O <i>branding</i> que venceu a Copa de 2026

Coluna

Branding

27 de agosto de 2026

O branding que venceu a Copa de 2026

Entre identidade visual, uniformes, tipografia e disputa bilionária por audiência, marketing esportivo nunca esteve tão em evidência

Imagem gerada com auxílio do ChatGPT

A Copa do Mundo de 2026 terminou com a Espanha erguendo a taça pela segunda vez, ao vencer a Argentina por 1 a 0 na prorrogação. O Brasil encerrou a competição na 11ª colocação, eliminado ainda nas oitavas de final, repetindo o pior resultado desde 1990.

Para quem torce, foi uma Copa de frustração. Mas para quem trabalha com marketing, dificilmente algum Mundial recente entregou tanto material de estudo quanto este. Identidade visual repensada, uniformes construídos como storytelling nacional, tipografia capaz de gerar debate próprio, naming rights que viraram piada nas redes e uma guerra de audiência entre TV aberta e streaming: a Copa de 2026 comprovou que o estádio deixou de ser apenas palco esportivo para virar vitrine de branding global.

Segundo projeções da S&P Global Market Intelligence, a FIFA deve faturar cerca de US$ 9 bilhões só com o ciclo, enquanto uma estimativa da consultoria OpenEconomics, citada por Somoggi (2026), aponta um impacto econômico direto de US$ 40,9 bilhões nas cidades-sede.

A identidade que precede o jogo

Antes de qualquer bola rolar, a FIFA já havia colocado em campo uma decisão de branding pouco discutida fora do universo do design: a criação de uma marca oficial totalmente nova para o torneio, lançada em 2023, em evento realizado em Los Angeles.

Pela primeira vez na história das Copas, a identidade incorporou a imagem real do troféu ao número do ano, em uma composição pensada para funcionar tanto animada quanto estática. O conceito, batizado de “WE ARE 26”, foi construído como sistema modular: cada uma das 16 cidades-sede recebeu sua própria marca derivada da identidade principal, mantendo a mesma paleta cromática extraída das bandeiras dos três países anfitriões, com liberdade para expressar referências culturais locais.

A escolha rompe com décadas de identidades rígidas no esporte, quando um logotipo único e imutável definia toda a comunicação de um torneio. O modelo modular aposta no oposto: manter o núcleo da marca reconhecível permitindo variações por cidade, público ou plataforma. A recepção, porém, não foi unânime: parte da crítica de design considerou o resultado estático do logotipo simples demais, sobretudo em comparação à identidade dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. A bola oficial, batizada de Trionda e desenvolvida pela Adidas, seguiu a mesma lógica de representar os três países-sede.

Uniformes como narrativa de marca

Até 1970, nenhuma seleção usava logotipo de fornecedor em campo. O hábito só se consolidou a partir de 1974 e, apenas em 2006, todas as equipes classificadas passaram a exibir suas marcas parceiras. Em cinco décadas, o uniforme deixou de ser mero equipamento e se tornou um dos ativos de comunicação mais valiosos do esporte.

A coleção que a Adidas apresentou para 22 federações parceiras em 2026 tratou cada camisa como documento histórico: a Argentina recebeu um efeito de desvanecimento em três tons de azul, referência direta aos títulos de 1978, 1986 e 2022, com a inscrição “1896” bordada na gola em homenagem ao ano de fundação da federação.

Segundo Thomas Mace, vice-presidente de design da Adidas Football, o objetivo da coleção era honrar a identidade única de cada nação sem renunciar a inovação e desempenho técnico.

A França seguiu lógica semelhante com a Nike: o uniforme reserva, batizado de “Liberté”, usou um verde-acinzentado inspirado no cobre oxidado da Estátua da Liberdade, homenagem a um dos anfitriões do torneio. O Brasil também apostou na fusão entre tradição e novidade: a camisa amarela trouxe de volta o padrão geométrico usado em 1970, e o uniforme reserva azul estampou o selo Jordan, sublinha esportiva da própria Nike ligada à cultura urbana.

Quando a tipografia vira identidade

A Noruega provou que até a fonte usada para escrever nomes e números pode virar caso de branding. Em 2024, a seleção criou uma tipografia inspirada no alfabeto rúnico dos vikings, que foi utilizada durante a Copa do Mundo FIFA Sub-20 2025. Mas as letras eram tão angulosas que a entidade vetou o uso por comprometer a legibilidade em campo. Para 2026, marcando o retorno do país após 28 anos de ausência na Copa, a Nike criou uma versão, batizada de Taakeferd (“jornada pela neblina”), mantendo a referência às runas com traços simplificados o suficiente para passar pelo crivo da FIFA.

O resultado, elogiado por veículos como a Fast Company, ajudou a compor a narrativa de uma seleção que, embalada pelos gols de Erling Haaland, fez sua melhor campanha na história das Copas.

O estádio que não podia ter nome

Um dos episódios mais comentados da Copa fora de campo não envolveu nenhuma seleção, e sim uma regra de bastidor da FIFA. Das 16 arenas do torneio, 15 tinham contrato de naming rights com empresas privadas. Como essas empresas não figuravam entre os patrocinadores do torneio, a entidade exigiu que seus nomes e logotipos fossem cobertos durante a competição, e as arenas foram rebatizadas com referências neutras às cidades-sede. O Levi’s Stadium, em Santa Clara, virou San Francisco Bay Area Stadium; o MetLife Stadium, em Nova Jersey, onde aconteceu a final, passou a ser chamado de New York New Jersey Stadium.

A Levi’s, que havia anunciado uma extensão de dez anos de seu acordo de naming rights e patrocínio dos 49ers, no valor combinado de US$ 170 milhões, transformou a restrição em campanha. A marca cobriu o próprio logotipo com um tecido branco, trocou a foto de perfil nas redes sociais pela imagem da cobertura e publicou uma legenda irônica sugerindo que, mesmo escondido, o público continuaria reconhecendo o formato do logotipo. A publicação viralizou e reforçou um princípio conhecido do marketing esportivo: restrições regulatórias, quando bem lidas, também podem virar oportunidade de conteúdo e engajamento.

Adidas x Nike: a disputa que a final decidiu

Enquanto uniformes e estádios ocupavam o debate estético, uma disputa comercial de fundo definia quem sairia na frente. Adidas, Nike e Puma vestiram, juntas, 77% das 48 seleções classificadas. A Adidas liderou com 14 seleções, incluindo as duas finalistas, enquanto a Nike ficou com 12, entre elas o Brasil. A Puma foi a surpresa do ciclo, saltando de seis seleções no Catar para 11 em 2026.

Com Espanha e Argentina, ambas patrocinadas pela Adidas, decidindo o título, a Nike ficou de fora de uma final de Copa pela primeira vez desde 2014. O mercado reagiu de forma condizente: as ações da Adidas subiram cerca de 6% durante o torneio, ante 1,4% da Nike. Isso não significa que a Nike saiu perdendo do negócio: uma análise da RBC Capital Markets, citada pela revista “Placar”, estimou que a Copa pode adicionar US$ 1,3 bilhão às receitas da companhia via venda de produtos licenciados.

A batalha pela audiência: Globo, CazéTV e a virada da LiveMode

Se o branding esteve nos detalhes de cada camisa, a disputa pela atenção do público aconteceu em escala ainda maior. No Brasil, a Globo fechou a Copa com 142,7 milhões de pessoas impactadas, mesmo exibindo metade dos jogos. O fenômeno mais expressivo veio do streaming: a CazéTV, que transmitiu os 104 jogos da competição no Brasil, foi destacada pela própria FIFA após registrar 18,3 milhões de dispositivos simultâneos em Brasil x Escócia, recorde mundial de audiência ao vivo no YouTube. Na final, o pico saltou de 4,85 milhões de dispositivos em 2022 para 20,56 milhões em 2026.

O crescimento também mudou de mãos. Poucas semanas depois, Casimiro Miguel trocou sua participação direta na CazéTV por uma posição societária na holding do grupo, enquanto a estrutura internacional da LiveMode passou a contar também com Cristiano Ronaldo entre seus acionistas. A movimentação resume como uma marca pessoal pode se converter em ativo corporativo em um mercado de direitos digitais cada vez mais disputado.

O que fica depois do apito final

Essa engrenagem toda, uniforme, tipografia, estádio, patrocínio e audiência, só faz sentido dentro de uma lógica maior, a construção de valor de marca por meio da associação com um dos eventos de maior audiência do planeta.

Kevin Lane Keller (1993) definiu esse valor como o efeito diferencial que o conhecimento da marca produz na resposta do consumidor, conhecimento formado pelo reconhecimento e pelas associações acumuladas na memória ao longo do tempo. Cada decisão de design em 2026, da coleção histórica da Adidas à tipografia rúnica da Noruega e ao sistema modular da própria FIFA, opera dentro dessa lógica.

O mesmo vale para o patrocínio esportivo. Já nos anos 1990, o pesquisador Tony Meenaghan descrevia o patrocínio como ferramenta capaz de transferir para a marca patrocinadora as associações emocionais que o público desenvolve com o evento patrocinado, algo mais eficiente que a publicidade convencional em contextos de alta audiência e engajamento emocional. O episódio da Levi’s ilustra essa lógica por outro ângulo: mesmo impedida de aparecer, a marca ativou essas associações brincando publicamente com a própria ausência.

Os números fecham essa conta. As projeções para a receita da FIFA no ciclo de 2026 chegam a cerca de US$ 9 bilhões, com estimativas que apontam possibilidade de superar os US$ 11 bilhões — acima dos US$ 7 bilhões arrecadados no Catar, em 2022, com audiência global estimada acima de 5 bilhões de espectadores.

O Brasil não trouxe a taça, mas quem observou o torneio pela lente do marketing viu, ao longo de um mês inteiro, uma masterclass de branding acontecendo em tempo real, distribuída em 104 partidas assistidas por bilhões de pessoas. Se o resultado esportivo decepcionou parte da torcida brasileira, o resultado comercial deixou claro que o futebol se consolidou como um dos maiores laboratórios de estratégia de marca do mundo contemporâneo.

Para ter acesso às referências desse texto clique aqui

Quem publicou esta coluna

Natasha Barreto de Oliveira

Gerente de Marketing de Produto no Pecege, venceu seu primeiro concurso de redação aos 10 anos e, desde então, nunca mais parou de transformar ideias em palavras. Formada em Marketing Digital pelo IESB e pós-graduada em Marketing pelo MBA USP/Esalq. Pesquisa convergências entre criatividade, IA, marketing e comportamento.

Você também pode gostar

17 de setembro de 2026

Heterogeneidade Territorial do Bolsa Família: uma Análise por Clusters e Efeitos Fixos

O Programa Bolsa Família (PBF) representa uma das políticas de proteção social mais relevantes globalmente, o que justifica a investigação de seus efeitos diante das acentuadas e heterogêneas desigualdades regionais brasileiras. O estudo avaliou os reflexos socioeconômicos dos repasses do programa sobre a saúde, a educação e o mercado de trabalho nos municípios brasileiros, no período de 2004 a 2019. Para isso, aplicou-se a técnica de agrupamento K-means para segmentação territorial e estimaram-se modelos econométricos de dados em painel com efeitos fixos, tanto a nível nacional quanto segregados por clusters. Os resultados revelaram a natureza anticíclica do PBF no mercado de trabalho, com uma relação negativa entre repasses e vínculos empregatícios formais em quatro dos cinco clusters, sugerindo que os recursos foram mais intensos onde o mercado formal falhou. Na saúde, o programa associou-se à redução significante da mortalidade infantil evitável em municípios com maior equilíbrio socioeconômico, mas não apresentou efeito detectável em agrupamentos de maior precariedade estrutural, indicando que a transferência de renda é necessária, porém insuficiente sem infraestrutura de saúde funcional. Na educação, a análise por subperíodos mostrou atenuação progressiva do coeficiente nacional, refletindo a convergência das taxas de matrícula para um patamar de alta inércia temporal. Concluiu-se que o PBF cumpriu seu objetivo de proteção social de forma anticíclica e territorialmente focalizada, mas sua capacidade de transformar indicadores estruturais dependeu da sinergia com investimentos em infraestrutura pública.

Palavras-chave: Bolsa Família; Mortalidade Infantil; Municípios Brasileiros; Painel de Dados; Política Pública.

Gestão Tributária

17 de setembro de 2026

Limites Jurídicos e Práticos da Dedutibilidade Retroativa dos Juros sobre Capital Próprio

A gestão tributária adequada é crucial para a saúde financeira das empresas, especialmente no complexo sistema tributário brasileiro. Os Juros sobre Capital Próprio (JCP) constituem um mecanismo jurídico relevante para a remuneração do capital próprio, utilizado para otimizar a carga tributária. O estudo investigou a controvérsia sobre a dedutibilidade de JCP referentes a exercícios anteriores à deliberação societária que autoriza seu pagamento. Aplicou-se a metodologia de pesquisa e análise documental empírica, baseada em “Normative Systems”, para identificar cinco propriedades representativas dos argumentos jurídicos na jurisprudência administrativa e judicial. Analisaram-se acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), revelando padrões decisórios predominantes, divergências interpretativas, incoerências argumentativas e significativa insegurança jurídica. Os resultados indicaram forte tendência de invalidação dos planejamentos envolvendo JCP extemporâneos na esfera administrativa. Contudo, o julgamento do Tema 1319 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) seguiu direção oposta, consagrando tese favorável à dedutibilidade e estabelecendo um precedente paradigmático que pode influenciar a jurisprudência administrativa e redefinir os critérios decisórios.

Palavras-chave: CARF; gestão tributária; limitação temporal; lucro real; planejamento tributário.

17 de setembro de 2026

Símbolos da Moda Esportiva: Consumo, Identidade e Status entre Consumidores Brasileiros

A moda esportiva consolidou-se como linguagem simbólica de distinção social nas últimas décadas, impulsionada pela expansão do mercado de wellness e pela reconfiguração dos padrões de prestígio nas sociedades de consumo contemporâneas. O estudo objetivou compreender como os símbolos da moda esportiva influenciaram a construção de identidade e pertencimento e sua associação ao prestígio social entre consumidores brasileiros que adquiriram produtos do setor nos últimos 12 meses. Desenvolveu-se a pesquisa por meio de levantamento bibliográfico e pesquisa descritiva, com levantamento do tipo survey aplicado a uma amostra não probabilística por conveniência de 445 consumidores brasileiros de moda esportiva. Os principais resultados indicaram que a maioria dos respondentes associou marcas esportivas a percepções de status social; mais da metade reconheceu o wellness como novo símbolo de prestígio; e parcela expressiva percebeu o sportstyle como mais aceito em ambientes formais de trabalho. Em contrapartida, formas ostensivas de sinalização, como preferência por logotipos visíveis, influência de redes sociais e disposição a pagar sobrepreço, foram amplamente rejeitadas, revelando uma dissociação entre a atribuição simbólica de status e o comportamento de sinalização ostensiva. O consumidor brasileiro de moda esportiva com elevado capital cultural operou por meio de sinais simbólicos sutis e não ostensivos, compatíveis com o fenômeno do consumo inconspícuo, no qual a distinção social se manifestou de forma internalizada.

Palavras-chave: Consumo inconspícuo; Distinção; Prestígio social; Sportstyle; Wellness.

17 de setembro de 2026

Modelo Validado de Formação de Competência Técnica e Habilidades Não Técnicas em Indústrias Químicas Complexas

Analisou-se a implementação de um processo sistemático para o desenvolvimento e a atualização de competências técnicas e habilidades não técnicas em Operações Industriais e Segurança de Processo em uma indústria química de alta complexidade, pertencente a uma multinacional localizada no Polo Petroquímico de Camaçari, Bahia. O estudo objetivou implementar um processo mensurável e sustentável que assegurou a competência técnica e não técnica de 100% dos operadores, em conformidade com a legislação estadual da Bahia, diretrizes de institutos internacionais e políticas corporativas. A pesquisa caracterizou-se como um estudo de caso de abordagem mista, que envolveu diagnóstico documental, entrevistas semiestruturadas com 85 operadores experientes, análise de tarefas críticas e o desenvolvimento e aplicação piloto de um programa modular de treinamento. Este processo evidenciou a necessidade de alinhamento e atualização sistemática das competências requeridas. Os resultados obtidos indicaram a eficácia do modelo proposto, com 100% dos operadores concluindo os módulos teóricos e práticos e alcançando uma taxa de aprovação superior a 80%, além de conformidade operacional em campo. O trabalho contribuiu com um modelo estruturado de formação, incluindo matriz de competências, programas modulares de treinamento e diretrizes para certificação e recertificação, demonstrando potencial de replicação em outras unidades industriais de elevada complexidade e risco, e fortalecendo a segurança de processo e a sustentabilidade operacional.

Palavras-chave: Capacitação; Competência; Habilidades não técnicas; Segurança de processo; Treinamento.

Compliance E Esg

17 de setembro de 2026

Governança Pública Climática e Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul

As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul evidenciaram fragilidades estruturais na governança pública em um contexto federativo submetido a risco climático extremo. Este trabalho analisou, no recorte temporal de maio de 2024 a maio de 2025, como a atuação federal, estadual e municipal se estruturou diante da crise e em que medida a comparação com os Países Baixos ofereceu parâmetros úteis para o fortalecimento da resiliência institucional. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, aplicada, exploratória e comparativa, com análise documental e análise de conteúdo de fontes oficiais, relatórios técnicos internacionais, atos normativos e pronunciamentos institucionais, organizados por categorias temáticas e interpretados com apoio do Modelo das Três Linhas do IIA. Os resultados mostraram que, embora os três níveis de governo tenham criado ou reestruturado instrumentos relevantes de coordenação e reconstrução após o desastre, prevaleceu uma institucionalidade reativa, posterior ao evento, com lacunas de continuidade administrativa, integração preventiva, monitoramento e accountability. Na comparação internacional, o modelo neerlandês destacou-se por combinar autoridade operacional permanente, base territorial clara, financiamento próprio e mecanismos mais robustos de monitoramento e responsabilização. Concluiu-se que os impactos das enchentes foram agravados menos pela ausência formal de normas e mais pela insuficiente articulação entre operação, gestão de riscos e controle. O fortalecimento da governança climática, no caso gaúcho, depende de institucionalizar coordenação, dados, financiamento e accountability em bases permanentes.

Palavras-chave: accountability; adaptação climática; gestão de riscos; governança multinível.

Digital Business

17 de setembro de 2026

Dados e Automação Utilizados em uma Campanha de Marketing na Engenharia Civil

A crescente utilização de dados no marketing digital impulsionou a adoção de estratégias mais orientadas por métricas e desempenho, com o Inbound Marketing em destaque. O uso de ferramentas de Business Intelligence (BI) mostrou-se fundamental para transformar dados em informações estratégicas, apoiando a tomada de decisão e a construção de bases de contatos qualificadas. Analisou-se como a ausência de integração entre sistemas de BI e plataformas de automação de marketing impactou a eficiência operacional e a efetividade das estratégias de Inbound Marketing em uma empresa de engenharia. Para isso, adotou-se uma abordagem descritiva de natureza qualitativa, baseada na análise dos processos operacionais envolvidos, desde a leitura de relatórios extraídos do BI e sua posterior transformação em mailings, até a preparação para importação no RD Station. Os resultados indicaram que o processo atual dependia de etapas manuais e empíricas, demandando tempo significativo. Identificaram-se limitações relacionadas à ausência de integração entre os sistemas, o que impactou diretamente a eficiência operacional e aumentou a dependência de atividades repetitivas. Concluiu-se que a estruturação adequada do processo de gestão de mailings e a integração entre BI e ferramentas de automação de marketing representam uma oportunidade para otimizar fluxos, melhorar a qualidade dos dados e fortalecer as estratégias de Inbound Marketing.

Palavras-chave: Automação de Marketing; Business Intelligence; Inbound Marketing; Integração de Sistemas; RD Station.

17 de setembro de 2026

Detecção de Anomalias no Monitoramento de Saúde de Pontes Usando Redes Neurais

O monitoramento da saúde estrutural de pontes tornou-se cada vez mais relevante diante do envelhecimento das infraestruturas e da intensificação de eventos extremos associados às mudanças climáticas. Nesse contexto, abordagens baseadas em dados destacaram-se como alternativas promissoras para o reconhecimento de anomalias. O estudo objetivou desenvolver e avaliar uma abordagem baseada em aprendizado de máquina para o reconhecimento de anomalias em séries temporais de aceleração estrutural. A metodologia adotada consistiu no uso de autoencoders treinados exclusivamente com dados representativos da condição íntegra, permitindo ao modelo aprender padrões associados ao estado saudável da estrutura; em seguida, o erro de reconstrução, quantificado por meio do erro quadrático médio (MSE), foi utilizado como critério para identificação de desvios em relação a essa condição. O conjunto de dados analisado foi composto por 1767 séries temporais de 1000 pontos cada, pertencentes a duas classes: íntegra (normal) e anômala (danificada). Os resultados obtidos demonstraram que o modelo proposto apresentou elevada capacidade de reconhecimento da classe anômala, com taxa de detecção superior a 90%, e desempenho global satisfatório, com área sob a curva ROC (AUC) próxima de 0,78, indicando boa capacidade discriminativa e reforçando o potencial da abordagem para aplicações em monitoramento estrutural.

Palavras-chave: Autoencoders; Detecção de Anomalias; Monitoramento de Pontes; Redes Neurais.

17 de setembro de 2026

Gestão Escolar Integrada: o Papel da Direção Administrativa na Capacitação da Equipe de Gestão Pedagógica para a Compreensão do Orçamento Escolar

A administração escolar foi abordada sob a perspectiva da integração entre gestores administrativos e pedagógicos, com foco na participação democrática, capacitação e qualificação dos atores. O objetivo geral consistiu na elaboração de um Guia de Orientações para Orçamento, direcionado à equipe de gestão pedagógica e mediado pela direção administrativa, visando instrumentalizar esses profissionais para a compreensão e participação nos processos financeiros e decisórios da instituição. Para tanto, o estudo desenvolveu-se em uma instituição particular privada, adotando uma abordagem qualitativa, descritiva e aplicada, com procedimento metodológico de estudo de caso. A pesquisa mapeou desafios práticos e dificuldades de comunicação entre os setores, analisou referenciais teóricos da gestão escolar e estruturou o instrumento formativo proposto. Os resultados demonstraram que a ausência de integração entre as áreas administrativa e pedagógica pode comprometer a efetividade da gestão escolar, evidenciando a necessidade de processos formativos contínuos que promovam entendimento mútuo, cooperação e construção coletiva de soluções. O Guia proposto fortaleceu a gestão democrática, elevou a qualificação da equipe pedagógica e melhorou os processos decisórios institucionais, destacando o papel formativo e estratégico do diretor administrativo.

Palavras-chave: Comunicação escolar; Gestão escolar participativa; Orçamento escolar.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade