Resumo Executivo

Mba Executivo Em Liderança E Gestão

23 de junho de 2026

Retenção de Talentos: Desenvolvendo Carreiras contra o Turnover

Jorge Luis Blois; Ewerton Mauro Visotto Faria

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

A distribuidora de medicamentos com atuação nacional, objeto deste estudo, enfrentou um desafio gerencial crítico na área de Operações: a elevada rotatividade de colaboradores. Dados recentes indicaram um índice de turnover de aproximadamente 30% em 2024 e uma projeção de 25% para 2025. Essa situação gerou impactos operacionais significativos, como o aumento do retrabalho, atrasos no cumprimento dos Acordos de Nível de Serviço (SLAs), crescimento das reclamações de clientes e, crucialmente, a perda de conhecimento organizacional acumulado, comprometendo a eficiência e a qualidade do serviço prestado aos laboratórios atendidos.

A organização, com cerca de 50 colaboradores, possui uma trajetória consolidada no setor farmacêutico, concentrando suas atividades na comercialização de medicamentos de alto valor agregado. Este segmento exige elevados níveis de competitividade e excelência operacional, tornando a preservação do conhecimento organizacional um fator estratégico. A empresa atravessa um período de crescimento acelerado, marcado pela ampliação de parcerias e pela abertura de novas frentes comerciais, o que intensifica a necessidade de uma equipe estável e altamente capacitada para sustentar essa expansão.

O problema da rotatividade de talentos não é exclusivo desta empresa, mas reflete uma preocupação crescente no ambiente corporativo. Uma pesquisa divulgada em fevereiro de 2024 pela Robert Half, consultoria global em recrutamento, revelou que 39% das saídas voluntárias em 2023 corresponderam ao total de desligamentos enfrentados pelas empresas. Embora o turnover zero seja utópico, a alta taxa de desligamentos voluntários sinaliza a necessidade de as organizações irem além dos benefícios tangíveis, focando em aspectos como desenvolvimento profissional e clima organizacional saudável para reter seus talentos.

A perda de profissionais experientes acarreta a descapitalização do conhecimento organizacional, especialmente o tácito, que se manifesta nas interações cotidianas, na observação de processos e nas relações de confiança (Nonaka e Takeuchi, 2008). Esse tipo de conhecimento, difícil de ser documentado ou transferido, representa um ativo intangível de elevado valor estratégico. A saída de colaboradores-chave implica, portanto, não apenas a perda de indivíduos, mas também a erosão de um patrimônio intelectual vital para a competitividade e a inovação da empresa.

Além dos impactos operacionais e da perda de conhecimento, a rotatividade de funcionários gera custos financeiros substanciais. Um estudo de Silva (2025), que realizou uma metanálise com dados de empresas dos Estados Unidos, concluiu que o custo médio por funcionário desligado gira em torno de US$ 17.800, podendo variar entre US$ 5.000 e US$ 22.000, dependendo do setor e do nível hierárquico. Esses valores incluem despesas com recrutamento, seleção, treinamento de novos colaboradores e a redução da eficiência durante o período de adaptação, evidenciando a urgência de ações para mitigar o problema.

Para compreender as causas raiz da alta rotatividade, foi realizada uma análise aprofundada utilizando a técnica dos 5 Porquês e o Diagrama de Ishikawa. As entrevistas individuais com 11 colaboradores, incluindo desligados e remanescentes, revelaram um encadeamento lógico que apontou a falta de motivação e engajamento como o motivo inicial para os pedidos de demissão. Essa desmotivação, por sua vez, estava intrinsecamente ligada à ausência de oportunidades objetivas de crescimento e desenvolvimento profissional dentro da empresa.

A investigação aprofundou-se, revelando que a percepção de falta de oportunidades visíveis de crescimento decorria da inexistência de um plano de carreira estruturado e de programas contínuos de capacitação. Os colaboradores entrevistados afirmaram não possuir metas claras, indicadores de evolução ou um sistema de feedback consistente, elementos essenciais para a progressão profissional. Essa lacuna estrutural impedia que os talentos visualizassem um futuro promissor na organização, contribuindo para a decisão de buscar novas oportunidades no mercado.

A análise dos 5 Porquês indicou que a ausência de programas estruturados de desenvolvimento e retenção era resultado de uma priorização da liderança em metas operacionais de curto prazo. Iniciativas voltadas ao desenvolvimento e à retenção de equipes eram deixadas em segundo plano. Essa priorização, por sua vez, era impulsionada pelo fato de a alta direção ainda não mensurar integralmente o impacto estratégico e financeiro da rotatividade, subestimando os custos e riscos associados à perda de talentos-chave e ao comprometimento do capital intelectual.

O Diagrama de Ishikawa complementou a análise, organizando os fatores associados à rotatividade em categorias. Na dimensão “Gestão”, identificou-se a falta de preparo das lideranças para a gestão de pessoas, a ausência de acompanhamento sistemático de desempenho e avaliações arbitrárias, sem critérios claros. A baixa prioridade da alta direção em relação ao desenvolvimento do capital humano limitava a implementação de políticas consistentes de retenção, criando um ambiente onde o crescimento profissional era percebido como subjetivo e inconsistente.

Na categoria “Processos”, a inexistência de um plano estruturado de carreira e sucessão foi um fator preponderante. Descrições de cargos inexistentes ou desatualizadas, bem como a ausência de faixas salariais que orientassem promoções por mérito ou evolução funcional, dificultavam a transparência das oportunidades. Essa falta de padronização nos processos de RH reduzia a percepção de justiça interna, impactando negativamente a motivação e o engajamento dos colaboradores, que não conseguiam visualizar caminhos claros para seu avanço na empresa.

A dimensão “Pessoas” revelou baixo engajamento, decorrente da falta de feedback contínuo e da percepção de estagnação profissional. Colaboradores-chave se mostravam desmotivados pela ausência de reconhecimento e de perspectivas de crescimento. Em “Recursos Humanos”, os programas de integração e capacitação eram pouco estruturados, e os Planos de Desenvolvimento Individual (PDIs) se limitavam a aspectos básicos, sem conexão com as metas estratégicas da empresa, além da inexistência de ciclos formais de acompanhamento de desempenho ao longo do ano.

Em “Tecnologia”, a ausência de ferramentas digitais que possibilitassem o registro, acompanhamento e análise de indicadores de desempenho e engajamento foi um ponto crítico. As avaliações eram realizadas manualmente e de maneira pontual, dificultando a coleta de dados e a tomada de decisão baseada em evidências. Por fim, a “Cultura Organizacional” apresentava um foco excessivo em resultados operacionais de curto prazo, em detrimento do desenvolvimento das pessoas e da gestão do conhecimento, não estimulando o aprendizado contínuo nem a valorização do capital humano.

O diagnóstico consolidado evidenciou que a alta rotatividade não se originava predominantemente de fatores externos, como remuneração ou condições de mercado, mas estava intrinsecamente ligada à falta de estrutura e maturidade dos processos internos de gestão de desempenho, desenvolvimento profissional e gestão do conhecimento. Essa constatação reforçou a necessidade urgente de implementar práticas e políticas mais consistentes de desenvolvimento humano, capazes de sustentar o crescimento da empresa e reduzir os riscos associados à perda de talentos-chave, que são essenciais para a continuidade e expansão do negócio.

A situação desejada para a distribuidora de medicamentos envolve uma transformação significativa em sua gestão de pessoas. Projeta-se a redução do turnover para níveis abaixo de 15% ao ano, a implementação de um plano de carreira estruturado com trilhas de desenvolvimento claras e a criação de ciclos formais de avaliação de desempenho, com metas e indicadores bem definidos. Além disso, espera-se o fortalecimento da liderança e o desenvolvimento de uma cultura organizacional orientada para pessoas, complementado pela adoção de ferramentas digitais para uma gestão de talentos mais eficiente e baseada em dados.

Com base na análise detalhada das causas da rotatividade, a solução recomendada consiste na implementação de um conjunto integrado de iniciativas voltadas ao fortalecimento das práticas de gestão de pessoas. Essa abordagem visa mitigar os problemas identificados, aumentar a retenção de talentos e preservar o conhecimento organizacional. A proposta é fundamentada em evidências da literatura e em experiências bem-sucedidas de empresas do setor farmacêutico e industrial, garantindo uma base sólida para as ações a serem implementadas e seus impactos esperados.

O primeiro pilar da solução é a estruturação de um plano de carreira claro, com caminhos de crescimento definidos, critérios de promoção por mérito e políticas de sucessão para cargos estratégicos. Essa iniciativa visa garantir oportunidades visíveis de desenvolvimento profissional, combatendo a percepção de estagnação. Estudos de caso em empresas farmacêuticas na Malásia, por exemplo, demonstraram que a clareza nas oportunidades de carreira aumentou a retenção em até 25% (Saedin et al., 2023), evidenciando o impacto positivo dessa prática na permanência dos colaboradores.

O segundo pilar consiste na criação de programas contínuos de capacitação e desenvolvimento, alinhados às metas estratégicas da empresa. Esses programas devem abranger o desenvolvimento técnico, comportamental e de liderança, garantindo que os colaboradores possuam as habilidades necessárias para os desafios atuais e futuros. Empresas farmacêuticas indianas relataram redução da rotatividade após a implementação de Planos de Desenvolvimento Individual (PDIs) (Thilagham et al., 2022), reforçando a eficácia de investimentos em capacitação para a retenção de talentos e o alinhamento estratégico.

O terceiro pilar é o fortalecimento da gestão de desempenho e feedback contínuo. Isso implica implementar ciclos regulares de avaliação de desempenho baseados em métricas claras, associados a reconhecimento e recompensas, e integrar os PDIs e as metas estratégicas da empresa. Empresas com avaliações estruturadas e feedback contínuo apresentam maior engajamento e menor turnover, pois os colaboradores compreendem suas expectativas, recebem orientação para o desenvolvimento e são reconhecidos por suas contribuições, criando um ambiente de meritocracia e crescimento contínuo.

A seleção da alternativa prioritária foi realizada por meio de uma matriz de decisão ponderada, que considerou critérios como impacto na retenção, custo, tempo de implementação e alinhamento estratégico. O resultado dessa análise indicou que a combinação de um Plano de Carreira estruturado, Programas de Capacitação contínua e um Sistema de Gestão de Desempenho formalizado oferece o melhor custo-benefício e o maior impacto estratégico para a organização. Essa abordagem integrada é vista como a mais eficaz para abordar as múltiplas causas da rotatividade.

As principais ações propostas para a implementação da solução incluem um diagnóstico detalhado de competências, com duração estimada de um mês, para identificar gaps e prioridades. Em seguida, projeta-se a estruturação do Plano de Carreira e dos PDIs em dois meses, definindo mapas de carreira, critérios de promoção e faixas salariais. A implementação do Sistema de Gestão de Desempenho, com ciclos de avaliação e relatórios de desempenho, é prevista para um mês, estabelecendo a base para o acompanhamento contínuo do desenvolvimento dos colaboradores.

As fases subsequentes do plano de implementação são contínuas e abrangem os Programas de Capacitação Contínua, com cronogramas de treinamentos e relatórios de participação, e as Ações de Reconhecimento e Fortalecimento Cultural, que incluem programas de premiação e eventos de integração. Essas iniciativas visam manter o engajamento e a motivação da equipe ao longo do tempo. O Monitoramento e Avaliação de Indicadores, também contínuo, utilizará ferramentas analíticas e dashboards para acompanhar o turnover, engajamento e desempenho, permitindo ajustes rápidos e melhoria progressiva.

Os recursos necessários para a implementação das ações incluem uma equipe de RH dedicada, consultoria externa para benchmarking e suporte especializado, e ferramentas de gestão de carreira. Para os programas de capacitação, projeta-se a utilização de uma plataforma de Educação a Distância (EAD), instrutores internos e externos, e um orçamento anual específico. Para a gestão de desempenho, será necessário um software dedicado, além de treinamento para as lideranças, garantindo que estejam aptas a aplicar as novas metodologias de feedback e avaliação de forma eficaz.

Os benefícios tangíveis esperados com a implementação da solução são a redução significativa dos níveis de turnover, a diminuição dos custos associados aos processos de recrutamento, seleção e treinamento de novos colaboradores, e a manutenção da produtividade operacional. A estabilização da equipe e a retenção de talentos estratégicos contribuirão diretamente para a melhoria da eficiência e da qualidade dos serviços prestados, impactando positivamente os resultados financeiros e a satisfação dos clientes da distribuidora de medicamentos.

Além dos benefícios tangíveis, projeta-se a obtenção de impactos intangíveis relevantes. Espera-se um aumento do engajamento das equipes, a retenção do conhecimento organizacional, especialmente o tácito, e o fortalecimento da cultura de desenvolvimento profissional. Esses elementos são fundamentais para a preservação do capital intelectual da organização, a melhoria da imagem corporativa e o fortalecimento do clima organizacional, criando um ambiente de trabalho mais positivo e produtivo, que atrai e retém os melhores profissionais do mercado.

A avaliação da efetividade da solução será conduzida por meio de indicadores-chave de desempenho (KPIs) com metas claras. Para a Taxa de Turnover Geral, a meta é reduzir para menos de 15% ao final de 12 meses, partindo de uma baseline de 25-30%. Para o Turnover na Área de Operações, projeta-se uma redução para menos de 18% no primeiro ano, com manutenção abaixo de 20% após o nono mês. O Índice de Engajamento Interno tem como meta um aumento mínimo de 20% no score médio geral, com pelo menos 80% dos colaboradores avaliando positivamente a clareza de desenvolvimento.

Outros KPIs importantes incluem o Cumprimento de SLAs Operacionais, com meta de 95% mensal, e o Número de Reclamações de Clientes, com meta de redução mínima de 30% em 12 meses. Projeta-se que 100% dos colaboradores tenham um PDI formalizado e ativo até o final do primeiro ciclo anual, e que pelo menos 60% das posições estratégicas sejam preenchidas internamente por meio de promoções. Esses indicadores serão monitorados mensalmente, trimestralmente e anualmente, com a coleta de dados padronizada por meio de sistemas de RH, relatórios operacionais e questionários eletrônicos.

O monitoramento da solução será estruturado em três níveis: operacional (mensal), tático (trimestral) e estratégico (anual). No nível operacional, analistas de RH e gerentes de Operações analisarão o turnover, PDIs, SLAs e reclamações para ações corretivas imediatas. No nível tático, a gerência de RH e a diretoria consolidarão indicadores, revisarão metas intermediárias e ajustarão recursos estratégicos. Anualmente, a diretoria executiva avaliará o impacto global, analisará o Retorno sobre Investimento (ROI) do projeto e definirá metas e prioridades para o próximo ciclo, garantindo a melhoria contínua.

A solução será considerada efetiva se, ao final de 12 meses, o turnover geral for inferior a 15%, o turnover em Operações for menor ou igual a 18%, o índice de engajamento aumentar em pelo menos 20%, os SLAs forem mantidos em 95% ou mais, houver redução mínima de 30% nas reclamações, 100% dos colaboradores tiverem PDI formalizado e pelo menos 60% das posições estratégicas forem preenchidas internamente. Caso alguma meta não seja atingida, serão realizadas revisões estratégicas das ações implementadas, garantindo ajustes contínuos e a melhoria progressiva do projeto, assegurando a adaptabilidade da solução.

A inação diante do problema da alta rotatividade acarretaria riscos significativos para a distribuidora de medicamentos. Projeta-se um aumento contínuo do turnover, a perda irreversível de capital intelectual e a queda da eficiência operacional. Além disso, a qualidade do serviço prestado seria negativamente impactada, resultando em maior insatisfação dos clientes e na redução da competitividade da empresa no mercado. Esses riscos reforçam a urgência e a importância estratégica da implementação das ações propostas para garantir a sustentabilidade e o crescimento do negócio a longo prazo.

Em síntese, o business case analisou a elevada rotatividade de colaboradores na área de Operações de uma distribuidora de medicamentos, identificando que as causas principais residem na ausência de um plano de carreira estruturado, na falta de programas contínuos de capacitação e na deficiência dos processos formais de gestão de desempenho e feedback. A solução recomendada, um conjunto integrado de iniciativas que incluem a estruturação de um plano de carreira, programas de capacitação e um sistema robusto de gestão de desempenho, visa não apenas reduzir o turnover, mas também preservar o conhecimento organizacional e fortalecer a cultura de desenvolvimento profissional. A implementação dessas ações representa uma oportunidade estratégica para sustentar o crescimento e a competitividade da organização no longo prazo, consolidando uma gestão de pessoas mais eficaz e alinhada aos objetivos estratégicos da empresa.

Referências Bibliográficas:

NONAKA, Ikujiro; TOYAMA, Ryoko; HIRATA, Toru. Managing flow: a process theory of the knowledge-based firm. New York: Palgrave Macmillan, 2008.

SAEDIN, Azlina et al. Employee retention in pharmaceutical companies in Malaysia. Information Management and Business Review, v. 15, n. 3 (SI), p. 410-417, 2023. DOI: 10.22610/imbr.v15i3(SI).3497. Disponível em: https://doi.org/10.22610/imbr.v15i3(SI).3497. Acesso em: 08 nov. 2025.

SILVA, Fabiana Souza. Metanálise do impacto financeiro da rotatividade de funcionários nas empresas dos Estados Unidos. Revista JRG de Estudos Acadêmicos, São Paulo, v. 8, n. 19, p. e082381, 2025. DOI: 10.55892/jrg.v8i19.2381. Disponível em: https://mail.revistajrg.com/index.php/jrg/article/view/2381. Acesso em: 26 ago. 2025.

THILAGHAM, K. T. et al. Study on talent management practices in pharma sector with focus on “employee retention”. Journal of Pharmaceutical Negative Results, v. 13, Special Issue 06, p. 1366-1376, 2022. DOI: 10.47750/pnr.2022.13.S06.181. Disponível em: https://doi.org/10.47750/pnr.2022.13.S06.181. Acesso em: 08 nov.2025.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Executivo em Liderança e Gestão do MBA USP/Esalq

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