Resumo Executivo

04 de maio de 2026

Educação Financeira para Mulheres na Geração Sanduíche

Kettlyn da Costa Moreira; Nubia Gabriela Pereira Carvalho

Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.

Nas últimas décadas, o aumento progressivo da expectativa de vida e as profundas transformações nos âmbitos social, demográfico e econômico forçaram as estruturas familiares a uma reorganização em novos formatos. Um fenômeno coexistente e de relevância crescente é o de indivíduos que assumem, de maneira simultânea, o cuidado de pais idosos e de filhos, configuração que a literatura denomina como geração sanduíche. Esse termo, reconhecido no final do século XX, descreve pessoas que se encontram comprimidas entre as demandas de diferentes gerações, enfrentando uma combinação complexa de tarefas que pode variar em multicamadas, como no caso do sanduíche clube, onde a rede de cuidados se estende por mais de duas gerações (Brody; Miller, 1981). A sistematização desses perfis de cuidadores permite identificar categorias distintas, como a geração sanduíche tradicional, composta por adultos que cuidam de pais idosos e filhos pequenos; o club sandwich, que abrange adultos entre 40 e 60 anos assistindo pais idosos, filhos adultos ou netos; e o sanduíche aberto, que engloba qualquer pessoa envolvida no suporte a idosos (Ashais, 2023). Essa tipologia evidencia a diversidade de papéis assumidos e as variadas condições financeiras que ampliam os desafios enfrentados por esse grupo, fundamentando análises sobre o impacto social e emocional dessa vivência (Idoeta, 2023).

A caracterização desses cuidadores revela que o acúmulo de responsabilidades financeiras, familiares e emocionais é uma constante em diferentes realidades culturais. Investigações sobre os entraves enfrentados por essa geração apontam que a gestão do tempo, as demandas financeiras e as sobrecargas física e emocional são fatores que se intensificam especialmente em contextos de duplo rendimento familiar (Khanikar, 2022). Sob a perspectiva brasileira, observa-se que esse arranjo é composto majoritariamente por mulheres que assumem simultaneamente o cuidado de descendentes e ascendentes (Feijó, 2025). Esse cenário é influenciado por transformações sociodemográficas, como a mudança na norma da maternidade, que transitou de um modelo precoce para um modelo tardio. Essa transição consolidou-se como uma realidade crescente, impulsionada pela redução da fecundidade, pelo uso de métodos contraceptivos e pelo maior poder de escolha da mulher em adiar a gravidez em busca de projetos profissionais e estabilidade financeira (Moreira; Nardi, 2009). No entanto, essa dupla responsabilidade impõe uma carga financeira significativa, tornando a educação financeira um aspecto crucial para o equilíbrio familiar e o planejamento a longo prazo.

A literacia financeira desempenha um papel fundamental no processo de tomada de decisão, abrangendo tanto a compreensão teórica quanto a aplicação prática do conhecimento para promover a estabilidade econômica. Diante das transformações econômicas recentes, houve uma ampliação no uso de tecnologias digitais voltadas para o gerenciamento de finanças pessoais. Ferramentas acessíveis via dispositivos móveis e computadores oferecem desde funções básicas, como o registro de receitas e despesas, até recursos avançados, como a criação de planejamentos detalhados, avaliações de crédito e construção de metas integradas a sistemas financeiros abertos. A utilização dessas soluções, fomentada por instituições de proteção ao crédito, permite que os indivíduos realizem diagnósticos precisos de suas condições financeiras e adotem comportamentos mais conscientes. A aplicação de conceitos de gestão de projetos a esse cotidiano, mediante o uso de instrumentos que facilitem a organização de hábitos financeiros, constitui um fundamento para a promoção da segurança econômica da geração do meio e de seus dependentes.

O percurso metodológico adotado para a compreensão desse fenômeno baseou-se em uma pesquisa aplicada, com o intuito de oferecer contribuições práticas ao contexto das mulheres que conciliam cuidados intergeracionais. A abordagem mista integrou aspectos qualitativos e quantitativos, possuindo caráter exploratório e descritivo para permitir o levantamento inicial de informações e a caracterização detalhada do problema. Os procedimentos técnicos envolveram a pesquisa bibliográfica e a pesquisa de levantamento, estratégias fundamentais para a coleta e análise dos dados. O material utilizado resultou da observação de problemáticas recorrentes em ambientes de trabalho e grupos sociais, associadas às transformações que afetam a sociedade contemporânea. O planejamento da coleta de dados previu a realização de encontros presenciais e virtuais ao longo de cinco meses, com uma meta de atingir 60 participantes, o que resultaria em uma média de 12 pessoas por mês. As participantes elegidas foram majoritariamente mulheres pertencentes ao grupo sanduíche, convidadas antecipadamente por mensagens de comunicação pessoal.

Na modalidade presencial, as abordagens ocorreram com colegas de trabalho em encontros com duração entre 40 e 60 minutos. Essas reuniões foram realizadas em ambientes informais, como o café da empresa, sem a necessidade de agendas corporativas rígidas, utilizando comunicados via aplicativos de mensagens para o alinhamento de datas. No formato on-line, a aplicação ocorreu por meio de plataformas de videoconferência e questionários digitais, complementados por esclarecimentos remotos. As discussões durante esses encontros focaram na apresentação do conceito de geração do meio e na importância desse conhecimento para o acolhimento em ambientes corporativos, familiares e comunitários. Debateram-se os impactos na saúde mental, como as oscilações emocionais e o estresse, e como esses fatores influenciam a rotina necessária para o desempenho dos papéis familiares. Além disso, promoveu-se a reflexão sobre o fenômeno do endividamento, destacando a sobrecarga financeira e a pressão por manter padrões de vida sem o devido planejamento.

A coleta de dados quantitativos foi realizada por meio da plataforma Google Forms, com um questionário composto por perguntas fechadas e restrito ao público feminino com idade igual ou superior a 35 anos. Esse instrumento serviu como complemento às informações obtidas nas reuniões, permitindo uma análise mais ampla das práticas de autocuidado e gestão financeira. Ao final do período de coleta, obteve-se a participação de 50 pessoas, representando uma aderência significativa de mulheres em cargos de liderança e nível sênior, que totalizaram 20% da amostra. Os encontros presenciais foram divididos em três momentos distintos, contando com grupos pequenos para garantir a profundidade dos relatos. O formato on-line, por sua vez, possibilitou um alcance maior, com reuniões quinzenais que agruparam uma média de cinco a seis pessoas por sessão, totalizando 28 participantes distribuídas em cinco encontros virtuais. Observou-se que o tema despertou curiosidade especialmente entre profissionais em cargos de alta gestão, embora a indisponibilidade de agenda tenha concentrado a participação desse perfil no formato remoto.

O tratamento dos dados garantiu o sigilo e o anonimato das participantes, dispensando a necessidade de assinaturas físicas ou digitais para assegurar a confidencialidade. A análise combinou a revisão bibliográfica com os resultados do questionário e os relatos das reuniões, visando captar sentimentos como gratidão, acolhimento, culpa e comparação. Esses elementos permitiram contrapor as diferentes experiências vividas pela geração do meio. A pesquisa concentrou-se em mulheres na faixa etária entre 35 e 50 anos, período que coincide com a fase de conciliação de cuidados com filhos e pais. Até o fechamento do levantamento, as ocupações das respondentes revelaram uma predominância de profissionais formalmente empregadas sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho, representando 66,7% da amostra. Os demais 33,3% dividiram-se entre profissionais autônomas, mulheres dedicadas exclusivamente às tarefas domésticas e aposentadas, o que indica uma heterogeneidade nas situações de trabalho e nos recursos disponíveis para a organização financeira familiar.

No que tange à composição familiar, os dados evidenciaram que 50% das participantes possuem filhos em idade escolar ou adolescentes, enquanto 83,3% dos pais dessas mulheres encontram-se na faixa etária acima de 60 anos. Essa configuração reforça o caráter intergeracional das responsabilidades assumidas. Quanto ao estado civil, observou-se a predominância de indivíduos casados ou em união estável, correspondendo a mais da metade das participantes, com representações menores de solteiras, divorciadas e viúvas. Independentemente do arranjo conjugal, os desafios relatados foram semelhantes. Expressões indicando que a responsabilidade recai majoritariamente sobre a mulher foram quase unânimes, sugerindo que, mesmo com a presença de um parceiro, a maior parte das decisões e dos direcionamentos emocionais e práticos ainda é centralizada na figura feminina. A falta de proatividade dos companheiros foi um ponto de desequilíbrio destacado nos relatos, evidenciando que a sobrecarga não é apenas financeira, mas também de gestão do núcleo familiar.

Os principais desafios identificados concentram-se na organização financeira para sustentar múltiplas gerações, na gestão do tempo para conciliar a vida profissional e pessoal e no cuidado com a própria saúde mental. Os relatos foram carregados de uma autocobrança excessiva, muitas vezes enraizada em memórias afetivas da infância, onde a figura materna era a referência exclusiva para as tarefas do lar. Essa herança cultural influencia a forma como as mulheres de hoje percebem seus papéis, gerando um conflito entre o desejo de reproduzir práticas de cuidado tradicionais e a necessidade de construir novos cenários de vida. Algumas participantes manifestaram a intenção de romper com esse ciclo, incentivando que tanto filhos quanto filhas executem atividades domésticas de forma equânime. A troca de experiências nas rodas de conversa revelou que, embora em cenários diferentes, os sentimentos de isolamento e a falta de compreensão sobre as pressões diárias são comuns a 30% das mulheres questionadas.

A percepção de que as filhas possuem a obrigação moral de retribuir os cuidados recebidos dos pais ainda é um conceito cultural muito presente, recaindo frequentemente sobre a irmã mais velha em famílias com mais mulheres. A maioria das respondentes acredita que as mulheres enfrentam desafios superiores aos dos homens nessa fase da vida, devido à carga histórica e cultural que as posiciona como cuidadoras principais. Com o objetivo de mitigar esses impactos, a investigação buscou oferecer ferramentas simplificadas de gestão de projetos. A seleção de softwares como Trello e Asana, além do uso de agendas digitais, justificou-se pela interface visual intuitiva e pela ausência de necessidade de conhecimentos técnicos avançados. Essas ferramentas permitem a gestão de tarefas por seções e o controle unificado de compromissos, sendo adequadas para o planejamento pessoal e financeiro sem a complexidade de sistemas corporativos robustos. A disponibilidade de versões gratuitas amplia o acesso, contribuindo para a melhoria da organização nas dimensões familiar e profissional.

A análise das práticas de saúde física revelou que, embora 70% das participantes mantenham uma alimentação equilibrada semanalmente, apenas 50% conseguem realizar atividades físicas com a mesma frequência, e 33% o fazem raramente. No âmbito da saúde emocional, a conscientização sobre a necessidade de terapia é alta, com 60% realizando acompanhamento quinzenal. Entretanto, práticas que fortalecem o equilíbrio emocional, como a leitura e o autoconhecimento, apresentam índices de negligência, com 30% das mulheres realizando-as raramente. No campo financeiro, 40% das participantes afirmaram possuir conhecimento básico em educação financeira, mas a falta de constância na aplicação desses conceitos é um obstáculo. Apenas 25% realizam planejamento mensal de forma semanal, e 60% raramente utilizam aplicativos financeiros para o controle de gastos. Essa lacuna entre o conhecimento teórico e a prática cotidiana corrobora a necessidade de estratégias que incentivem a disciplina e o uso de ferramentas de suporte.

A sobrecarga identificada dialoga com estudos clássicos que já ressaltavam o peso das responsabilidades familiares sobre as mulheres na geração sanduíche (Brody; Miller, 1981). A realidade refletida nos dados mostra que a responsabilidade pelo cuidado tende a recair sobre as mulheres mesmo em diferentes arranjos familiares, o que gera um desequilíbrio na divisão das tarefas domésticas. O sentimento de culpa e a autocobrança identificados nas discussões confirmam que o aumento da expectativa de vida e a redução da fecundidade intensificaram a convivência intergeracional, ampliando o peso da carga de cuidados (Jesus; Wajnman, 2016). Essa pressão cultural e histórica é confirmada pela disparidade na proporção de mulheres da geração sanduíche fora do mercado de trabalho em comparação aos homens (Feijó, 2025). A negligência com o autocuidado, apontada por cerca de 20% das participantes, revela a perpetuação de padrões onde a mulher deve assumir a responsabilidade principal pelo bem-estar dos ascendentes e descendentes, muitas vezes em detrimento de sua própria saúde.

A análise dos resultados demonstra que a educação financeira, quando associada a práticas de gestão de projetos simplificadas, representa um caminho viável para reduzir os impactos da sobrecarga. A utilização de métodos organizacionais pode proporcionar maior autonomia e qualidade de vida, permitindo que essas mulheres gerenciem melhor o tempo e os recursos financeiros. É imperativo que existam políticas públicas e iniciativas privadas que ofereçam suporte real a essa população, em consonância com recomendações que defendem estratégias multissetoriais de apoio às famílias multigeracionais (Bowen; Riley, 2005). A pesquisa reforça que o cuidado e as ações voltadas à educação financeira e ao incentivo ao autocuidado são essenciais para aliviar a carga dessa geração. Programas que ofereçam desde treinamentos práticos até orientações sobre planejamento financeiro podem contribuir significativamente para o equilíbrio entre as esferas pessoal, profissional e familiar.

Além dos desafios, a experiência de estar entre gerações também foi ressignificada por muitas participantes como uma oportunidade de aprendizado e uma forma de gratidão aos pais. Esse papel, embora exaustivo, é visto como uma missão em relação aos filhos, permitindo a construção de um legado intergeracional e o fortalecimento da identidade familiar. A literacia financeira, portanto, não deve ser vista apenas como uma competência técnica, mas como uma ferramenta de empoderamento que permite lidar com imprevistos e garantir a segurança econômica de todo o núcleo familiar (Louzada; Forte, 2024). A importância da gestão pessoal e do controle de gastos torna-se ainda mais evidente quando se considera a necessidade de formação de reservas de emergência e o planejamento para a própria aposentadoria, evitando que o ciclo de dependência financeira se repita nas gerações futuras (Silva; Monteiro, 2023).

Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que se compreendeu como a educação financeira e a gestão de projetos podem fundamentar a organização dos hábitos de mulheres da geração sanduíche. A pesquisa evidenciou que a sobrecarga emocional e financeira é agravada por fatores culturais e pela centralização das responsabilidades na figura feminina, resultando em negligência com o autocuidado e dificuldades na manutenção de controles financeiros consistentes. A identificação de que 40% das participantes possuem conhecimentos básicos, mas falham na aplicação prática, reforça a necessidade de ferramentas intuitivas e acessíveis. A utilização de instrumentos de gestão e o estímulo a políticas de suporte configuram-se como estratégias essenciais para ampliar a autonomia e o equilíbrio dessas mulheres. O estudo demonstrou que, apesar dos desafios intensos, a ressignificação do papel de cuidadora e a adoção de práticas organizacionais permitem a promoção da estabilidade econômica e a melhoria da qualidade de vida intergeracional.

Referências Bibliográficas:

Line 4: Khanikar, A. (2015). Elderly Parents: Caregiving Challenges of Sandwich Generation.

Line 5: Feijó, J. (2025). Proporção de mulheres da geração sanduíche fora do mercado é quase seis vezes maior que a de homens. Portal FGV. Disponível em: <https://portal.fgv.br/artigos/proporcao-mulheres-geracao-sanduiche-fora-mercado-e-quase-seis-vezes-maior-homens>. Acesso em: 05/06/2025.

Line 6: Moreira, L. E.; Nardi, H. C. (2009). Mãe é tudo igual? Enunciados produzindo maternidade(s) contemporânea(s). Revista Estudos Feministas, 17(2), 569–594.

Line 7: Jesus, C. J.; Wajnman, S. (2016). Geração sanduíche: é realidade ou mito? Revista Latinoamerica de Población, 10(18).

Line 8: Bowen, C.; Riley, L. (2005). A geração sanduíche: desafios e estratégias de enfrentamento de famílias multigeracionais. The Family Journal, 13(1), 52–58. DOI: 10.1177/10

Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão de Projetos do MBA USP/Esalq

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