Resumo Executivo

14 de maio de 2026

Desafios da implantação do Scrum no setor de TI

Renan Carlini Martinez; Everton Dias de Oliveira

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

O setor de Tecnologia da Informação apresenta uma relevância econômica e social expressiva, registrando crescimento constante e impactando diretamente a produtividade e a inovação das organizações. Dentro deste cenário, a gestão de projetos é compreendida como a aplicação de conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades de um projeto para atender aos seus requisitos, envolvendo etapas fundamentais de iniciação, planejamento, execução, monitoramento e encerramento (PMI, 2017). Para alcançar objetivos específicos dentro de prazos e custos estabelecidos, as organizações buscam metodologias que ofereçam maior flexibilidade e capacidade de resposta. Os métodos ágeis emergiram como uma alternativa robusta às abordagens tradicionais, proporcionando colaboração e respostas rápidas às mudanças exigidas pelo mercado globalizado. Metodologias como o Scrum e o Kanban tornaram-se populares não apenas no desenvolvimento de sistemas, mas em diversos outros segmentos que demandam dinamismo (Beck et al., 2001).

A base conceitual do Scrum fundamenta-se na organização e otimização do trabalho em equipe, especialmente em ambientes complexos. O framework parte da premissa de que projetos desafiadores não podem ser planejados integralmente desde o início, devendo ser conduzidos de forma incremental e adaptativa. Para tanto, o trabalho é organizado em Sprints, que são ciclos curtos e fixos de tempo, geralmente com duração de duas a quatro semanas, nos quais um incremento de valor é entregue ao final de cada ciclo (Scrum Guide, 2020). O foco reside em promover entregas contínuas, inspeção frequente dos resultados e adaptação constante às mudanças de escopo ou prioridade. O framework apoia-se em três pilares fundamentais: a transparência, que garante visibilidade sobre os processos e metas; a inspeção, que permite a avaliação frequente do progresso; e a adaptação, que possibilita ajustes imediatos para manter o alinhamento com os objetivos estratégicos do projeto.

Entretanto, a implantação desses métodos frequentemente encontra dificuldades significativas nas organizações. A resistência às mudanças por parte das equipes, a falta de clareza na comunicação interna e as deficiências na capacitação dos colaboradores são obstáculos comuns enfrentados durante o processo de transição (Highsmith, 2011). A adoção apressada ou inadequada dessas práticas tende a elevar o nível de estresse entre os profissionais, resultando em prazos perdidos e entregas que não atingem as expectativas internas ou externas (Sutherland, 2014). A compreensão dessas dificuldades é vital para que a gestão tome decisões eficazes, adaptando as práticas de maneira fluida. A comunicação clara e contínua surge como peça-chave para garantir o alinhamento entre as equipes e os stakeholders, permitindo agilidade na resolução de problemas. Barreiras de comunicação podem surgir devido a diferenças culturais ou falta de ferramentas adequadas que suportem processos colaborativos. A implementação de metodologias ágeis exige mudanças profundas na cultura organizacional, o que demanda esforços adicionais em treinamento e sensibilização para superar a resistência inicial de equipes acostumadas a modelos tradicionais.

A investigação foi estruturada por meio de uma pesquisa qualitativa, que coleta e analisa dados para identificar padrões e relações entre variáveis (Sampieri, Collado e Lucio, 2013). Utilizou-se a técnica de levantamento, caracterizada como uma investigação que obtém informações diretamente dos respondentes sobre determinado fenômeno, permitindo uma análise objetiva dos dados (Gil, 2008). O estudo concentrou-se em profissionais envolvidos diretamente com a gestão de projetos no setor de Tecnologia da Informação, utilizando um formulário digital para a coleta estruturada. O instrumento de pesquisa foi dividido em três seções principais: o perfil do respondente, abrangendo dados demográficos e profissionais; a identificação das dificuldades e benefícios percebidos na implementação do Scrum; e as práticas recomendadas para facilitar a adoção e o amadurecimento do método nas equipes. As questões foram elaboradas com suporte na literatura técnica e em práticas recomendadas por guias internacionais de gestão (PMI, 2017; Scrum Guide, 2020).

A amostragem foi obtida por meio de redes profissionais, totalizando 52 respostas completas, o que garantiu a representatividade estatística necessária para o diagnóstico. O objeto de estudo compreendeu empresas de Tecnologia da Informação que possuem estruturas organizacionais compostas por departamentos de desenvolvimento de software, infraestrutura, qualidade, suporte técnico e gestão de produtos. A análise concentrou-se prioritariamente em profissionais das áreas de desenvolvimento e gestão, por serem os principais atores na aplicação prática do framework. Os dados coletados foram tabulados e analisados quantitativamente por meio de estatística descritiva, considerando indicadores como tempo de entrega, incidência de retrabalho e satisfação das equipes. Posteriormente, empregou-se o Diagrama de Causa e Efeito para identificar as causas raízes dos problemas levantados (Ishikawa, 1990). Também foi elaborada uma matriz SWOT para permitir uma análise estratégica simplificada, auxiliando na definição de recomendações práticas para mitigar as dificuldades identificadas (Fernandes, 2012).

O detalhamento metodológico incluiu a análise de rituais específicos do Scrum, como as reuniões diárias, reuniões de planejamento, revisões periódicas e retrospectivas de melhoria contínua. O processo operacional de coleta de dados seguiu um fluxo rigoroso, iniciando com a validação do questionário e seguindo para a distribuição digital. A análise dos resultados buscou correlacionar a experiência profissional dos respondentes com a percepção de barreiras culturais e técnicas. A utilização do Diagrama de Ishikawa permitiu organizar as causas em categorias adaptadas ao contexto tecnológico, como pessoas, métodos, gestão, comunicação, ferramentas e ambiente organizacional. Essa abordagem sistêmica possibilitou que o diagnóstico não ficasse restrito a sintomas superficiais, atingindo os fatores estruturais que impedem a agilidade plena. A matriz SWOT complementou essa visão ao cruzar as forças internas das equipes com as oportunidades de mercado, fornecendo uma base sólida para a proposta de melhoria.

Os resultados obtidos revelam que a amostra é composta por profissionais em fase madura da carreira, com 44,2% dos participantes situados na faixa etária entre 26 e 35 anos, e 34,6% entre 36 e 49 anos. Quanto ao gênero, 51,9% identificaram-se como masculinos e 32,7% como femininos. No que tange ao nível de atuação, 42,3% atuam como analistas ou desenvolvedores, enquanto 34,6% ocupam cargos de nível tático ou gerencial e 23,1% estão em posições de direção estratégica. A experiência na área é significativa, visto que 53,8% dos respondentes possuem mais de seis anos de atuação no setor de Tecnologia da Informação. Além disso, cerca de 79% dos participantes afirmaram já ter participado diretamente de projetos utilizando o Scrum, o que confere alta confiabilidade às percepções reportadas sobre os desafios e benefícios do método.

A principal dificuldade apontada pelos profissionais foi a pouca familiaridade com os valores e práticas do Scrum, mencionada por 76,9% dos respondentes. Este dado indica que, apesar da popularidade do modelo ágil, ainda existe uma carência de conhecimento prático e teórico profundo, o que compromete a eficácia da metodologia em ambientes reais. Outros três obstáculos apresentaram o mesmo percentual de ocorrência, atingindo 67,3% cada: a cultura organizacional inadequada, a falta de clareza na comunicação interna e a dificuldade em definir claramente os papéis de Scrum Master, Product Owner e equipe de desenvolvimento. Esses fatores demonstram que os desafios estão intrinsecamente ligados a aspectos culturais e estruturais de alinhamento. A falta de comprometimento da liderança foi citada por 63,5% dos participantes, reforçando que o sucesso da agilidade depende do suporte ativo da alta gestão. A capacitação insuficiente foi lembrada por 44,2%, enquanto a resistência à mudança das equipes foi apontada por 38,5%. O item menos citado foi a falta de ferramentas adequadas, com 30,8%, sugerindo que o desafio tecnológico é percebido como menos impactante do que os fatores humanos e comportamentais.

Em contrapartida, os benefícios percebidos são expressivos. A maior produtividade foi o ganho mais citado, com 63,5% das respostas, sinalizando que a adoção do Scrum potencializa a capacidade de entrega e o desempenho das equipes. A maior adaptabilidade às mudanças foi mencionada por 57,7% dos profissionais, o que se alinha à essência do ágil em responder rapidamente a contextos incertos. A melhoria contínua dos processos recebeu destaque de 51,9% dos respondentes, evidenciando que o framework funciona como um instrumento eficaz para reflexões frequentes e ajustes constantes. Outros benefícios incluíram a melhoria na comunicação entre as equipes, com 42,3%, e o melhor gerenciamento do tempo e dos prazos, com 34,6%. Tais percepções refletem o impacto positivo das cerimônias ágeis no alinhamento contínuo dos times. No entanto, o aumento na satisfação dos clientes e a redução de riscos foram menos destacados, com 25% e 21,2% respectivamente, o que pode indicar que essas vantagens são percebidas de forma mais lenta ou estão mais associadas ao nível estratégico da organização.

A análise das causas, realizada por meio do Diagrama de Ishikawa, permitiu identificar que, na categoria Pessoas, a falta de capacitação e a resistência natural à mudança são os fatores predominantes. No que diz respeito ao Método, a indefinição de papéis e a condução inadequada das cerimônias prejudicam a fluidez do trabalho. Na dimensão da Gestão, a ausência de uma governança adaptada e a baixa priorização do ágil na estratégia organizacional surgem como barreiras críticas. A Comunicação falha entre áreas e o desalinhamento de expectativas geram ruídos que impactam os resultados. Quanto às Ferramentas, a carência de soluções para visualização de tarefas dificulta o controle do fluxo. Por fim, o Ambiente Organizacional hierarquizado e focado excessivamente em controle e previsibilidade desestimula a experimentação necessária para a agilidade. Esses achados corroboram a literatura que aponta a necessidade de uma abordagem sistêmica para a transformação ágil (Highsmith, 2011).

A matriz SWOT consolidou o diagnóstico ao identificar como forças o alto potencial de produtividade e o foco na entrega de valor. Como fraquezas, destacaram-se a falta de definição de papéis e o baixo engajamento da liderança. As oportunidades residem na crescente demanda do mercado por agilidade e na evolução constante das ferramentas de apoio. Já as ameaças incluem a resistência cultural e a percepção de que o método pode gerar burocracia se mal aplicado. Para superar esses desafios, recomenda-se o investimento em capacitação contínua e modular, permitindo que os profissionais avancem conforme o nível de maturidade da equipe. A clarificação de responsabilidades é essencial para prevenir conflitos operacionais e ambiguidade de funções. É imprescindível que os líderes atuem como agentes facilitadores, patrocinando as mudanças de forma visível e comunicando os objetivos estratégicos com clareza.

A comunicação interna deve ser tratada como um pilar da transformação, estabelecendo canais formais de feedback e reuniões regulares de alinhamento. A adoção de soluções tecnológicas que apoiem a visualização e a gestão das tarefas, como softwares de acompanhamento de ciclos iterativos, pode aumentar a eficiência sem impor complexidade desnecessária. No ambiente organizacional, é necessário promover uma mudança gradual, utilizando programas de sensibilização e campanhas educativas que reforcem os valores de colaboração e transparência. A implantação deve ocorrer de forma adaptativa, iniciando-se por projetos-piloto que permitam a experimentação controlada e o ajuste de processos antes de uma escala organizacional ampla. O uso de indicadores de desempenho ágil, como tempo de ciclo e previsibilidade de entregas, é fundamental para embasar as decisões de melhoria. Estima-se que uma adoção estruturada possa gerar ganhos de até 35% na previsibilidade das entregas e reduzir o retrabalho em aproximadamente 30%, conforme as expectativas alinhadas aos dados empíricos coletados.

A discussão dos resultados enfatiza que o Scrum não é apenas um conjunto de rituais, mas um modelo de trabalho voltado à entrega de valor e ao empoderamento das equipes. A resistência encontrada reflete a dificuldade de transição de modelos mentais rígidos para modelos flexíveis. A liderança desempenha um papel vital ao criar um ambiente de confiança que minimize o medo do erro e incentive a aprendizagem contínua. A falta de familiaridade com os rituais, apontada pela maioria, sugere que treinamentos teóricos isolados são insuficientes, sendo necessária a mentoria prática no dia a dia dos projetos. A integração entre as áreas de desenvolvimento e os stakeholders de negócio deve ser fortalecida para que a agilidade técnica se traduza em agilidade organizacional. As limitações observadas durante a investigação incluíram a disponibilidade restrita de profissionais para entrevistas em profundidade, mas o volume de respostas do levantamento permitiu um diagnóstico robusto das fragilidades atuais no setor de Tecnologia da Informação.

Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que se identificaram os principais desafios na implantação do Scrum, destacando-se a resistência cultural, a falha na definição de papéis e a carência de apoio da liderança como os maiores entraves. A pesquisa demonstrou que, embora existam benefícios claros em produtividade e adaptabilidade, a eficácia do método depende de uma transformação organizacional profunda que vai além da adoção de ferramentas. O diagnóstico realizado por meio do Diagrama de Ishikawa e da matriz SWOT forneceu uma base sólida para as recomendações de melhoria, enfatizando a necessidade de capacitação contínua e de uma governança adaptada ao modelo ágil. O estudo reforça que o sucesso da agilidade em Tecnologia da Informação exige um esforço coordenado entre pessoas, processos e cultura, garantindo que a entrega de valor seja constante e alinhada às mudanças dinâmicas do mercado contemporâneo.

Referências Bibliográficas:

“Scrum” Guide. (2020). The “Scrum” Guide™ – The Definitive Guide to “Scrum”: The Rules of the Game. Ken Schwaber & Jeff Sutherland. Disponível em: https://”Scrum”guides.org/”Scrum”-guide.html. Acessado em: 09 de mar. 2025.

Beck, K., et al. (2001). Manifesto Ágil. Disponível em: http://agilemanifesto.org/iso/ptbr/manifesto.html. Acessado em: 09 de mar. 2025.

Fernandes, Djair Roberto. 2012. Uma Visão Sobre a Análise da Matriz SWOT como Ferramenta para Elaboração da Estratégia, Londrina, PR, Brasil. Revista de Administração e Inovação, v. 9, n. 2, p. 123-137.

Gil, A. C. (2008). Métodos e Técnicas de Pesquisa Social (6ª ed.). São Paulo: Atlas.

Highsmith, J. (2011). Gerenciamento de Projetos Ágeis: Criando Produtos Inovadores. São Paulo: Bookman.

Ishikawa, K. (1990). Introduction to Quality Control. Tóquio: 3A Corporation.

PMI – Project Management Institute. (2017). Guia PMBOK: Um guia do conhecimento em gerenciamento de projetos (6ª ed.)

Sampieri, R. H., Collado, C. F., & Lucio, P. B. (2013). Metodologia de Pesquisa (5ª ed.). São Paulo: McGraw-Hill

Sutherland, J. (2014). “Scrum”: A Arte de Fazer o Dobro do Trabalho na Metade do Tempo. Rio de Janeiro: Leya.

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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