Artigo

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

15 de setembro de 2026

Percepções Docentes sobre Funções Executivas e Cognição Espacial na Aprendizagem Matemática: Implicações Pedagógicas para a Equidade

Marcia Nogueira Castaldi Abel; Maria Fernanda Celli De Oliveira

DOI: 10.22167/2675-6528-202602269

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

Este estudo investigou as percepções de docentes dos anos iniciais sobre o papel das funções executivas (FEs) e da cognição espacial na aprendizagem matemática, bem como suas implicações para a equidade de gênero no contexto educacional. Participaram 48 professores da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I, que responderam a um questionário composto por itens em escala Likert e questões abertas. As análises incluíram estatística descritiva, estimativas de confiabilidade, testes não paramétricos e análise temática das respostas discursivas. Os resultados indicaram elevada concordância quanto à relevância das FEs (M=4,83) e da cognição espacial (M=4,85) para a aprendizagem matemática. Contudo, a integração sistemática dessas habilidades e a observação cotidiana de autorregulação apresentaram menor uniformidade na prática docente. As práticas pedagógicas foram frequentes, mas heterogêneas, especialmente nas intervenções para cognição espacial e FEs (M=4,25). Em relação ao gênero, observou-se incerteza sobre o interesse inicial equivalente entre meninos e meninas (M=3,35), mas forte concordância de que a escola pode reduzir desigualdades (M=4,75). Docentes que atribuíram maior importância às FEs e à cognição espacial relataram maior frequência de práticas pedagógicas associadas. Os achados evidenciaram a necessidade de fortalecer a tradução desses conhecimentos em práticas pedagógicas intencionais, oferecendo subsídios para a formação docente e a promoção da equidade na aprendizagem matemática desde os primeiros anos escolares.

Palavras-chave: Aprendizagem matemática; Cognição espacial; Equidade de gênero; Funções executivas; Práticas pedagógicas.

1. Introdução

A aprendizagem matemática nos primeiros anos de escolarização é reconhecida como um dos principais preditores de trajetórias educacionais e profissionais ao longo da vida. O desenvolvimento do raciocínio matemático está intrinsecamente ligado a um conjunto de habilidades cognitivas essenciais que fundamentam a capacidade de resolver problemas e de interagir com o mundo de forma lógica e estruturada.

Entre essas habilidades, destacam-se as funções executivas (FEs), que englobam processos de autorregulação, planejamento e resolução de problemas. Essas funções são cruciais para o engajamento com tarefas escolares e para a construção ativa do conhecimento matemático, sendo mobilizadas por meio de propostas que demandam planejamento de estratégias, execução em etapas e monitoramento do próprio desempenho (Diamond, 2013; Blair, 2016). A qualidade do desenvolvimento dessas FEs na infância tem um impacto significativo na trajetória acadêmica dos indivíduos.

Paralelamente, a cognição espacial exerce um papel relevante na aprendizagem matemática. Habilidades como rotação mental, percepção espacial e manipulação de representações visuais são importantes preditores do desempenho matemático ao longo da escolarização, mesmo quando controlados fatores socioeconômicos e outras habilidades cognitivas (Verdine et al., 2017; Gilligan et al., 2017). A íntima relação entre o raciocínio matemático e a capacidade de representar e transformar relações espaciais se traduz, pedagogicamente, na valorização de atividades com materiais manipuláveis, representações visuais e experiências corporificadas.

Contudo, as oportunidades para o desenvolvimento dessas habilidades não são distribuídas de maneira equitativa. Contextos de pobreza e privação material podem limitar o acesso a ambientes ricos em estímulos cognitivos e experiências de exploração espacial, afetando processos como atenção, planejamento e tomada de decisão ao consumir parte significativa da reserva cognitiva disponível (Mullainathan & Shafir, 2013). Nesse cenário, a escola assume um papel central como espaço compensatório, capaz de ampliar o repertório cognitivo de crianças em situações de maior vulnerabilidade.

Além disso, a literatura aponta para a persistência de diferenças de gênero no domínio da matemática, onde fatores socioculturais podem influenciar o interesse e a autoconfiança de meninas e meninos (Stoet & Geary, 2018). Embora a atuação docente seja decisiva na criação de ambientes que favoreçam o desenvolvimento dessas habilidades, observa-se uma grande variabilidade no conhecimento dos professores sobre esses processos e sua integração às práticas pedagógicas (Gagnier et al., 2021). Há uma lacuna entre o reconhecimento da importância da cognição espacial e sua integração sistemática às práticas, bem como uma heterogeneidade na intencionalidade e sistematização das práticas pedagógicas relacionadas às funções executivas e à cognição espacial.

Diante deste contexto, práticas pedagógicas intencionais são estratégicas para mitigar desigualdades de origem, alinhando-se à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 (ODS 5) da Agenda 2030, que visa promover a igualdade de gênero. A formação continuada dos docentes é crucial para qualificar a prática pedagógica e promover a equidade educacional. Assim, este estudo teve como objetivo investigar as percepções de professores da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental sobre o papel das funções executivas e das habilidades espaciais no desenvolvimento do raciocínio matemático, analisando sua relação com práticas pedagógicas e com a promoção da equidade educacional e de gênero.

2. Material e Métodos

Delineamento experimental

Trata-se de um estudo descritivo-analítico, com abordagem quantitativa e componente qualitativo exploratório, realizado por meio de levantamento survey. O objetivo foi investigar as percepções de docentes da Educação Infantil (EI) e dos anos iniciais do Ensino Fundamental (EF-I) sobre o papel das funções executivas e da cognição espacial na aprendizagem matemática, e sua relação com práticas pedagógicas e equidade.

Participantes

A amostra foi composta por 48 docentes atuantes na Educação Infantil e/ou nos anos iniciais do Ensino Fundamental, que responderam integralmente ao questionário on-line.

Critérios de inclusão

Os critérios de inclusão foram: docentes da Educação Infantil e/ou dos anos iniciais do Ensino Fundamental em exercício, que consentiram eletronicamente e completaram o questionário.

Critérios de exclusão

Os critérios de exclusão foram: respostas incompletas ou sem aceite do TCLE.

Procedimento de coleta

A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário on-line autoadministrado, contendo itens fechados (escala Likert) e questões abertas. O convite foi distribuído por redes profissionais e canais institucionais, assegurando voluntariedade e anonimato. O tempo médio de resposta foi de 10 a 15 minutos.

Instrumento de coleta

O questionário foi estruturado em cinco blocos de itens em escala Likert (1 = discordo totalmente a 5 = concordo totalmente), além de duas questões abertas e variáveis demográficas. Os blocos temáticos foram: Funções Executivas (FEs), abordando conhecimento/valor, observação em sala e estímulo intencional (4 itens); Espacialidade, sobre a importância das habilidades espaciais e seu uso pedagógico (4 itens); Práticas Pedagógicas, referentes à frequência de práticas que mobilizam atenção, memória, planejamento, materiais manipuláveis, integração corpo-espaço–matemática e metacognição (5 itens); Gênero e Matemática, investigando percepções sobre interesse, confiança, estereótipos e papel da escola (6 itens); e Formação Docente, cobrindo contato prévio com neurociência, FEs, formação continuada e percepção de relevância para equidade (5 itens).

Procedimentos de análise

Os procedimentos de análise incluíram o cálculo de um escore composto (média aritmética dos itens válidos) para cada bloco temático. A consistência interna foi avaliada pelo alfa de Cronbach, com os seguintes valores: FEs (α=0,52), espacialidade (α=0,76), práticas (α=0,70), gênero (α=0,55) e formação (α=0,59), considerados adequados para medidas exploratórias. As respostas às questões abertas foram submetidas à análise temática indutivo-dedutiva, assistida por dicionário de palavras-chave. O corpus textual foi concatenado por participante e codificado para identificar temas previamente definidos e termos emergentes, resultando em uma matriz binária tema x participante, que permitiu integrar dimensões quantitativas e qualitativas.

Softwares e Apresentação

As análises foram realizadas em Python, e as figuras e tabelas foram organizadas e finalizadas no Excel.

Aspectos éticos da pesquisa

A participação na pesquisa foi voluntária e anônima, com a leitura e aceite do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) pelos participantes. Não foram coletados dados pessoais identificáveis. O estudo seguiu a Resolução nº 510/2016 e foi dispensado de apreciação ética conforme Art. 1º, inciso I, tendo o Formulário de Direcionamento Ético (FDE) sido devidamente preenchido e anexado ao TCC.

Limitações metodológicas

As limitações metodológicas incluíram uma amostra não probabilística (por conveniência), majoritariamente composta por docentes da rede privada, o que pode introduzir viés de seleção. As medidas foram autorreferidas, sujeitas a vieses de desejabilidade social. Além disso, a confiabilidade interna foi moderada em alguns blocos (α≈0,52–0,59). Tais limitações não comprometem a validade dos achados, mas devem ser consideradas na interpretação e generalização dos resultados.

3. Resultados e Discussão

Os resultados obtidos a partir da aplicação do questionário a 48 docentes da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental foram organizados em análises descritivas, testes estatísticos inferenciais e achados qualitativos provenientes das respostas abertas.

Caracterização da amostra

A amostra foi composta por 48 docentes em exercício. A distribuição geral evidenciou que 45,8% dos participantes atuavam de forma transversal em mais de uma etapa. Em relação ao ano de atuação, destacaram-se docentes do 2º ano (18,8%), do 3º ano (16,7%), do 1º ano (10,4%) e da Educação Infantil (8,3%). O tempo de docência concentrou-se no grupo com mais de 20 anos de experiência (47,9%), e a formação predominante foi pós-graduação lato sensu (60,4%). Quanto à rede de atuação, observou-se maior participação de docentes da rede privada (54,2%), seguida da rede pública (37,5%) e de atuação simultânea em ambas (8,3%), conforme detalhado na Tabela 1.

Tabela 1 – Perfil da amostra (N = 48)

BlocoCategorianPercentual (%)
Rede de atuaçãoPrivada2654.2
Rede de atuaçãoPública1837.5
Rede de atuaçãoAmbas48.3
Etapa/ano de atuaçãoEducação Infantil48.3
Etapa/ano de atuação1º ano510.4
Etapa/ano de atuação2º ano918.8
Etapa/ano de atuação3º ano816.7
Etapa/ano de atuaçãoMais de uma etapa2245.8
Tempo de docência> 20 anos2347.9
Tempo de docênciaOutras faixas2552.1
Formação acadêmicaPós-graduação lato sensu2960.4
Formação acadêmicaOutras formações (graduação/licenciatura, mestrado, doutorado)1939.6

Fonte: Resultados originais da pesquisa (2026).

Resultados descritivos do instrumento respondido pelos docentes

Os resultados descritivos foram apresentados de acordo com os blocos temáticos do questionário: Funções Executivas, Espacialidade, Práticas Pedagógicas, Gênero e Matemática e Formação Docente. A Figura 1 sintetiza o padrão geral das percepções, evidenciando o elevado reconhecimento da importância das habilidades espaciais e das funções executivas na aprendizagem matemática.

Figura 1 – Médias dos blocos temáticos (escala Likert 1-5).

Fonte: Resultados originais da pesquisa (2026).

Funções executivas

A Tabela 2 apresenta as médias e os desvios-padrão dos itens relacionados às funções executivas (FEs). Os resultados indicaram elevado nível de concordância quanto à relevância das FEs para a aprendizagem, com o item sobre a relação entre FEs e desempenho escolar obtendo a maior média (M = 4,83; DP = 0,43). Em contraste, a observação cotidiana de comportamentos autorregulatórios apresentou maior dispersão (DP = 0,92), sugerindo variabilidade na percepção prática dessas habilidades em sala de aula. O estímulo intencional às FEs também apresentou média elevada (M = 4,56; DP = 0,62).

Tabela 2 – Percepção docente sobre Funções Executivas (N = 48)

Item avaliadoMédia (M)Desvio-padrão (DP)
Conhecimento sobre funções executivas4,430,71
Reconhecimento da relação FE-aprendizagem4,830,43
Observação da autorregulação em sala4,210,92
Estímulo intencional às funções executivas4,560,62

Fonte: Resultados originais da pesquisa (2026).

Espacialidade

Na Tabela 3, são apresentadas as percepções docentes sobre habilidades espaciais e sua relação com a aprendizagem matemática. Houve concordância elevada quanto à importância da cognição espacial nos primeiros anos de escolarização, com destaque para a relevância das habilidades espaciais para a aprendizagem de matemática (M = 4,85; DP = 0,36). A contribuição das experiências espaciais para o raciocínio futuro também obteve alta média (M = 4,77; DP = 0,52). Contudo, a proposição intencional de atividades espaciais (M = 4,50; DP = 0,68) e a integração sistemática entre espacialidade e matemática (M = 4,38; DP = 0,73) apresentaram maior dispersão, indicando variabilidade na operacionalização dessas práticas e uma lacuna entre o conhecimento teórico e a implementação.

Tabela 3 – Percepções docentes sobre espacialidade e matemática (N = 48)

Item avaliadoMédia (M)Desvio-padrão (DP)
Importância das habilidades espaciais para a matemática4,850,36
Contribuição das experiências espaciais para o raciocínio matemático4,770,52
Proposição intencional de atividades espaciais4,500,68
Integração entre espacialidade e matemática4,380,73

Fonte: Resultados originais da pesquisa (2026).

Práticas Pedagógicas

A Tabela 4 detalha as práticas pedagógicas adotadas pelos docentes. Os resultados revelaram alta frequência de estratégias promotoras do desenvolvimento cognitivo. O item com maior média foi a solicitação de explicação do raciocínio (M = 4,52; DP = 0,71). Jogos que exigem atenção e memória (M = 4,33; DP = 0,78), situações-problema e planejamento (M = 4,23; DP = 0,72) e uso de materiais concretos (M = 4,29; DP = 0,90) também foram frequentes. A menor média do bloco, ainda assim elevada, foi para a integração corpo-espaço-matemática (M = 4,02; DP = 0,96), sugerindo heterogeneidade no uso de práticas corporalizadas, possivelmente devido a condições de infraestrutura ou formação docente.

Tabela 4 – Práticas pedagógicas relacionadas às funções executivas (N = 48)

Item avaliadoMédia (M)Desvio-padrão (DP)
Jogos que exigem atenção e memória4.330.78
Situações-problema e planejamento e tomada de decisão4.230.72
Solicitação de explicação do raciocínio4.520.71
Uso de materiais concretos4.290.90
Integração corpo-espaço–matemática4.020.96

Fonte: Resultados originais da pesquisa (2026).

Gênero e Matemática

A Tabela 5 apresenta as percepções docentes sobre gênero e aprendizagem matemática. Observou-se forte reconhecimento do papel da escola na redução de desigualdades de gênero (M = 4,75; DP = 0,48) e das ações docentes para tal (M = 4,57; DP = 0,75). No entanto, os itens sobre a influência do capital cultural familiar (M = 3,71; DP = 1,25) e o potencial de professores reforçarem estereótipos (M = 3,77; DP = 1,17) apresentaram médias intermediárias e maior variabilidade. O item com a menor média e maior dispersão foi “meninos e meninas têm o mesmo interesse inicial por matemática” (M = 3,35; DP = 1,19), indicando incerteza sobre o envolvimento inicial de ambos os gêneros na área.

Tabela 5 – Percepção docente sobre gênero e matemática (N = 48)

Item avaliadoMédia (M)Desvio-padrão (DP)
Meninos e meninas têm o mesmo interesse inicial por matemática3,351,19
Diferenças de confiança percebidas3,651,12
Influência do capital cultural familiar3,711,25
Professores podem reforçar estereótipos3,771,17
Escola pode reduzir desigualdades de gênero4,750,48
Ações docentes podem reduzir desigualdades4,570,75

Fonte: Resultados originais da pesquisa (2026).

Formação Docente

Na Tabela 6, são detalhadas as percepções sobre formação profissional. Houve grande variabilidade nos itens que investigam a formação inicial, como contato com neurociência (M = 3,56; DP = 1,51) e disciplinas sobre FEs (M = 3,50; DP = 1,50), indicando pouco contato formal com esses temas para parte da amostra. Em contraste, os itens relacionados à formação continuada apresentaram médias mais elevadas e menor dispersão, com consenso quase unânime sobre a importância da formação continuada em desenvolvimento cognitivo e emocional (M = 4,90; DP = 0,37) e alta participação em formações (M = 4,52; DP = 0,74). A formação em neurociência também foi reconhecida como contribuinte para reduzir desigualdades de gênero (M = 4,62; DP = 0,57).

Tabela 6 – Percepção docente sobre formação profissional (N = 48)

Item avaliadoMédia (M)Desvio-padrão (DP)
Contato com neurociência na formação inicial3,561,51
Disciplinas sobre funções executivas na formação inicial3,501,50
Importância da formação continuada4,900,37
Participação regular em formações4,520,74
Formação em neurociência contribui para reduzir desigualdades de gênero4,620,57

Fonte: Resultados originais da pesquisa (2026).

Análises estatísticas inferenciais

Foram conduzidas análises não paramétricas para avaliar diferenças por rede de atuação e correlações entre os blocos temáticos.

Diferenças por rede (Kruskal-Wallis)

Os resultados indicaram diferença estatisticamente significativa entre as redes de atuação apenas para o composto Funções Executivas (FEs) (H = 12,27; p = 0,002; ε² ≈ 0,23), com efeito de magnitude moderada. Para os demais blocos (Espacialidade, Práticas Pedagógicas e Formação), não foram observadas diferenças estatisticamente significativas (p > 0,45), conforme a Tabela 7. A Figura 2 ilustra essa diferença, mostrando maior concentração de valores elevados para FEs entre docentes da rede privada.

Tabela 7 – Testes de Kruskal-Wallis por rede (N = 48)

BlocoHpε²
Funções executivas12,270,00220.23
Espacialidade1,580,4546≈ 0
Práticas pedagógicas1,080,5828≈ 0
Formação0,890,6399≈ 0

Fonte: Resultados originais da pesquisa (2026).

Figura 2 – Distribuição do escore composto de funções executivas por rede de atuação (pública, privada e ambas).

Fonte: Resultados originais da pesquisa (2026).

As comparações pós-hoc para FEs revelaram uma diferença estatisticamente significativa entre as redes privada e pública (U = 374; p = 0,0007; δ ≈ 0,60), indicando maior escore de FEs na rede privada. As comparações envolvendo a categoria “Ambas” não foram estatisticamente significativas (p > 0,19), como apresentado na Tabela 8.

Tabela 8 – Comparações pós-hoc (teste de Mann-Whitney) para funções executivas por rede (N = 48).

ParUpCliff’s δn1n2
Ambas vs Privada340,2806-0.34426
Ambas vs Pública510,19420.43418
Privada vs Pública3740,00070.602618

Fonte: Resultados originais da pesquisa (2026).

Correlações entre compostos (Spearman)

Foram observadas associações moderadas e estatisticamente significativas entre funções executivas e práticas pedagógicas (rho = 0,43; p = 0,0026), bem como entre espacialidade e práticas (rho = 0,36; p = 0,0123). As correlações entre formação e práticas (rho = 0,13; p = 0,38), assim como entre formação e os demais construtos, não foram estatisticamente significativas (p > 0,50), conforme a Tabela 9. A Figura 3 apresenta esses coeficientes, visualizando os padrões relacionais entre crenças, conhecimentos e práticas docentes. As correlações mais elevadas se concentraram entre FEs e práticas, e entre espacialidade e práticas, sugerindo que docentes que valorizam esses construtos tendem a engajar-se mais frequentemente em práticas pedagógicas correspondentes.

Tabela 9 – Correlações de Spearman entre blocos (N = 48)

Par de compostosp (rho)p
FE × Esp0.460.0011
FE × Prat0.430.0026
FE × Form0.080.5670
Esp × Prat0.360.0123
Esp × Form0.090.5212
Prat x Form0.130.3796

Fonte: Resultados originais da pesquisa (2026).

Figura 3 – Correlações de Spearman entre os blocos temáticos (FEs, Espacialidade, Práticas e Formação).

Fonte: Resultados originais da pesquisa (2026).

Análise temática das respostas abertas

As questões abertas buscaram aprofundar as percepções docentes sobre prioridades formativas, ações para ampliar oportunidades em matemática e estratégias para reduzir desigualdades de gênero. A Tabela 10 apresenta os temas identificados e suas frequências. O tema mais recorrente foi formação docente em neurociência e função executiva, mencionado por 89,6% das participantes. Outros temas destacados foram equidade de gênero e estereótipos (41,7%) e ludicidade e jogos (39,6%). Temas complementares incluíram família, cultura e capital cultural (27,1%) e situações-problema e raciocínio lógico (18,8%). Menções mais pontuais a materiais concretos, tecnologia, políticas públicas, metacognição, projeto de vida e espacialidade/movimento representaram menos de 10% da amostra. A Figura 4 sintetiza visualmente a predominância relativa desses temas.

Tabela 10 – Frequência de temas nas respostas abertas (N = 48)

Teman%
Formação docente em neurociência e Função executiva4389,6
Equidade de gênero e estereótipos2041,7
Ludicidade e jogos1939,6
Família, cultura e capital cultural1327,1
Situações-problema e raciocínio lógico918,8
Materiais concretos e manipuláveis48,3
Políticas públicas e gestão48,3
Tecnologia/recursos digitais48,3
Metacognição e explicação de raciocínio36,2
Projeto de Vida, carreiras e STEM36,2
Espacialidade, psicomotricidade e movimento24,2
Avaliação formativa e feedback00,0

Fonte: Resultados originais da pesquisa (2026).

Figura 4 – Frequência dos temas identificados nas respostas abertas (N = 48)

Fonte: Resultados originais da pesquisa (2026).

Exemplos representativos das respostas incluíram a demanda por “Neurociência aplicada à educação […] conteúdos com embasamento na ciência da aprendizagem”, a necessidade de “Incentivar meninas e meninos enquanto potenciais na matemática e trazer exemplos de mulheres que atuam…” e a importância de “Ferramentas lúdicas são fundamentais na Educação Infantil para o desenvolvimento das crianças.”

Síntese dos resultados

Os resultados permitiram visualizar de forma integrada as percepções, práticas e demandas formativas de docentes da Educação Infantil e dos anos iniciais. Observou-se alta concordância quanto à relevância das funções executivas e da espacialidade para a aprendizagem matemática, acompanhada de práticas pedagógicas frequentes, embora com distintos níveis de variabilidade. As análises descritivas evidenciaram altas médias para FEs e espacialidade, e para práticas pedagógicas como explicitação do raciocínio, uso de jogos e materiais concretos. No bloco gênero e matemática, destacou-se a crença no papel da escola para enfrentar desigualdades, ao lado de percepções mais diversas sobre interesse e confiança inicial de meninas e meninos. A formação docente revelou grande variação na formação inicial, contrastando com o consenso sobre a importância da formação continuada.

As análises inferenciais indicaram diferenças entre redes de atuação apenas no bloco funções executivas, com escore significativamente mais elevado entre docentes da rede privada. Foram observadas correlações moderadas entre crenças sobre FEs e práticas pedagógicas, e entre espacialidade e práticas, sugerindo alinhamento entre conhecimento e ação docente. A formação declarada não se correlacionou significativamente com as práticas. A análise temática das respostas abertas reforçou a demanda por formação continuada em neurociência e FEs, e destacou a equidade de gênero, ludicidade e situações-problema.

Discussão

O desenvolvimento da aprendizagem matemática na infância é fortalecido quando funções executivas, habilidades espaciais e práticas pedagógicas intencionais operam de forma integrada, especialmente em contextos comprometidos com a equidade de gênero. Os resultados deste estudo, em consonância com a literatura (Bethlehem et al., 2022; Diamond, 2013), indicam que essas competências cognitivas constituem pilares do raciocínio matemático infantil, particularmente em contextos marcados por desigualdades sociais e culturais.

Funções Executivas, Engajamento e Metacognição

As docentes participantes demonstraram elevado reconhecimento da importância das funções executivas (FEs) na aprendizagem matemática, convergindo com evidências da neurociência do desenvolvimento (Diamond, 2013). A correlação observada entre crenças em FEs e práticas pedagógicas (rho = 0,43; p = 0,0026) indica que sua valorização se traduz, ao menos parcialmente, em ações didáticas concretas. As evidências sobre o desenvolvimento cerebral (Bethlehem et al., 2022) apontam janelas sensíveis na infância para o fortalecimento da autorregulação e do planejamento, reforçando a importância de práticas que promovam metacognição e engajamento ativo. A educação infantil, um período de elevada plasticidade neural, oferece potencial ampliado para o impacto de intervenções pedagógicas intencionais no desenvolvimento das FEs e do raciocínio matemático.

Espacialidade e Matemática

A espacialidade apresentou elevada valorização no estudo, com consenso sobre seu papel na aprendizagem matemática. Esse resultado dialoga com o Modelo do Código Triplo (Dehaene; Cohen, 1995), que propõe que representações numéricas possuem base espacial. Pesquisas longitudinais indicam que habilidades espaciais precoces predizem o desempenho matemático futuro (Verdine et al., 2017). A correlação observada entre espacialidade e práticas pedagógicas (rho = 0,36; p = 0,0123) sugere alinhamento entre crenças e ações docentes. No entanto, a variabilidade na integração sistemática da espacialidade à rotina pedagógica evidencia uma lacuna entre reconhecimento teórico e implementação prática, indicando a necessidade de formação específica e condições estruturais adequadas.

Práticas Pedagógicas e Neurociência Aplicada

As práticas pedagógicas relatadas, como o uso de jogos, a proposição de situações-problema, o uso de materiais manipuláveis e a explicitação do raciocínio, mostram-se alinhadas às recomendações da literatura para o desenvolvimento integrado das funções executivas, da cognição espacial e do raciocínio lógico (Vandenbroucke et al., 2018). Tais práticas dialogam com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Ainda assim, práticas corporalizadas e de exploração espacial apresentaram maior variabilidade, possivelmente em função de limitações de espaço, recursos ou formação docente.

Formação Docente

No que se refere à formação docente, observou-se grande variabilidade na formação inicial em temas relacionados à neurociência e às funções executivas, contrastando com um consenso quase unânime quanto à importância da formação continuada. A literatura indica que cursos de graduação frequentemente oferecem preparação limitada em neurodesenvolvimento (Engel de Abreu et al., 2015), o que leva docentes a buscar formação posterior. As respostas abertas reforçam essa demanda por aprofundamento teórico e prático. É importante considerar o viés da amostra, composta por docentes com possível exposição prévia a conteúdos de neurociência, o que pode ter influenciado positivamente a valorização das FEs, da espacialidade e da equidade de gênero. Assim, os resultados devem ser interpretados com cautela quanto à sua generalização.

Equidade de Gênero

Em relação à equidade de gênero, os resultados indicam elevado reconhecimento do papel da escola na promoção de oportunidades mais equitativas na aprendizagem matemática. Embora tenham sido observadas percepções heterogêneas quanto ao interesse e à confiança de meninas e meninos, as docentes reconhecem que práticas pedagógicas intencionais podem ampliar oportunidades e reduzir desigualdades. Estudos sugerem que diferenças de desempenho entre gêneros são mais fortemente explicadas por fatores socioculturais do que por diferenças cognitivas intrínsecas (Stoet; Geary, 2018). Evidências internacionais, como as do PISA, indicam que meninas frequentemente apresentam menor autoconfiança e maior ansiedade em matemática, mesmo quando alcançam desempenho semelhante ou superior ao dos meninos, o que reforça o papel das experiências educacionais e das expectativas sociais na construção dessas diferenças.

ODS 5 e a Articulação entre Pobreza, Espacialidade e Gênero

A articulação entre pobreza, cognição espacial e desigualdades de gênero emerge como eixo relevante para compreender diferenças no desempenho matemático. Pesquisas indicam que crianças em situação de vulnerabilidade têm menor acesso a experiências espaciais diversificadas, fundamentais para a construção de representações mentais robustas (Lipina, 2020). No caso das meninas, fatores socioculturais podem restringir ainda mais esse repertório. Esses elementos sugerem que condições socioeconômicas e de gênero podem interagir, influenciando tanto o repertório espacial quanto a autoconfiança matemática. Ao evidenciar esses processos, este estudo contribui para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5 (ODS 5), ao destacar o papel da escola, da formação docente e de ambientes educacionais que enfrentem crenças limitantes sobre quem pertence à matemática e às áreas STEM. A escola, especialmente na educação infantil, configura-se como um dos principais dispositivos de equidade, ao possibilitar o acesso a experiências cognitivas e espaciais que muitas crianças não encontram em seus ambientes de origem.

Em síntese, os resultados indicam que a aprendizagem matemática é favorecida quando práticas pedagógicas integram funções executivas, habilidades espaciais, exploração corporal, metacognição e resolução de problemas. Esses elementos contribuem para a construção de contextos de aprendizagem que promovem autonomia, raciocínio lógico e participação equitativa entre meninas e meninos. Ao reconhecer que desigualdades de gênero são socialmente construídas e podem ser ampliadas por desigualdades no acesso a experiências cognitivas, este estudo reforça o papel da escola e da formação docente na promoção do ODS 5 e na construção de trajetórias matemáticas mais justas e inclusivas.

4. Conclusão

O presente estudo investigou as percepções de professores da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental sobre o papel das funções executivas e das habilidades espaciais no desenvolvimento do raciocínio matemático, bem como sua relação com as práticas pedagógicas e a promoção da equidade de gênero. Verificou-se elevado reconhecimento da importância das funções executivas e da cognição espacial para a aprendizagem matemática, embora a integração sistemática dessas habilidades e a observação cotidiana de autorregulação tenham apresentado maior variabilidade na prática docente. As práticas pedagógicas foram identificadas como frequentes, mas heterogêneas, especialmente nas intervenções para cognição espacial e funções executivas. Observou-se que docentes que atribuíram maior importância a esses construtos relataram maior frequência de práticas pedagógicas associadas. No que tange ao gênero, constatou-se incerteza sobre o interesse inicial equivalente entre meninos e meninas, mas forte concordância de que a escola pode atuar para reduzir desigualdades. Os achados oferecem subsídios para a formação docente e para a promoção da equidade na aprendizagem matemática desde os primeiros anos escolares, reforçando o papel da escola como um dispositivo de equidade, em alinhamento com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5.

Contudo, o estudo apresentou limitações decorrentes de sua amostra não probabilística, composta majoritariamente por docentes da rede privada, o que requer cautela na generalização dos resultados. As medidas autorreferidas também podem estar sujeitas a vieses de desejabilidade social, e a confiabilidade moderada em alguns blocos demanda interpretação cuidadosa. Sugere-se que estudos futuros explorem estratégias eficazes para a tradução desses conhecimentos em práticas pedagógicas intencionais e sistemáticas, investigando o impacto de programas de formação continuada específicos na qualificação da prática docente e nos resultados de aprendizagem dos alunos, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade socioeconômica.

Referências Bibliográficas

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Gilligan, K. A.; Flouri, E.; Farran, E. K. The contribution of spatial ability to mathematics achievement in middle childhood. Developmental Science, v. 20, n. 4, 2017.

Lipina, S. J. Pobre cérebro: o que a neurociência propõe sobre os efeitos da pobreza no desenvolvimento cognitivo e emocional. Buenos Aires: Siglo XXI, 2020.

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Vandenbroucke, L. et al. Teacher-child interactions and executive functions. Early Childhood Research Quarterly, 2018.

Verdine, B. N. et al. Contributions of executive function and spatial skills to preschool mathematics achievement. Journal of Experimental Child Psychology, v. 126, p. 37–51, 2014.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Neurociência e Aprendizagem na Educação

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17 de setembro de 2026

Adaptação de Material Didático de Ciências para Alunos com Tea no Ensino Fundamental II

A neurociência tem impulsionado o desenvolvimento de métodos educacionais, especialmente para alunos com necessidades específicas, como o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Um estudo buscou elaborar um material didático adaptado de Ciências para estudantes com TEA no Ensino Fundamental II, focado em uma habilidade específica da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A pesquisa, de natureza aplicada e abordagem qualitativa, configurou-se como um estudo de caso com relato de experiência de um professor de Ciências em uma escola particular. Com base nos princípios da neurociência e da Análise do Comportamento Aplicada (ABA), desenvolveu-se um programa de ensino para a habilidade EF06CI14, que incluiu sua operacionalização e quatro atividades adaptadas. A estruturação sequencial das atividades, juntamente com o emprego de recursos visuais, materiais concretos e estratégias lúdicas, promoveu a progressão da aprendizagem, o desenvolvimento das funções executivas, o engajamento, a atenção e a compreensão dos alunos. Observou-se também a redução da sobrecarga cognitiva e o favorecimento da autonomia dos estudantes. Concluiu-se que a adaptação de materiais didáticos, integrada aos princípios da ABA e aos fundamentos da neurociência, representa uma estratégia eficaz para fomentar uma educação mais inclusiva e significativa, contribuindo para um ensino equitativo e de qualidade.

Palavras-chave: Atividade adaptada; Educação básica; Inclusão; Neurociência na educação.

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Neurociência, DUA e Inclusão no Currículo da Cidade de Matemática da Prefeitura de São Paulo

A demanda por sistemas de ensino flexíveis e adaptados à diversidade dos estudantes impulsionou a investigação das bases teóricas que sustentam os documentos curriculares oficiais. Analisou-se o Currículo da Cidade de Matemática da Prefeitura de São Paulo para identificar se suas proposições contemplaram os fundamentos da Neurociência Educacional, do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) e as premissas da Educação Inclusiva. A metodologia empregou uma pesquisa aplicada, documental e descritiva, com abordagem mista e utilização da técnica de Análise de Conteúdo temática. Os resultados revelaram um robusto alinhamento teórico do documento com os eixos analisados, com destaque para o estímulo às funções executivas e à flexibilidade curricular. Contudo, a triangulação com dados secundários evidenciou disparidades persistentes, como elevados índices de ausência de estudantes com necessidades educacionais especiais (NEE) em avaliações oficiais e carência de acessibilidade física e de suporte especializado em parte das unidades escolares. Constatou-se que, embora o currículo possua elevado potencial técnico e inovador, sua efetivação na prática foi limitada por barreiras estruturais e pela oferta incompleta de Atendimento Educacional Especializado (AEE). Concluiu-se que a inclusão plena no ensino de matemática exigiu a articulação entre as inovações pedagógicas do plano teórico e as condições reais de infraestrutura e apoio docente. A teoria, isoladamente, não garantiu a reversão das desigualdades de desempenho na rede municipal.

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Palavras-chave: Currículos de pedagogia; Educação; Formação de professores; Neurociência; Processo de Aprendizagem.

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16 de setembro de 2026

Dupla Excepcionalidade e Inclusão: Desafios e Estratégias Pedagógicas para o Desenvolvimento Integral do Aluno

A dupla excepcionalidade, caracterizada pela coexistência de altas habilidades/superdotação (AH/SD) com deficiências, transtornos ou síndromes, representa um desafio complexo para a inclusão escolar. A identificação e o atendimento a esses estudantes permanecem limitados, resultando em práticas pedagógicas insuficientes para o desenvolvimento de suas potencialidades. O estudo objetivou examinar a percepção de pais e responsáveis sobre o suporte educacional oferecido, identificando desafios e oportunidades de aprimoramento na gestão escolar. A metodologia adotou natureza exploratória e descritiva, utilizando levantamento de campo (survey) e pesquisa documental. Os dados foram coletados via questionário on-line e submetidos à análise quantitativa e de conteúdo. Os resultados revelaram que as escolas, em sua maioria, não participaram ativamente da identificação da dupla excepcionalidade, aceitando diagnósticos apresentados pelas famílias. Constatou-se que a comunicação entre família e escola foi frequentemente insuficiente, dificultando a construção de estratégias pedagógicas adequadas e a implementação de planos educacionais individualizados eficazes. Os achados contribuem para a compreensão da efetividade das políticas de inclusão sob a ótica familiar, apontando caminhos para práticas que assegurem tanto a valorização do potencial quanto o suporte às necessidades específicas dos alunos duplamente excepcionais.

Palavras-chave: Altas habilidades; Apoio familiar; Mascaramento; Práticas pedagógicas; Transtornos de aprendizagem.

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16 de setembro de 2026

Práticas Inclusivas da Avaliação para Alunos com Tea na Educação Básica: um Estudo do Conhecimento

A avaliação educacional é um pilar fundamental para superar defasagens e promover a aprendizagem, reconhecida por diretrizes nacionais e internacionais, sendo crucial para estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Este estudo objetivou mapear a produção científica nacional sobre práticas inclusivas de avaliação para alunos com TEA na Educação Básica, visando subsidiar a elaboração de Planos Educacionais Individualizados. Realizou-se uma pesquisa quali-quantitativa, de caráter exploratório, por meio de revisão sistemática de literatura. A busca concentrou-se em teses e dissertações publicadas nos últimos cinco anos (a partir de 2025) na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), utilizando descritores como “transtorno do espectro autista” e “avaliação educacional”, “avaliação contínua” ou “avaliação das aprendizagens”. Os resultados indicaram que a produção científica não acompanhou o aumento de matrículas de estudantes com TEA, e não se observou correlação entre o volume de matrículas e a produção acadêmica por região. Identificaram-se lacunas na pesquisa sobre o Ensino Médio e componentes curriculares além de Língua Portuguesa e Matemática. As pesquisas analisadas enfatizaram a importância de considerar aspectos sociais e emocionais, além dos cognitivos, no processo avaliativo. O estudo forneceu indícios para futuras investigações, visando aprimorar as respostas às necessidades de estudantes com TEA em avaliações.

Palavras-chave: Avaliação educacional; Educação básica; Estratégias avaliativas; Inclusão; Transtorno do espectro autista.

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16 de setembro de 2026

Celular na Escola e o Desenvolvimento de Funções Executivas

A pesquisa analisou os prejuízos do uso de telas no desenvolvimento cognitivo infantil, com foco nas funções executivas, como controle inibitório, memória de trabalho e flexibilidade cognitiva. O estudo objetivou analisar as leis brasileiras nº 15.100/2025 e nº 15.211/2025 e sua relação com o desenvolvimento das funções executivas, comparando-as com políticas regulatórias da França (Lei nº 2018-698) e Bangladesh (Ordem Administrativa de 2017). Realizou-se uma pesquisa descritiva, com estudo de casos comparativo e análise documental das legislações mencionadas, além de uma revisão bibliográfica sobre o impacto do uso de telas nas funções executivas. Os resultados indicaram prejuízos do uso de telas no controle inibitório e na memória de trabalho na primeira infância, enquanto a flexibilidade cognitiva não apresentou danos evidentes e pode ser aprimorada por jogos digitais. A comparação das legislações revelou que Brasil e França apresentaram restrições mais semelhantes e menos restritivas, com justificativas ligadas ao desenvolvimento cognitivo infantil. No entanto, a legislação francesa limitou-se a escolas públicas, e a brasileira não especificou consequências para o descumprimento. Concluiu-se que a eficácia das políticas regulatórias depende da educação das comunidades escolares e da sociedade para o uso consciente e responsável da tecnologia, exigindo um equilíbrio entre restrição e uso pedagógico.

Palavras-chave: Brasil; Desenvolvimento cognitivo infantil; Educação; Políticas regulatórias; Uso de telas.

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16 de setembro de 2026

Minlo: Ecossistema de Sustentabilidade Atencional Estudantil com Polo de Letramento Neurocientífico e Educação Emocional Integral

O estudo estabeleceu a arquitetura do MinLO (Minimum Learning Object), um ecossistema para fortalecer a sustentabilidade atencional de estudantes, com foco em letramento neurocientífico e educação emocional integral para familiares e professores. A pesquisa, de natureza aplicada e qualitativa, investigou a crise de atenção e os baixos índices de proficiência no Ensino Fundamental II brasileiro. Fundamentou-se em indicadores do SAEB, PISA e PeNSE 2024, sob a ótica das neurociências aplicadas, e empregou a Engenharia Reversa de Requisitos para identificar lacunas cognitivas não atendidas pelo modelo pedagógico tradicional. O diagnóstico revelou que o insucesso escolar resultou de fatores como saturação da memória de trabalho por fadiga sináptica, hipossensibilidade dopaminérgica agravada pelo sedentarismo digital, bloqueio emocional, fratura de vínculo parental e falta de letramento neurocientífico, que geraram estigmas sobre o comportamento neurodivergente. Adotando o Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) como parâmetro de vulnerabilidade máxima, estruturou-se o Motor de Transformação e Desbloqueio. Este motor é responsável pela atomização de conteúdos em ciclos curtos de aprendizagem e pela criação de polos de educação emocional e letramento neurocientífico em camadas de mediação interdependentes para estudantes, familiares e docentes. O artefato integrou requisitos do ECA Digital (Lei nº 15.211/2025) e metas do novo PNE (2026-2036), visando a proteção biopsicossocial do menor e a escalabilidade da solução para a rede pública.

Palavras-chave: Adolescência; Ensino Fundamental; Microaprendizagem; Neurociências; Neurodiversidade.

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Trabalhando a Diversidade Através de Atividades Lúdicas e Colaborativas

Um estudo analisou o impacto da “II Gincana Leonor: Gincana da Inclusão” como estratégia pedagógica para promover a empatia e combater o capacitismo em uma escola pública municipal de Campinas, envolvendo alunos do 6º ao 9º ano. A metodologia, de natureza aplicada, caracterizou-se como um estudo de caso com abordagem qualitativa e quantitativa. A coleta de dados envolveu análise documental do guia de atividades da gincana, registros fotográficos das vivências e aplicação de questionários estruturados via Google Forms para a equipe gestora, docentes e funcionários da instituição. Os resultados revelaram alto engajamento e protagonismo estudantil, com mais de 80% de percepção positiva dos participantes sobre a eficácia das atividades lúdicas na sensibilização sobre a diversidade. Contudo, evidenciaram desafios na transposição do aprendizado para o cotidiano escolar, pois a maioria dos docentes relatou aplicação apenas parcial dos valores de inclusão nas atitudes diárias dos alunos. Concluiu-se que, embora a gincana tenha sido um catalisador eficaz para a empatia e o acolhimento, a consolidação de uma cultura anticapacitista exige a integração contínua dessas discussões ao currículo escolar, superando o caráter pontual das intervenções.

Palavras-chave: Capacitismo; Educação Inclusiva; Gincana Escolar; Metodologias Ativas; Protagonismo Estudantil.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

15 de setembro de 2026

Entendendo a Superdotação: o que a Escrita de Mulheres Superdotadas Diz sobre a Norma Linguística

Este estudo analisou textos produzidos em blogs por mulheres com altas habilidades/superdotação, com o objetivo de identificar marcas linguísticas relacionadas ao uso da norma-padrão e compreender como tais escolhas se articulam a normas sociais e a possíveis estratégias de masking. Uma abordagem qualitativa, descritiva e documental foi empregada, examinando dez textos de blogs pessoais, publicados entre 2018 e 2025, por mulheres que se autodeclararam superdotadas e que abordaram suas experiências. A análise evidenciou um manejo consistente da norma-padrão, mas também uma oscilação entre usos mais monitorados e formas mais flexíveis, com traços de oralidade e menor formalidade. Essa tensão linguística refletiu negociações identitárias em diferentes contextos discursivos. Observou-se que expectativas sociais de perfeição e adequação linguística incidem intensamente sobre meninas, influenciando suas práticas. Contudo, o ambiente dos blogs favoreceu maior liberdade expressiva, permitindo discursos íntimos e autobiográficos. Concluiu-se que a análise da escrita contribuiu para ampliar a compreensão sobre identidade, gênero e inclusão, destacando a importância de práticas educacionais sensíveis às especificidades de estudantes com altas habilidades.

Palavras-chave: Altas habilidades/superdotação; Blogs; Identidade; Masking; Norma-padrão.

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