva diante da pressão social.

Em síntese, este estudo observou que os textos de mulheres superdotadas em blogs apresentam um manejo consistente da norma-padrão, com uso adequado de estruturas gramaticais e coesão textual. Contudo, essa homogeneidade é permeada por uma tensão linguística, evidenciada pela oscilação entre a formalidade e a presença de desvios, especialmente na pontuação, que podem ser associados ao ritmo acelerado do pensamento e ao gênero textual do blog. Os resultados sugerem que mulheres superdotadas vivenciam uma dupla pressão de excelência cognitiva e adequação social, mas encontram nos blogs um espaço para expressar suas identidades de forma mais autêntica, flexibilizando as normas linguísticas e distanciando-se da busca pela perfeição.

4. Conclusão

O presente estudo objetivou analisar textos produzidos em blogs por mulheres com altas habilidades/superdotação, buscando identificar marcas linguísticas relacionadas ao uso da norma-padrão e compreender como tais escolhas se articulam a normas sociais e a possíveis estratégias de masking. Verificou-se que os textos apresentaram um manejo consistente da norma-padrão, com uso adequado de estruturas gramaticais, organização sintática e mecanismos de coesão textual. Contudo, observou-se uma tensão linguística, evidenciada pela oscilação entre a formalidade e a presença de desvios, especialmente na pontuação, que se associaram ao ritmo acelerado do pensamento e à natureza do gênero textual blog. Os resultados indicaram que mulheres superdotadas vivenciam uma dupla pressão de excelência cognitiva e adequação social, mas encontram nos blogs um espaço para expressar suas identidades de forma mais autêntica, flexibilizando as normas linguísticas e distanciando-se da busca pela perfeição.

A análise da escrita dessas mulheres contribuiu para ampliar a compreensão sobre identidade, gênero e inclusão, ao dar visibilidade às suas vozes e tensionar expectativas historicamente naturalizadas sobre linguagem, gênero e desempenho. Este estudo reforça a necessidade de práticas educacionais mais atentas às singularidades de estudantes com altas habilidades, especialmente meninas, que frequentemente enfrentam expectativas sociais de perfeição e adequação linguística. Nesse horizonte, a escrita é percebida não apenas como um produto, mas como uma expressão de trajetórias, um caminho potente para reconhecer a complexidade, a sensibilidade e a potência dessas experiências desde cedo.

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Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Neurociência e Aprendizagem na Educação

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16 de setembro de 2026

Celular na Escola e o Desenvolvimento de Funções Executivas

A pesquisa analisou os prejuízos do uso de telas no desenvolvimento cognitivo infantil, com foco nas funções executivas, como controle inibitório, memória de trabalho e flexibilidade cognitiva. O estudo objetivou analisar as leis brasileiras nº 15.100/2025 e nº 15.211/2025 e sua relação com o desenvolvimento das funções executivas, comparando-as com políticas regulatórias da França (Lei nº 2018-698) e Bangladesh (Ordem Administrativa de 2017). Realizou-se uma pesquisa descritiva, com estudo de casos comparativo e análise documental das legislações mencionadas, além de uma revisão bibliográfica sobre o impacto do uso de telas nas funções executivas. Os resultados indicaram prejuízos do uso de telas no controle inibitório e na memória de trabalho na primeira infância, enquanto a flexibilidade cognitiva não apresentou danos evidentes e pode ser aprimorada por jogos digitais. A comparação das legislações revelou que Brasil e França apresentaram restrições mais semelhantes e menos restritivas, com justificativas ligadas ao desenvolvimento cognitivo infantil. No entanto, a legislação francesa limitou-se a escolas públicas, e a brasileira não especificou consequências para o descumprimento. Concluiu-se que a eficácia das políticas regulatórias depende da educação das comunidades escolares e da sociedade para o uso consciente e responsável da tecnologia, exigindo um equilíbrio entre restrição e uso pedagógico.

Palavras-chave: Brasil; Desenvolvimento cognitivo infantil; Educação; Políticas regulatórias; Uso de telas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

16 de setembro de 2026

Minlo: Ecossistema de Sustentabilidade Atencional Estudantil com Polo de Letramento Neurocientífico e Educação Emocional Integral

O estudo estabeleceu a arquitetura do MinLO (Minimum Learning Object), um ecossistema para fortalecer a sustentabilidade atencional de estudantes, com foco em letramento neurocientífico e educação emocional integral para familiares e professores. A pesquisa, de natureza aplicada e qualitativa, investigou a crise de atenção e os baixos índices de proficiência no Ensino Fundamental II brasileiro. Fundamentou-se em indicadores do SAEB, PISA e PeNSE 2024, sob a ótica das neurociências aplicadas, e empregou a Engenharia Reversa de Requisitos para identificar lacunas cognitivas não atendidas pelo modelo pedagógico tradicional. O diagnóstico revelou que o insucesso escolar resultou de fatores como saturação da memória de trabalho por fadiga sináptica, hipossensibilidade dopaminérgica agravada pelo sedentarismo digital, bloqueio emocional, fratura de vínculo parental e falta de letramento neurocientífico, que geraram estigmas sobre o comportamento neurodivergente. Adotando o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) como parâmetro de vulnerabilidade máxima, estruturou-se o Motor de Transformação e Desbloqueio. Este motor é responsável pela atomização de conteúdos em ciclos curtos de aprendizagem e pela criação de polos de educação emocional e letramento neurocientífico em camadas de mediação interdependentes para estudantes, familiares e docentes. O artefato integrou requisitos do ECA Digital (Lei nº 15.211/2025) e metas do novo PNE (2026-2036), visando a proteção biopsicossocial do menor e a escalabilidade da solução para a rede pública.

Palavras-chave: Adolescência; Ensino Fundamental; Microaprendizagem; Neurociências; Neurodiversidade.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

15 de setembro de 2026

Percepções Docentes sobre Funções Executivas e Cognição Espacial na Aprendizagem Matemática: Implicações Pedagógicas para a Equidade

Este estudo investigou as percepções de docentes dos anos iniciais sobre o papel das funções executivas (FEs) e da cognição espacial na aprendizagem matemática, bem como suas implicações para a equidade de gênero no contexto educacional. Participaram 48 professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I, que responderam a um questionário composto por itens em escala Likert e questões abertas. As análises incluíram estatística descritiva, estimativas de confiabilidade, testes não paramétricos e análise temática das respostas discursivas. Os resultados indicaram elevada concordância quanto à relevância das FEs (M=4,83) e da cognição espacial (M=4,85) para a aprendizagem matemática. Contudo, a integração sistemática dessas habilidades e a observação cotidiana de autorregulação apresentaram menor uniformidade na prática docente. As práticas pedagógicas foram frequentes, mas heterogêneas, especialmente nas intervenções para cognição espacial e FEs (M=4,25). Em relação ao gênero, observou-se incerteza sobre o interesse inicial equivalente entre meninos e meninas (M=3,35), mas forte concordância de que a escola pode reduzir desigualdades (M=4,75). Docentes que atribuíram maior importância às FEs e à cognição espacial relataram maior frequência de práticas pedagógicas associadas. Os achados evidenciaram a necessidade de fortalecer a tradução desses conhecimentos em práticas pedagógicas intencionais, oferecendo subsídios para a formação docente e a promoção da equidade na aprendizagem matemática desde os primeiros anos escolares.

Palavras-chave: Aprendizagem matemática; Cognição espacial; Equidade de gênero; Funções executivas; Práticas pedagógicas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

15 de setembro de 2026

Trabalhando a Diversidade Através de Atividades Lúdicas e Colaborativas

Um estudo analisou o impacto da “II Gincana Leonor: Gincana da Inclusão” como estratégia pedagógica para promover a empatia e combater o capacitismo em uma escola pública municipal de Campinas, envolvendo alunos do 6º ao 9º ano. A metodologia, de natureza aplicada, caracterizou-se como um estudo de caso com abordagem qualitativa e quantitativa. A coleta de dados envolveu análise documental do guia de atividades da gincana, registros fotográficos das vivências e aplicação de questionários estruturados via Google Forms para a equipe gestora, docentes e funcionários da instituição. Os resultados revelaram alto engajamento e protagonismo estudantil, com mais de 80% de percepção positiva dos participantes sobre a eficácia das atividades lúdicas na sensibilização sobre a diversidade. Contudo, evidenciaram desafios na transposição do aprendizado para o cotidiano escolar, pois a maioria dos docentes relatou aplicação apenas parcial dos valores de inclusão nas atitudes diárias dos alunos. Concluiu-se que, embora a gincana tenha sido um catalisador eficaz para a empatia e o acolhimento, a consolidação de uma cultura anticapacitista exige a integração contínua dessas discussões ao currículo escolar, superando o caráter pontual das intervenções.

Palavras-chave: Capacitismo; Educação Inclusiva; Gincana Escolar; Metodologias Ativas; Protagonismo Estudantil.

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