Artigo

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

08 de outubro de 2026

Interfaces entre neurociência da aprendizagem e políticas normativas brasileiras para a formação inicial docente

Interfaces entre Neurociência da Aprendizagem e Políticas Normativas Brasileiras para a Formação Inicial Docente

Júlia Jéssica Moraes; Sheila Cristina da Silva Victório

DOI: 10.22167/2675-6528-202603075

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

A formação inicial de professores no Brasil tem recebido atenção crescente devido à complexidade dos processos de aprendizagem e à necessidade de práticas pedagógicas cientificamente embasadas. O estudo analisou como os fundamentos da neurociência da aprendizagem estão expressos nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação de professores da Educação Básica. Realizou-se uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, fundamentada na análise documental de normativas oficiais, incluindo a LDB, o PNE, o Parecer CNE/CP n° 22/2019 e a Resolução CNE/CP n° 2/2019. Os dados foram organizados a partir de categorias analíticas baseadas na neurociência da aprendizagem: atenção, emoção, memória, neuroplasticidade e autorregulação. Os resultados evidenciaram a presença implícita desses fundamentos nos documentos, especialmente na valorização da aprendizagem ativa, da dimensão socioemocional e da formação ao longo da vida. Contudo, observou-se a ausência de sistematização explícita dos conceitos, indicando limites do discurso normativo frente à complexidade da aprendizagem. Concluiu-se que existem convergências entre as políticas educacionais e os princípios da neurociência, mas é necessário aprofundar essa articulação na formação docente.

Palavras-chave: Desenvolvimento cognitivo; Educação básica; Legislação educacional; Prática pedagógica; Processos de aprendizagem.

1. Introdução

A formação inicial de professores ocupa posição central nas políticas educacionais brasileiras, especialmente diante da complexidade dos processos de aprendizagem e da necessidade de práticas pedagógicas mais fundamentadas cientificamente. Em um cenário educacional marcado pela diversidade de sujeitos, contextos e formas de aprender, o papel do professor ultrapassa a simples transmissão de conteúdo, exigindo a compreensão dos processos de aprendizagem e do desenvolvimento dos estudantes (Tardif, 2014).

Historicamente, a formação de professores no Brasil esteve fortemente ancorada em referenciais pedagógicos e psicológicos, notadamente nas contribuições construtivistas e histórico-culturais sobre o desenvolvimento humano (Piaget, 1969; Vygotsky, 1998). Contudo, houve uma menor aproximação dos avanços científicos relacionados ao funcionamento do cérebro humano. Essa distância contribuiu para práticas educativas pouco sensíveis às diferenças individuais e aos aspectos emocionais envolvidos na aprendizagem.

Pesquisas no campo da neurociência cognitiva e educacional têm demonstrado que aprender é um processo complexo, dinâmico e não linear, sustentado pela plasticidade cerebral e pela interação entre cognição, emoção, memória e atenção (Lent, 2010; Costa, 2023). Emoção e cognição são indissociáveis nos processos de aprendizagem, uma vez que os estados emocionais influenciam diretamente a atenção, a memória e a atribuição de significado ao conhecimento (Costa, 2023). Nessa perspectiva, aprender envolve não apenas o processamento de informações, mas a construção de sentidos a partir das experiências vividas em contextos socialmente mediados (Immordino-Yang e Faeth, 2010).

No campo educacional, essas contribuições ganham relevância ao oferecer subsídios para a reflexão sobre a prática docente. Compreender como o cérebro aprende possibilita ao professor planejar estratégias pedagógicas que favoreçam o engajamento, a motivação e a atenção dos alunos, respeitando os ritmos de aprendizagem e criando ambientes emocionalmente seguros. A literatura destaca que a aproximação entre neurociência e educação pode contribuir para práticas pedagógicas mais fundamentadas, desde que tal articulação seja compreendida como um diálogo interdisciplinar e realizada de maneira crítica e multidimensional (Carew e Mills, 2010; Cosenza e Guerra, 2011).

A capacidade de modificação do cérebro a partir das experiências, denominada neuroplasticidade, reforça o papel do ambiente educativo no processo de aprendizagem e destaca a importância das interações pedagógicas. Essa direção aponta para a defesa de um paradigma educacional emergente que integra razão, emoção e contexto, superando modelos fragmentados de ensino (Lent, 2010; Moraes, 2014). Para os estudantes, a atuação docente fundamentada nesses princípios contribui para experiências educativas mais significativas e humanizadas, favorecendo o engajamento, a autonomia e a construção de sentidos em relação ao conhecimento (Immordino-Yang e Faeth, 2010).

No contexto normativo brasileiro, essa compreensão encontra respaldo na legislação educacional. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) (Brasil, 1996) estabelece que a formação dos profissionais da educação deve articular teoria e prática, assegurando o domínio dos conteúdos e a compreensão dos processos de aprendizagem. Esse princípio é aprofundado pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação Inicial de Professores da Educação Básica (DCNs) (Brasil, 2020), que definem a formação docente como um processo que integra conhecimentos científicos, pedagógicos e humanos.

O Parecer do Conselho Nacional de Educação/Conselho Pleno (CNE/CP) n° 22/2019 (Brasil, 2019) reforça a importância de uma formação sensível às dimensões humanas do processo educativo, ao destacar competências como empatia, autonomia, sensibilidade e capacidade de adaptação frente às diferentes realidades escolares. Paralelamente, o Plano Nacional de Educação (PNE) (Brasil, 2014) reafirma a centralidade do professor na promoção da aprendizagem significativa.

Apesar da relevância desses marcos legais e da crescente valorização da complexidade da aprendizagem, observa-se a ausência de uma sistematização explícita dos fundamentos da neurociência da aprendizagem nos documentos normativos brasileiros. Essa lacuna teórica e prática limita o potencial de uma formação docente que incorpore de forma mais consciente e aprofundada os conhecimentos sobre como o cérebro aprende, impactando diretamente a qualificação das práticas pedagógicas. A compreensão de como esses fundamentos estão implícita ou explicitamente presentes nas diretrizes é crucial para fortalecer a formação inicial de professores, tornando-a mais alinhada às evidências científicas sobre o desenvolvimento humano e a aprendizagem.

Diante desse contexto, este trabalho tem como objetivo geral analisar como os fundamentos da neurociência da aprendizagem estão expressos nas DCNs para a Formação de Professores da Educação Básica. Especificamente, busca-se identificar princípios relacionados à aprendizagem, ao desenvolvimento e à prática docente; interpretar esses princípios à luz dos fundamentos neurocientíficos; discutir suas implicações para a formação inicial de professores; e refletir sobre o papel da neurociência no fortalecimento da prática pedagógica.

2. Material e Métodos

A pesquisa caracterizou-se como qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, e foi fundamentada na análise documental, conforme as diretrizes de Cellard (2008) e Sá-Silva et al. (2009). A abordagem qualitativa permitiu a interpretação dos significados presentes nos documentos à luz dos fundamentos teóricos da neurociência da aprendizagem. O caráter exploratório ampliou a compreensão sobre o tema investigado, enquanto o descritivo possibilitou a apresentação das características identificadas nas fontes analisadas.

Para a realização do estudo, foram analisados documentos oficiais de domínio público que orientam a formação docente no Brasil. Incluíram-se a Resolução CNE/CP n° 2/2019, o Parecer CNE/CP n° 22/2019, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), com foco nos artigos 61 a 67, e o Plano Nacional de Educação (PNE), com ênfase nas metas 15 e 16 (Brasil, 1996; 2014; 2019; 2020).

A análise dos dados foi conduzida em quatro etapas sequenciais. Inicialmente, realizou-se a leitura flutuante dos documentos selecionados. O objetivo desta etapa foi promover uma aproximação geral com o material e identificar os eixos temáticos relacionados à formação docente e aos processos de aprendizagem, estabelecendo um panorama inicial do conteúdo.

Em seguida, procedeu-se à identificação de trechos específicos nos documentos que abordavam, de forma direta ou indireta, aspectos relacionados à aprendizagem, ao desenvolvimento humano, à emoção, à cognição e à prática pedagógica. Esta etapa visou alinhar a coleta de informações aos objetivos específicos da pesquisa.

Na terceira etapa, os conteúdos identificados foram organizados em cinco categorias analíticas predefinidas: atenção, emoção, memória, neuroplasticidade e autorregulação. Essas categorias foram fundamentadas em referenciais da neurociência da aprendizagem (Damásio, 2018; Dehaene, 2020; Guerra, 2011; Izquierdo, 2018; Hohl, 2020).

Para assegurar a consistência analítica, cada categoria foi previamente definida com base em referenciais teóricos da neurociência da aprendizagem. Em seguida, foi operacionalizada por meio de critérios analíticos explícitos, que orientaram a identificação de evidências nos textos normativos. Esses critérios incluíram a definição conceitual de cada categoria, a delimitação de seus indicadores e a correspondência com termos e expressões presentes nos documentos analisados.

A consistência da categorização foi garantida pela aplicação sistemática desses critérios em todo o corpus documental, assegurando uniformidade na identificação e interpretação dos dados. Este processo resultou na construção de uma matriz analítica, que articulou os referenciais da neurociência da aprendizagem com os descritores identificados nos documentos normativos, servindo como ferramenta para a análise.

Ressalta-se que as categorias analíticas adotadas não estavam explicitamente presentes nos documentos normativos, mas constituíram uma construção teórico-analítica deste estudo. A articulação entre os termos normativos e os fundamentos da neurociência da aprendizagem configurou uma ponte interpretativa, utilizada como lente de análise para a identificação e compreensão dos elementos presentes nos documentos.

Por fim, na quarta etapa, realizou-se a interpretação dos achados. Buscou-se estabelecer relações entre as categorias identificadas e o discurso político-educacional, à luz da neurociência da aprendizagem. A análise foi conduzida a partir de uma leitura crítica e não prescritiva dos documentos normativos, considerando convergências e ausências conceituais relevantes.

A análise foi realizada com o cuidado de evitar interpretações simplificadas ou inadequadas da neurociência, conforme as orientações de Carvalho (2010). Assegurou-se que a articulação entre o conhecimento científico e a política educacional ocorresse de maneira responsável e fundamentada, pautada pelo cuidado ético de evitar o “neuro-reducionismo”, garantindo uma abordagem crítica, contextualizada e epistemologicamente situada.

3. Resultados e Discussão

A análise documental dos marcos normativos brasileiros, incluindo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), o Plano Nacional de Educação (PNE), o Parecer CNE/CP n° 22/2019 e a Resolução CNE/CP n° 2/2019, revelou a presença implícita dos fundamentos da neurociência da aprendizagem na formação inicial de professores da Educação Básica. Embora esses conceitos não estejam explicitamente sistematizados, foram identificadas convergências significativas entre o discurso político-educacional e os princípios neurocientíficos, especialmente no que tange à valorização da aprendizagem ativa, da dimensão socioemocional e da formação continuada. As categorias analíticas de atenção, emoção, autorregulação, neuroplasticidade e memória, construídas para este estudo, serviram como lentes interpretativas para desvelar essas articulações.

A Resolução CNE/CP n° 2/2019, em particular, estabelece uma concepção de formação docente centrada na aprendizagem dos estudantes. Os dispositivos que orientam a prática pedagógica e a organização do ensino atribuem ao professor a responsabilidade pela condução de práticas intencionais e contextualizadas, conforme seus princípios formativos (Brasil, 2019). Essa perspectiva se alinha à compreensão de que o cérebro aprende de forma mais eficaz quando o sujeito mobiliza ativamente seus recursos cognitivos, como apontado por Dehaene (2020) e Lent (2010), fundamentando a tese de que a construção do conhecimento é um processo ativo do aprendiz.

Essa centralidade na aprendizagem implica uma reorganização do processo educativo em torno do protagonismo do estudante, que constrói conhecimentos significativos a partir de suas experiências (Bacich e Moran, 2018). O professor, nesse cenário, atua como mediador, mentor e curador, promovendo autonomia e engajamento em ambientes de aprendizagem desafiadores e acolhedores, em consonância com um paradigma educacional que integra dimensões cognitivas, emocionais e contextuais (Moraes, 2014). Tal abordagem ressalta a importância de um diálogo interdisciplinar entre neurociência e educação, capaz de explicar como as mediações pedagógicas influenciam o desenvolvimento cerebral (Guerra, 2011; Carew e Mills, 2010).

A dimensão da atenção, como categoria analítica, emergiu da ênfase normativa no engajamento e na participação ativa do estudante, reconhecendo-o como sujeito do processo de aprendizagem (Brasil, 2020). A literatura neurocientífica descreve a atenção como um processo dinâmico, influenciado pela mediação pedagógica e pelo contexto de aprendizagem (Fonseca, 2014; Muniz et al., 2014), atuando de forma integrada com a memória e a motivação (Posner e Rothbart, 2007). Contudo, os documentos normativos priorizam os resultados pedagógicos da atenção, sem explicitar os mecanismos neurobiológicos subjacentes à sua sustentação, o que indica uma lacuna na articulação explícita.

A Estratégia 15.6 do PNE, ao determinar a renovação pedagógica dos cursos de licenciatura para “assegurar o foco no aprendizado do (a) aluno (a)” (Brasil, 2014), exemplifica essa priorização do resultado. Embora o dispositivo explicite a centralidade do aprendizado do estudante, não descreve os mecanismos neurobiológicos envolvidos na atenção sustentada, que são cruciais para a compreensão aprofundada do processo. Essa observação reforça a necessidade de uma formação docente que vá além da mera descrição de resultados, incorporando os fundamentos científicos que os sustentam.

A categoria da emoção foi identificada pela recorrência de expressões relacionadas às competências socioemocionais, presentes nos trechos que abordam o desenvolvimento integral dos estudantes e as relações pedagógicas (Brasil, 2019; Brasil, 2020). A Resolução CNE/CP n° 2/2019, por exemplo, estabelece a necessidade de o professor “conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana, reconhecendo suas emoções e as dos outros” (Brasil, 2019). Essa competência se estende à capacidade de “exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação”, promovendo um ambiente colaborativo de aprendizagem.

Essa abordagem normativa encontra forte respaldo na neurociência, que demonstra a influência das emoções em processos cognitivos fundamentais como a atenção, a tomada de decisão e a consolidação da memória (Damásio, 2018; Brantes e Gondim, 2025). A perspectiva da psicogenética de Wallon (1941) também converge, defendendo a indissociabilidade entre afetividade, motricidade e cognição no processo de aprendizagem. Ambientes relacionais seguros e estados emocionais favoráveis são cruciais para o engajamento e a construção de sentidos, promovendo uma aprendizagem significativa (Immordino-Yang e Faeth, 2010; Costa, 2023).

A autorregulação da aprendizagem emergiu da valorização da autonomia e do protagonismo, expressa nos dispositivos que orientam a formação para a aprendizagem ativa e para o desenvolvimento da capacidade de aprender a aprender, presentes na LDB e nas DCNs (Brasil, 1996; 2020). No plano neuropsicológico, o desenvolvimento da autonomia docente e discente (Freire, 1996) articula-se à maturação das funções executivas e ao controle metacognitivo (Boruchovitch, 2014; Zimmerman, 2002). A Resolução CNE/CP n° 2/2019 explicita a autonomia e a tomada de decisão como elementos da atuação docente, ao exigir que o professor “aja e incentive, pessoal e coletivamente, com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência” (Brasil, 2019).

A literatura acadêmica reforça que a aprendizagem autorregulada, ao envolver estratégias metacognitivas e controle cognitivo, está associada a melhores resultados acadêmicos (Zimmerman, 2002). Sob a ótica da neurociência do desenvolvimento, esses processos se relacionam diretamente às funções executivas, cuja efetivação depende de condições de maturação cerebral. Embora os documentos normativos valorizem a autonomia e o protagonismo, a explicitação das condições neurobiológicas que sustentam a autorregulação ainda é limitada, o que sugere uma área para aprofundamento na formação docente.

A neuroplasticidade foi inferida a partir da ênfase normativa na formação continuada, presente nos dispositivos legais que tratam da formação ao longo da carreira docente e do desenvolvimento profissional permanente, conforme previsto na LDB e no PNE (Brasil, 1996; 2014). Esses elementos reconhecem, de forma indireta, a capacidade de reorganização do cérebro em resposta às experiências (Guerra, 2011; Hohl, 2020), oferecendo sustentação conceitual à valorização da formação docente continuada, um princípio central da neuroeducação (Tokuhama-Espinosa, 2011). A LDB, no artigo 62, § 1º, e no artigo 67, inciso II, e a Meta 16 do PNE, reforçam essa necessidade de aperfeiçoamento profissional contínuo.

A Meta 16 do PNE, ao determinar a garantia de “formação continuada em sua área de atuação, considerando as necessidades, demandas e contextualizações dos sistemas de ensino” (Brasil, 2014), evidencia a compreensão da aprendizagem como um processo permanente. A Estratégia 16.1 do PNE, que prevê o planejamento estratégico da demanda por formação continuada, também dialoga com a neuroplasticidade, ao reconhecer a capacidade de modificação funcional e estrutural do cérebro pela experiência. A prática pedagógica, nesse contexto, constitui um dos motores da neuroplasticidade necessária à aprendizagem (Hohl, 2020).

Por fim, a memória emergiu da ênfase conferida à aprendizagem significativa, presente nas orientações curriculares que destacam a contextualização dos conhecimentos e a articulação entre teoria e prática (Brasil, 2020; 2019). Esses processos são compreendidos como elementos que favorecem a consolidação do conhecimento por meio de experiências relevantes (Lourenço e Paiva, 2010; Izquierdo, 2018). A LDB, ao estabelecer a “associação entre teorias e práticas” e o “aproveitamento da formação e experiências anteriores” (Brasil, 1996), oferece respaldo documental para essa interpretação.

A Estratégia 16.3 da Meta 16 do PNE, que prevê a disponibilização de obras, materiais e bens culturais aos professores para “favorecer a construção do conhecimento e a valorização da cultura da investigação” (Brasil, 2014), também se alinha à compreensão da memória. Pesquisas indicam que a consolidação da memória depende da integração entre experiência, emoção e significado, sendo favorecida por práticas pedagógicas contextualizadas (Bransford, Brown e Cocking, 2000). No entanto, os documentos normativos não explicitam os fatores fisiológicos que influenciam esses processos, evidenciando limites do discurso normativo frente à complexidade da aprendizagem.

A articulação entre neurociência e educação, conforme discutido por Carvalho (2010), deve ocorrer de forma crítica e contextualizada, evitando reducionismos. Os resultados indicam que, embora os fundamentos da neurociência da aprendizagem estejam presentes de forma implícita nos documentos analisados, eles não são sistematizados nas normativas, o que evidencia a necessidade de aprofundamento dessa articulação no campo da formação docente. As categorias analíticas construídas neste estudo podem ser operacionalizadas como um instrumento para identificar lacunas formativas e subsidiar a proposição de intervenções pedagógicas alinhadas aos processos de aprendizagem.

Em síntese, a pesquisa demonstrou que os documentos normativos analisados incorporam, ainda que de forma não sistematizada e não explicitamente teorizada, princípios compatíveis com a neurociência da aprendizagem (Silva et al., 2026). Essa constatação atende ao objetivo geral do estudo de analisar como os fundamentos da neurociência da aprendizagem estão expressos nas DCNs para a Formação de Professores da Educação Básica, revelando convergências e lacunas que apontam para a necessidade de uma maior integração entre o conhecimento científico e as políticas educacionais para o fortalecimento da prática pedagógica.

4. Conclusão

Este estudo teve como objetivo analisar como os fundamentos da neurociência da aprendizagem estão expressos nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. Verificou-se que, embora tais fundamentos não estejam explicitamente sistematizados nos documentos normativos analisados, eles se encontram presentes de forma implícita. Identificou-se a valorização da aprendizagem ativa, da dimensão socioemocional e da formação ao longo da vida, elementos que convergem com os princípios da atenção, emoção, autorregulação, neuroplasticidade e memória. Contudo, observou-se uma lacuna na explicitação dos mecanismos cognitivos e biológicos subjacentes a esses processos, o que evidencia os limites do discurso normativo frente à complexidade da aprendizagem.

A pesquisa demonstrou a existência de aproximações entre o discurso político-educacional e os princípios da neurociência da aprendizagem, reforçando a importância de um diálogo crítico e contextualizado entre esses campos. Como contribuição, o estudo oferece categorias analíticas que podem subsidiar a análise de currículos de formação docente e o planejamento de intervenções pedagógicas alinhadas aos processos reais de aprender. Reconhece-se o caráter interpretativo da análise, que não permite generalizações, mas fornece subsídios teóricos para a reflexão sobre a formação docente. Sugere-se aprofundar a articulação entre neurociência e educação na formação inicial e continuada de professores, utilizando as categorias propostas para identificar lacunas formativas e promover práticas mais coerentes com as evidências científicas sobre o desenvolvimento humano e a aprendizagem.

Referências Bibliográficas

Carew, T.J.; Mills, M. 2010. Neuroscience and education: an ideal partnership for producing evidence-based solutions to guide 21st century learning. Neuron 67(5): 685–688.

Cosenza, R.M.; Guerra, L.B. 2011. Neurociência e Educação: como o cérebro

Costa, R.L.S. 2023. Neurociência e aprendizagem. Revista Brasileira de Educação 28(1): e280010.

Immordino-Yang, M.H.; Faeth, M. 2010. The role of emotion and skilled intuition in learning. Mind, Brain, and Education 4(1): 1–7.

Lent, R. 2010. Cem bilhões de neurônios? Conceitos fundamentais de neurociência. 2. ed. Atheneu, São Paulo, SP, Brasil.

Piaget, J. 1964. Seis Estudos de Psicologia. Forense, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Tardif, M. 2014. Saberes docentes e formação profissional. Vozes, Petrópolis, RJ, Brasil.

Vygotsky, L.S. 1998. A Formação Social da Mente: O desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 6ed. Martins Fontes, São Paulo, SP, Brasil.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso de Educação Inclusiva e Diversidade

Para saber mais sobre o curso, clique aqui e acesse a plataforma MBX Academy

Você também pode gostar

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

08 de outubro de 2026

Consequências do Uso de IA Generativa na Capacidade Cognitiva e Saúde Mental de Profissionais Brasileiros

A integração de ferramentas de inteligência artificial generativa (GenAI) no trabalho acelerou-se nos últimos anos, levantando questões sobre seus efeitos nos processos cognitivos e no bem-estar emocional dos profissionais. O estudo objetivou mensurar o impacto do uso de GenAI sobre capacidades cognitivas autorreferidas e indicadores de saúde mental de profissionais brasileiros, comparando os achados com evidências empíricas internacionais. Adotou-se uma abordagem mista, com delineamento transversal e não experimental, aplicando um questionário digital estruturado a 108 profissionais adultos brasileiros, recrutados via LinkedIn e WhatsApp. O instrumento avaliou memória de trabalho, atenção sustentada e alternada, controle inibitório, flexibilidade cognitiva, tecnoestresse, saúde mental e senso de propósito profissional, além de percepções qualitativas. Os resultados revelaram que 92,6% dos respondentes utilizaram GenAI regularmente, com impacto percebido majoritariamente positivo no desempenho, mas acompanhado por dependência declarada em 52,8% da amostra. A atenção sustentada mostrou-se a dimensão cognitiva mais fragilizada, e os indicadores de equilíbrio emocional e desconexão digital concentraram os resultados mais críticos. A análise comparativa identificou uma relação entre maior frequência de uso, maior dependência e menores escores cognitivos, com declínio progressivo da atenção focada ao longo do tempo de uso. Concluiu-se que o uso intensivo de GenAI coexiste com fragilidades cognitivas e emocionais mensuráveis, cujos efeitos tendem a se acumular, reforçando a necessidade de práticas conscientes que preservem a autonomia intelectual dos profissionais.

Palavras-chave: Cognição; Dependência tecnológica; Inteligência artificial; Saúde mental.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

08 de outubro de 2026

A contribuição da neuroaprendizagem na elaboração de objetos educacionais multimídia para a recomposição de aprendizagens

A defasagem de aprendizagem na educação brasileira, agravada pela pandemia de Covid-19 e evidenciada por resultados insatisfatórios do SAEB, tornou a recomposição de aprendizagens uma prioridade nacional. O presente trabalho analisou como a produção audiovisual, integrante de um programa de recomposição de aprendizagens em Língua Portuguesa e Matemática, desenvolvido para estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental de uma rede estadual, incorporou fundamentos da neurociência da aprendizagem em sua estrutura metodológica. A pesquisa caracterizou-se como estudo de caso qualitativo e aplicado, e analisou 20 roteiros pedagógicos e as respectivas videoaulas produzidas e aplicadas em 2024. A partir do referencial teórico, construíram-se sete dimensões de análise: ludicidade e interatividade, funcionamento cerebral e aprendizagem, emoção e cognição, singularidade do estudante, contexto sociocultural, mediação pedagógica consistente e aprendizagem ativa. Os resultados indicaram que elementos da neuroaprendizagem foram incorporados de forma estrutural à metodologia do programa. Identificou-se que a personalização da aprendizagem não reside exclusivamente no objeto audiovisual, mas na cadeia sistêmica que o envolve, incluindo diagnóstico, produção, mediação presencial e monitoramento. A integração entre neurociência, conteúdos dedicados à superação de lacunas e linguagem audiovisual demonstrou ser uma estratégia metodologicamente consistente e com potencial relevante para ampliar a eficácia de programas de recomposição de aprendizagens.

Palavras-chave: Defasagem; Eduentretenimento; Mediação pedagógica; Plasticidade cerebral; Videoaula.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

08 de outubro de 2026

O olhar das escolas para crianças com Altas Habilidades/Superdotação: formação docente e práticas de acolhimento

O estudo analisou, por meio de revisão bibliográfica qualitativa, como a formação docente e as práticas de acolhimento escolar são discutidas na literatura em relação ao desenvolvimento de crianças com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD), subsidiando a elaboração de um Guia de Formação Docente. A pesquisa desenvolveu-se sob abordagem qualitativa, de natureza descritivo-interpretativa e orientação aplicada. Utilizou-se a análise de livros, artigos científicos, teses, dissertações e documentos oficiais, localizados em bases de dados como Google Acadêmico, SciELO, ERIC e BDTD. A análise temática de conteúdo permitiu identificar três categorias principais: lacunas na formação docente, acolhimento escolar e desenvolvimento socioemocional, e contribuições da Neurociência Educacional. Os resultados indicaram que a formação docente, o acolhimento e a oferta de experiências de aprendizagem significativas constituem dimensões articuladas e essenciais para o atendimento educacional de estudantes com AH/SD. Como produto educacional, elaborou-se um Guia de Formação Docente, cujo propósito foi ampliar o repertório dos professores e fortalecer práticas pedagógicas inclusivas. Concluiu-se que o produto pode apoiar processos de formação continuada, embora sua aplicação e seus efeitos ainda demandem investigação empírica.

Palavras-chave: Acolhimento escolar; Altas Habilidades/Superdotação; Formação docente; Inclusão educacional; Neurociência educacional.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

08 de outubro de 2026

Componentes da Comunicação Não Violenta: contribuições para a melhoria da convivência escolar

A convivência escolar representa um desafio contemporâneo, marcado por conflitos interpessoais e dificuldades de comunicação entre alunos e professores. Analisou-se como os componentes da Comunicação Não Violenta (CNV) podem contribuir para a melhoria da convivência em uma comunidade escolar da rede municipal de São Paulo. Realizou-se uma pesquisa aplicada, de abordagem qualitativa, que incluiu análise documental do Projeto Político-Pedagógico (PPP), observações do contexto escolar e a condução de três oficinas formativas com professores e equipe gestora. A análise documental organizou-se pelos quatro elementos da CNV: observação, sentimentos, necessidades e pedidos. Os resultados indicaram que, embora o PPP contemple princípios de convivência e respeito, faltava explicitação de estratégias comunicativas estruturadas. As oficinas, focadas em CNV, cultura de paz, mediação de conflitos e neurociência, favoreceram a autorreflexão sobre padrões comunicativos, escuta ativa e a relação entre emoções e aprendizagem. Concluiu-se que a incorporação consciente dos elementos da CNV pode favorecer a mediação de conflitos, fortalecer vínculos e promover um clima escolar mais acolhedor, contribuindo para relações interpessoais e práticas pedagógicas mais humanizadas, resultando em um processo de ensino-aprendizagem mais eficiente e significativo.

Palavras-chave: Clima escolar; Comunicação não violenta; Convivência escolar; Mediação de conflitos; Práticas pedagógicas.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

07 de outubro de 2026

Autorregulação da Aprendizagem em Crianças do Ensino Fundamental: Uma Análise do Projeto Sarilhos do Amarelo sob a perspectiva da Neurociência e Aprendizagem

A autorregulação da aprendizagem em crianças do ensino fundamental constitui um campo de estudo relevante para a educação. O estudo analisou a eficácia do Projeto Sarilhos do Amarelo como recurso didático para professores do primeiro ciclo do Ensino Fundamental, bem como sua relação com a Neurociência aplicada à Educação. O projeto propôs o desenvolvimento de estratégias de autorregulação da aprendizagem, baseadas em planejamento, definição de objetivos, organização de recursos, monitoramento e avaliação de resultados, fundamentando-se no livro “Travessuras do Amarelo” e no modelo cíclico PLEA (Planejar, Executar e Avaliar). A metodologia empregada consistiu na análise documental sistemática e aplicada, voltada à compreensão das relações entre aprendizagem autorregulada, neurociência e funções executivas. Os resultados evidenciaram que o projeto oferece subsídios teóricos relevantes para a prática docente, favorecendo o desenvolvimento de práticas pedagógicas mais eficientes. Contudo, observou-se que o projeto não estabeleceu uma articulação consistente com os conceitos neurocientíficos da aprendizagem, o que se configurou como uma lacuna em seu embasamento teórico. A pesquisa contribuiu para evidenciar o potencial e as limitações do material na formação continuada de professores e na qualificação das práticas pedagógicas.

Palavras-chave: Aprendizagem Autorregulada; Ensino Fundamental; Funções Executivas e Aprendizagem; Neurociência e Educação; Projeto Sarilhos do Amarelo.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

07 de outubro de 2026

Modelo neuroeducacional para crianças expostas à violência crônica derivado de contextos de Israel e Brasil

A exposição de crianças à violência crônica representa um fator de risco significativo para o desenvolvimento cognitivo e socioemocional, impactando diretamente os processos de aprendizagem. O estudo objetivou analisar estratégias neuroeducacionais para crianças expostas à violência crônica, a partir de uma abordagem documental e comparativa entre contextos de guerra em Israel e de violência urbana no Brasil, e sistematizar um modelo neuroeducacional estruturado. A metodologia consistiu na análise de documentos científicos da neurociência do desenvolvimento e de documentos institucionais relacionados a políticas e práticas educacionais, organizados por meio de procedimentos de análise de conteúdo temática. Os resultados indicaram que, no contexto israelense, observou-se maior nível de sistematização das respostas educacionais, com integração entre práticas pedagógicas, regulação emocional e organização institucional. No Brasil, identificou-se menor articulação entre evidências científicas e práticas educacionais estruturadas, apesar das diretrizes relevantes. Como principal contribuição, o estudo sistematizou um modelo neuroeducacional estruturado, de caráter aplicado, voltado à atuação em contextos escolares situados em territórios de vulnerabilidade. Concluiu-se que o desafio central reside na articulação entre conhecimento científico e sua tradução em práticas neuroeducacionais sistematizadas, evidenciando a necessidade de modelos organizadores que integrem neurociência e educação em contextos de violência crônica.

Palavras-chave: Estresse tóxico; Funções executivas; Neuroeducação; Regulação emocional; Vulnerabilidade social.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

07 de outubro de 2026

Práticas de Mindfulness e Ansiedade Escolar no 9° Ano em Escola Pública Paulista: Análise Documental

A ansiedade escolar configurou-se como um desafio significativo ao desenvolvimento integral de estudantes do 9º ano do ensino fundamental II em escolas públicas paulistas, agravado pela transição acadêmica, pelas pressões avaliativas e pelos impactos residuais da pandemia de COVID-19. Nesse contexto, o estudo objetivou analisar evidências científicas e institucionais acerca dos efeitos das práticas de mindfulness na redução da ansiedade e no aumento do engajamento escolar, em consonância com as competências socioemocionais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A problemática central consistiu na identificação de estratégias pedagógicas preventivas, viáveis e cientificamente fundamentadas para o enfrentamento da ansiedade no contexto da educação pública. Adotou-se abordagem qualitativa de caráter exploratório-descritivo, com análise documental e pesquisa bibliográfica de fontes oficiais, como MEC e UNESCO, e de literatura científica indexada nas bases SciELO e PubMed, no período de 2018 a 2025, complementadas por observação não participativa em contexto escolar. Os resultados indicaram que as práticas de mindfulness apresentaram potencial para favorecer a regulação emocional, reduzir manifestações de ansiedade situacional e contribuir para o engajamento acadêmico, embora seus efeitos tenham dependido de fatores contextuais. Como limitações, destacaram-se a escassez de estudos nacionais controlados e a necessidade de investigações empíricas futuras.

Palavras-chave: bem-estar escolar; engajamento acadêmico; regulação emocional.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

07 de outubro de 2026

A Neurociência e a Inteligência Artificial no Processo de Aprendizagem

A interseção entre neurociência e Inteligência Artificial (IA) no processo de aprendizagem foi explorada. O estudo objetivou analisar o impacto da mediação tecnológica no desempenho acadêmico de estudantes. Empregou-se um método misto, combinando análise de conteúdo documental e estatística inferencial sobre dados secundários. A investigação baseou-se em um levantamento de bancos de dados consolidados, garantindo anonimato e ausência de contato direto com os alunos. Foram analisados relatórios de plataformas de IA, registros pedagógicos de conselhos de classe e indicadores de desempenho acadêmico, como notas e frequência. Os dados quantitativos, provenientes de 40 registros, revelaram um impacto significativo da mediação tecnológica. Observou-se um aumento de aproximadamente 46,6% na média geral de desempenho, que passou de 4,93 antes da intervenção para 7,23 após a implementação de ferramentas de IA. O teste de Wilcoxon para amostras emparelhadas confirmou a relevância estatística dessa mudança (p=0,001), indicando que a melhoria resultou da intervenção. Adicionalmente, um modelo de regressão linear apontou que a intervenção introduziu novos determinantes de mudança, independentes do nível de conhecimento prévio dos usuários. A perspectiva neurocientífica sugeriu que os Recursos Educacionais Digitais (RED) promovem autonomia, mas podem causar atrofia cognitiva se usados apenas para automatizar funções. Concluiu-se que a IA representa um suporte adaptativo valioso, cuja eficácia está vinculada à intervenção do professor para assegurar um aprendizado crítico e consolidado.

Palavras-chave: Aprendizagem personalizada; Inteligência artificial educacional; Neurociência cognitiva; Tecnologias educacionais.

Neurociência E Aprendizagem Na Educação

07 de outubro de 2026

Judicialização da Educação Inclusiva para Crianças com Tea: Avaliação de Casos no Estado de São Paulo

Analisou-se a judicialização da educação inclusiva para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Estado de São Paulo. Objetivou-se investigar o comportamento processual do Estado e os padrões decisórios do Tribunal de Justiça em ações que pleiteavam profissional de apoio pedagógico. Adotou-se abordagem qualitativa, com análise documental e de conteúdo de contestações, apelações, decisões de tutela de urgência, sentenças e acórdãos de sete processos judiciais da comarca de Santo André/SP, iniciados entre 2023 e 2025, após a vigência do Decreto Estadual n. 67.635/2023. Os resultados revelaram que a Procuradoria-Geral do Estado empregou uma estratégia argumentativa padronizada, baseada em teses abstratas como a inexistência legal do professor auxiliar e o caráter segregacionista do apoio individualizado, com pouca referência às particularidades de cada aluno. O Poder Judiciário, por sua vez, estabeleceu jurisprudência consolidada, reconhecendo o direito subjetivo ao acompanhamento especializado por docente e determinando a disponibilização do profissional sem exclusividade, fundamentado em legislação federal e súmula do TJSP. A análise transversal identificou lacunas comuns a ambas as instituições, como a ausência de individualização das peças e decisões, a falta de mecanismos de acompanhamento e fiscalização, a não escuta da família e do aluno, e o foco restrito na presença do profissional de apoio. Concluiu-se que a superação da dependência da judicialização individual requer a reformulação da política pública, a qualificação do processo judicial e o diálogo interinstitucional para uma educação inclusiva efetiva.

Palavras-chave: Direito subjetivo; Profissional de apoio pedagógico; Procuradoria-Geral do Estado; Tribunal de Justiça; Transtorno do espectro autista.

Inscreva-se em nossa newsletter!

Receba conteúdos e fique sempre atualizado sobre as novidades em gestão, liderança e carreira com a Revista E&S.

Ao preencher o formulário você está ciente de que podemos enviar comunicações e conteúdos da Revista E&S. Confira nossa Política de Privacidade