Como a ciência de dados está (re)programando a saúde

Coluna

Inovação

27 de janeiro de 2026

Como a ciência de dados está (re)programando a saúde

Tecnologia transforma diagnóstico, prevenção e gestão em sistemas de saúde pública e privada

A integração entre ciência de dados e saúde não é apenas uma tendência tecnológica, mas um dos movimentos mais promissores e complexos da transformação digital contemporânea. À medida que os sistemas de saúde enfrentam desafios como o envelhecimento populacional, o aumento das doenças crônicas e a sobrecarga orçamentária, cresce a necessidade de soluções baseadas em dados para melhorar a eficiência, a precisão diagnóstica e a personalização do cuidado.

A abundância de dados clínicos, genômicos, ambientais e comportamentais exige abordagens capazes de lidar com grande volume de informações, variedade e velocidade — o que transforma técnicas de machine learning, redes neurais, mineração de texto e análise preditiva em ferramentas estratégicas. Mais do que automatizar rotinas, trata-se de redesenhar a forma como o conhecimento médico é produzido, as decisões clínicas são tomadas e as políticas públicas são formuladas.

Grandes revistas científicas como “The Lancet Digital Health”, “Nature Medicine” e “JAMA” vêm apontando, com frequência, que a adoção responsável da ciência de dados pode gerar impactos concretos na redução de desigualdades, na antecipação de surtos e na otimização de tratamentos — desde que acompanhada de critérios éticos, transparência algorítmica e validação rigorosa.

Diagnóstico e previsão

As ferramentas de ciência de dados têm ampliado significativamente a capacidade de detectar padrões precoces em exames médicos, possibilitando diagnósticos mais rápidos e assertivos. Modelos de aprendizado profundo, por exemplo, já superam especialistas humanos em tarefas como interpretação de imagens de retina para detecção de retinopatia diabética ou análise de tomografias para identificação de nódulos pulmonares. O poder dessas técnicas está na habilidade de correlacionar milhares de variáveis em segundos, revelando sinais sutis que passariam despercebidos em métodos tradicionais. Com isso, cria-se um novo paradigma, em que a decisão médica passa a ser assistida por sistemas inteligentes, capazes de combinar precisão estatística com sensibilidade clínica.

Um dos exemplos mais emblemáticos desse potencial vem da pesquisa publicada na “Nature” (McKinney et al., 2020), na qual um sistema de inteligência artificial desenvolvido pelo Google Health foi treinado com milhões de mamografias para identificar câncer de mama. O modelo obteve desempenho superior ao de radiologistas em diversos parâmetros, reduzindo tanto os falsos negativos quanto os falsos positivos. A proposta não é substituir o profissional humano, mas fornecer uma segunda opinião algoritmicamente, com impacto direto na sobrevida de pacientes e na alocação de recursos.

Saúde pública e epidemiologia

Na esfera coletiva, a ciência de dados tem revolucionado a vigilância epidemiológica, permitindo identificar surtos, prever demandas hospitalares e orientar estratégias preventivas. O uso de modelos preditivos alimentados por dados em tempo real — como registros hospitalares, buscas on-line e dados meteorológicos — vem permitindo antecipar comportamentos de epidemias com semanas de antecedência. Além disso, a integração de dados sociodemográficos, de mobilidade e de redes sociais permite entender como fatores estruturais afetam a propagação de doenças, fortalecendo políticas públicas mais direcionadas.

Durante a pandemia da Covid-19, Cheng (2020) e colaboradores publicaram artigo apresentando o desenvolvimento e a validação de um modelo de machine learning baseado em random forest para prever a transferência de pacientes hospitalizados com Covid-19 para unidades de terapia intensiva no intervalo de até 24 horas, utilizando dados rotineiros de prontuário eletrônico, como sinais vitais, exames laboratoriais, avaliações de enfermagem e eletrocardiogramas.

A partir de um coorte retrospectivo de 1.987 pacientes internados em unidades não intensivas de um grande sistema hospitalar de Nova York, entre fevereiro e abril de 2020, os autores estruturaram séries temporais diárias e aplicaram técnicas de balanceamento de classes e validação cruzada para lidar com a baixa taxa de eventos e a heterogeneidade dos dados clínicos. O modelo alcançou desempenho consistente como ferramenta de triagem, com sensibilidade de aproximadamente 73%, especificidade de 76% e AUC em torno de 0,80 no conjunto de teste, destacando-se como preditores mais relevantes a frequência respiratória, contagem de leucócitos, saturação de oxigênio, marcadores inflamatórios, parâmetros hemodinâmicos e indicadores de função renal (Cheng, 2020).

Os resultados sugerem que abordagens preditivas baseadas em machine learning podem apoiar a priorização clínica e o planejamento operacional hospitalar em contextos de crise sanitária, ao permitir a identificação precoce de pacientes com maior risco de deterioração, embora os autores ressaltem limitações relacionadas ao baixo valor preditivo positivo, ao uso de dados de um único centro e à necessidade de refinamento do modelo para ampliar precisão e generalização (Cheng, 2020).

Medicina personalizada

Outra fronteira promissora é a chamada medicina personalizada, que utiliza ciência de dados para integrar informações genéticas, clínicas e ambientais a fim de oferecer tratamentos sob medida. Ao invés de terapias padronizadas, os algoritmos identificam quais grupos de pacientes respondem melhor a determinados medicamentos, quais mutações genéticas estão ligadas à progressão da doença e quais interações medicamentosas devem ser evitadas. Com isso, a prática médica se torna mais precisa, reduzindo desperdícios e aumentando as chances de sucesso terapêutico.

Um estudo publicado na “Cell” (Khera et al., 2018) exemplifica esse potencial ao propor um escore poligênico — calculado a partir de milhões de variantes genéticas — capaz de estimar o risco de ter um infarto do miocárdio ou desenvolver doenças como diabetes tipo 2 e câncer de próstata.

O artigo demonstra que scores poligênicos genômicos de larga escala podem identificar indivíduos com risco elevado para doenças comuns em níveis comparáveis aos conferidos por mutações monogênicas raras, superando uma limitação histórica da genética clínica. Utilizando dados de grandes estudos de associação genômica ampla e validação em mais de 400 mil participantes do UK Biobank, os autores desenvolveram e testaram polygenic risk scores para cinco doenças de grande impacto em saúde pública: doença arterial coronariana, fibrilação atrial, diabetes tipo 2, doença inflamatória intestinal e câncer de mama (Khera et al., 2018).

Os resultados mostram que uma fração substancial da população — por exemplo, cerca de 8% no caso da doença arterial coronariana — apresenta risco três vezes maior ou mais, proporção muito superior à de portadores de mutações monogênicas clássicas associadas ao mesmo nível de risco. Os autores evidenciam que o risco aumenta de forma acentuada na cauda superior da distribuição dos escores e que esses preditores têm desempenho discriminatório consistente, com AUCs variando aproximadamente entre 0,63 e 0,81, dependendo da doença. O estudo argumenta que a estratificação poligênica pode viabilizar estratégias mais precisas de prevenção, rastreamento e alocação de recursos em saúde, ao mesmo tempo em que destaca desafios, como comunicação de risco, integração com fatores clínicos e ambientais e a limitação atual de aplicabilidade em populações não europeias (Khera et al., 2018).

Essa convergência entre ciência de dados e saúde não representa apenas uma inovação tecnológica, mas uma mudança paradigmática na forma como se compreende, administra e promove o cuidado em saúde. Ao transformar dados brutos em conhecimento, os sistemas inteligentes permitem antecipar agravos, personalizar terapias e otimizar recursos em níveis até então inalcançáveis por abordagens tradicionais.

Contudo, o entusiasmo diante dessas inovações deve vir acompanhado de uma postura crítica e ética, especialmente diante de riscos como viés algorítmico, exclusão digital, opacidade nos critérios decisórios e uso inadequado de informações sensíveis. A validação científica rigorosa, o controle social, a governança de dados e o desenvolvimento de marcos regulatórios são condições indispensáveis para que os benefícios da ciência de dados se convertam em ganhos reais para a coletividade.

A saúde, enquanto direito social e campo de alta complexidade, demanda que cada avanço tecnológico seja acompanhado de responsabilidade, transparência e compromisso com o bem comum. Assim, mais do que algoritmos sofisticados, é a inteligência humana — coletiva, empática e ética — que deve guiar o uso dessas ferramentas rumo a um sistema de saúde mais justo, eficiente e centrado nas pessoas.

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Quem publicou esta coluna

Renato Máximo Sátiro

Doutor em Administração pela UFG, professor e orientador no curso de Data Science, Inteligência Artificial e Analytics, do MBA USP/Esalq. Administrador de Empresas na Saneago e pesquisador em grupos de pesquisa da UFG e da UnB, com foco em IA, políticas públicas e acesso à Justiça. Desenvolve projetos em machine learning, deep learning, modelos estatísticos, algoritmos e ética na IA, domínio de ferramentas R, Python, Gretl, SPSS e Stata.

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17 de setembro de 2026

Heterogeneidade Territorial do Bolsa Família: uma Análise por Clusters e Efeitos Fixos

O Programa Bolsa Família (PBF) representa uma das políticas de proteção social mais relevantes globalmente, o que justifica a investigação de seus efeitos diante das acentuadas e heterogêneas desigualdades regionais brasileiras. O estudo avaliou os reflexos socioeconômicos dos repasses do programa sobre a saúde, a educação e o mercado de trabalho nos municípios brasileiros, no período de 2004 a 2019. Para isso, aplicou-se a técnica de agrupamento K-means para segmentação territorial e estimaram-se modelos econométricos de dados em painel com efeitos fixos, tanto a nível nacional quanto segregados por clusters. Os resultados revelaram a natureza anticíclica do PBF no mercado de trabalho, com uma relação negativa entre repasses e vínculos empregatícios formais em quatro dos cinco clusters, sugerindo que os recursos foram mais intensos onde o mercado formal falhou. Na saúde, o programa associou-se à redução significante da mortalidade infantil evitável em municípios com maior equilíbrio socioeconômico, mas não apresentou efeito detectável em agrupamentos de maior precariedade estrutural, indicando que a transferência de renda é necessária, porém insuficiente sem infraestrutura de saúde funcional. Na educação, a análise por subperíodos mostrou atenuação progressiva do coeficiente nacional, refletindo a convergência das taxas de matrícula para um patamar de alta inércia temporal. Concluiu-se que o PBF cumpriu seu objetivo de proteção social de forma anticíclica e territorialmente focalizada, mas sua capacidade de transformar indicadores estruturais dependeu da sinergia com investimentos em infraestrutura pública.

Palavras-chave: Bolsa Família; Mortalidade Infantil; Municípios Brasileiros; Painel de Dados; Política Pública.

Gestão Tributária

17 de setembro de 2026

Limites Jurídicos e Práticos da Dedutibilidade Retroativa dos Juros sobre Capital Próprio

A gestão tributária adequada é crucial para a saúde financeira das empresas, especialmente no complexo sistema tributário brasileiro. Os Juros sobre Capital Próprio (JCP) constituem um mecanismo jurídico relevante para a remuneração do capital próprio, utilizado para otimizar a carga tributária. O estudo investigou a controvérsia sobre a dedutibilidade de JCP referentes a exercícios anteriores à deliberação societária que autoriza seu pagamento. Aplicou-se a metodologia de pesquisa e análise documental empírica, baseada em “Normative Systems”, para identificar cinco propriedades representativas dos argumentos jurídicos na jurisprudência administrativa e judicial. Analisaram-se acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), revelando padrões decisórios predominantes, divergências interpretativas, incoerências argumentativas e significativa insegurança jurídica. Os resultados indicaram forte tendência de invalidação dos planejamentos envolvendo JCP extemporâneos na esfera administrativa. Contudo, o julgamento do Tema 1319 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) seguiu direção oposta, consagrando tese favorável à dedutibilidade e estabelecendo um precedente paradigmático que pode influenciar a jurisprudência administrativa e redefinir os critérios decisórios.

Palavras-chave: CARF; gestão tributária; limitação temporal; lucro real; planejamento tributário.

17 de setembro de 2026

Símbolos da Moda Esportiva: Consumo, Identidade e Status entre Consumidores Brasileiros

A moda esportiva consolidou-se como linguagem simbólica de distinção social nas últimas décadas, impulsionada pela expansão do mercado de wellness e pela reconfiguração dos padrões de prestígio nas sociedades de consumo contemporâneas. O estudo objetivou compreender como os símbolos da moda esportiva influenciaram a construção de identidade e pertencimento e sua associação ao prestígio social entre consumidores brasileiros que adquiriram produtos do setor nos últimos 12 meses. Desenvolveu-se a pesquisa por meio de levantamento bibliográfico e pesquisa descritiva, com levantamento do tipo survey aplicado a uma amostra não probabilística por conveniência de 445 consumidores brasileiros de moda esportiva. Os principais resultados indicaram que a maioria dos respondentes associou marcas esportivas a percepções de status social; mais da metade reconheceu o wellness como novo símbolo de prestígio; e parcela expressiva percebeu o sportstyle como mais aceito em ambientes formais de trabalho. Em contrapartida, formas ostensivas de sinalização, como preferência por logotipos visíveis, influência de redes sociais e disposição a pagar sobrepreço, foram amplamente rejeitadas, revelando uma dissociação entre a atribuição simbólica de status e o comportamento de sinalização ostensiva. O consumidor brasileiro de moda esportiva com elevado capital cultural operou por meio de sinais simbólicos sutis e não ostensivos, compatíveis com o fenômeno do consumo inconspícuo, no qual a distinção social se manifestou de forma internalizada.

Palavras-chave: Consumo inconspícuo; Distinção; Prestígio social; Sportstyle; Wellness.

17 de setembro de 2026

Modelo Validado de Formação de Competência Técnica e Habilidades Não Técnicas em Indústrias Químicas Complexas

Analisou-se a implementação de um processo sistemático para o desenvolvimento e a atualização de competências técnicas e habilidades não técnicas em Operações Industriais e Segurança de Processo em uma indústria química de alta complexidade, pertencente a uma multinacional localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, Bahia. O estudo objetivou implementar um processo mensurável e sustentável que assegurou a competência técnica e não técnica de 100% dos operadores, em conformidade com a legislação estadual da Bahia, diretrizes de institutos internacionais e políticas corporativas. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso de abordagem mista, que envolveu diagnóstico documental, entrevistas semiestruturadas com 85 operadores experientes, análise de tarefas críticas e o desenvolvimento e aplicação piloto de um programa modular de treinamento. Este processo evidenciou a necessidade de alinhamento e atualização sistemática das competências requeridas. Os resultados obtidos indicaram a eficácia do modelo proposto, com 100% dos operadores concluindo os módulos teóricos e práticos e alcançando uma taxa de aprovação superior a 80%, além de conformidade operacional em campo. O trabalho contribuiu com um modelo estruturado de formação, incluindo matriz de competências, programas modulares de treinamento e diretrizes para certificação e recertificação, demonstrando potencial de replicação em outras unidades industriais de elevada complexidade e risco, e fortalecendo a segurança de processo e a sustentabilidade operacional.

Palavras-chave: Capacitação; Competência; Habilidades não técnicas; Segurança de processo; Treinamento.

Compliance E Esg

17 de setembro de 2026

Governança Pública Climática e Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul

As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul evidenciaram fragilidades estruturais na governança pública em um contexto federativo submetido a risco climático extremo. Este trabalho analisou, no recorte temporal de maio de 2024 a maio de 2025, como a atuação federal, estadual e municipal se estruturou diante da crise e em que medida a comparação com os Países Baixos ofereceu parâmetros úteis para o fortalecimento da resiliência institucional. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, aplicada, exploratória e comparativa, com análise documental e análise de conteúdo de fontes oficiais, relatórios técnicos internacionais, atos normativos e pronunciamentos institucionais, organizados por categorias temáticas e interpretados com apoio do Modelo das Três Linhas do IIA. Os resultados mostraram que, embora os três níveis de governo tenham criado ou reestruturado instrumentos relevantes de coordenação e reconstrução após o desastre, prevaleceu uma institucionalidade reativa, posterior ao evento, com lacunas de continuidade administrativa, integração preventiva, monitoramento e accountability. Na comparação internacional, o modelo neerlandês destacou-se por combinar autoridade operacional permanente, base territorial clara, financiamento próprio e mecanismos mais robustos de monitoramento e responsabilização. Concluiu-se que os impactos das enchentes foram agravados menos pela ausência formal de normas e mais pela insuficiente articulação entre operação, gestão de riscos e controle. O fortalecimento da governança climática, no caso gaúcho, depende de institucionalizar coordenação, dados, financiamento e accountability em bases permanentes.

Palavras-chave: accountability; adaptação climática; gestão de riscos; governança multinível.

Digital Business

17 de setembro de 2026

Dados e Automação Utilizados em uma Campanha de Marketing na Engenharia Civil

A crescente utilização de dados no marketing digital impulsionou a adoção de estratégias mais orientadas por métricas e desempenho, com o Inbound Marketing em destaque. O uso de ferramentas de Business Intelligence (BI) mostrou-se fundamental para transformar dados em informações estratégicas, apoiando a tomada de decisão e a construção de bases de contatos qualificadas. Analisou-se como a ausência de integração entre sistemas de BI e plataformas de automação de marketing impactou a eficiência operacional e a efetividade das estratégias de Inbound Marketing em uma empresa de engenharia. Para isso, adotou-se uma abordagem descritiva de natureza qualitativa, baseada na análise dos processos operacionais envolvidos, desde a leitura de relatórios extraídos do BI e sua posterior transformação em mailings, até a preparação para importação no RD Station. Os resultados indicaram que o processo atual dependia de etapas manuais e empíricas, demandando tempo significativo. Identificaram-se limitações relacionadas à ausência de integração entre os sistemas, o que impactou diretamente a eficiência operacional e aumentou a dependência de atividades repetitivas. Concluiu-se que a estruturação adequada do processo de gestão de mailings e a integração entre BI e ferramentas de automação de marketing representam uma oportunidade para otimizar fluxos, melhorar a qualidade dos dados e fortalecer as estratégias de Inbound Marketing.

Palavras-chave: Automação de Marketing; Business Intelligence; Inbound Marketing; Integração de Sistemas; RD Station.

17 de setembro de 2026

Detecção de Anomalias no Monitoramento de Saúde de Pontes Usando Redes Neurais

O monitoramento da saúde estrutural de pontes tornou-se cada vez mais relevante diante do envelhecimento das infraestruturas e da intensificação de eventos extremos associados às mudanças climáticas. Nesse contexto, abordagens baseadas em dados destacaram-se como alternativas promissoras para o reconhecimento de anomalias. O estudo objetivou desenvolver e avaliar uma abordagem baseada em aprendizado de máquina para o reconhecimento de anomalias em séries temporais de aceleração estrutural. A metodologia adotada consistiu no uso de autoencoders treinados exclusivamente com dados representativos da condição íntegra, permitindo ao modelo aprender padrões associados ao estado saudável da estrutura; em seguida, o erro de reconstrução, quantificado por meio do erro quadrático médio (MSE), foi utilizado como critério para identificação de desvios em relação a essa condição. O conjunto de dados analisado foi composto por 1767 séries temporais de 1000 pontos cada, pertencentes a duas classes: íntegra (normal) e anômala (danificada). Os resultados obtidos demonstraram que o modelo proposto apresentou elevada capacidade de reconhecimento da classe anômala, com taxa de detecção superior a 90%, e desempenho global satisfatório, com área sob a curva ROC (AUC) próxima de 0,78, indicando boa capacidade discriminativa e reforçando o potencial da abordagem para aplicações em monitoramento estrutural.

Palavras-chave: Autoencoders; Detecção de Anomalias; Monitoramento de Pontes; Redes Neurais.

17 de setembro de 2026

Gestão Escolar Integrada: o Papel da Direção Administrativa na Capacitação da Equipe de Gestão Pedagógica para a Compreensão do Orçamento Escolar

A administração escolar foi abordada sob a perspectiva da integração entre gestores administrativos e pedagógicos, com foco na participação democrática, capacitação e qualificação dos atores. O objetivo geral consistiu na elaboração de um Guia de Orientações para Orçamento, direcionado à equipe de gestão pedagógica e mediado pela direção administrativa, visando instrumentalizar esses profissionais para a compreensão e participação nos processos financeiros e decisórios da instituição. Para tanto, o estudo desenvolveu-se em uma instituição particular privada, adotando uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, com procedimento metodológico de estudo de caso. A pesquisa mapeou desafios práticos e dificuldades de comunicação entre os setores, analisou referenciais teóricos da gestão escolar e estruturou o instrumento formativo proposto. Os resultados demonstraram que a ausência de integração entre as áreas administrativa e pedagógica pode comprometer a efetividade da gestão escolar, evidenciando a necessidade de processos formativos contínuos que promovam entendimento mútuo, cooperação e construção coletiva de soluções. O Guia proposto fortaleceu a gestão democrática, elevou a qualificação da equipe pedagógica e melhorou os processos decisórios institucionais, destacando o papel formativo e estratégico do diretor administrativo.

Palavras-chave: Comunicação escolar; Gestão escolar participativa; Orçamento escolar.

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