Artigo

Gestão Escolar

07 de outubro de 2026

Cultura Organizacional Baseada em Valores: Engajamento dos Colaboradores e Papel da Liderança em Escola Confessional

Simone Aparecida Ferreira Soares; Marcos César Rodrigues de Miranda

DOI: 10.22167/2675-6528-202603650

Artigo derivado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), com conteúdo baseado no trabalho original do aluno e adaptado ao formato editorial da Revista E&S com apoio da ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege para síntese e organização textual.

Resumo

O ambiente escolar depende de práticas pedagógicas eficazes e de uma cultura organizacional capaz de promover o alinhamento entre valores institucionais e o comportamento dos profissionais. O estudo analisou a influência da cultura organizacional baseada em valores no engajamento dos colaboradores em uma instituição educacional confessional católica, considerando o papel da liderança na consolidação dessa cultura e na construção do ambiente de trabalho. A pesquisa caracterizou-se como descritiva, com abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de um estudo de caso. Utilizou-se revisão de literatura, análise documental e dados de um questionário de clima organizacional aplicado aos colaboradores em 2026. Os resultados evidenciaram que a presença de valores institucionais claros e compartilhados, associada à atuação das lideranças, contribuiu para o fortalecimento do senso de pertencimento, da cooperação e do comprometimento dos colaboradores. Observou-se predominância de percepções positivas nas dimensões analisadas, com destaque para o elevado nível de engajamento. Identificaram-se, contudo, pontos de atenção relacionados à comunicação interna, à integração entre equipes e à abertura ao diálogo, especialmente na dimensão ambiente de trabalho. Concluiu-se que a cultura organizacional baseada em valores constitui elemento relevante para promover o engajamento dos colaboradores no ambiente escolar, embora sua sustentabilidade dependa da atuação integrada das lideranças e do fortalecimento contínuo das práticas de gestão.

Palavras-chave: Ambiente de trabalho; Clima institucional; Cultura organizacional; Engajamento; Liderança.

1. Introdução

A educação constitui um pilar fundamental para o desenvolvimento humano, social e cultural, contribuindo para a formação de indivíduos críticos, éticos e conscientes de seu papel na sociedade. Nesse contexto, as instituições educacionais transcendem a mera transmissão de conhecimento, assumindo a responsabilidade pela formação integral, que abrange a construção de valores, o desenvolvimento de competências socioemocionais e a promoção de relações humanas significativas no ambiente escolar.

A escola, como espaço social complexo, articula de forma indissociável as relações humanas, a organização institucional e os processos pedagógicos, influenciando diretamente a qualidade do ensino e o desenvolvimento dos sujeitos envolvidos (Libâneo, 2013). Para que esse processo se concretize de maneira efetiva, é fundamental que o ambiente institucional promova relações de trabalho cooperativas, alinhamento entre os membros da organização e o engajamento dos profissionais que atuam no contexto educacional.

Nesse sentido, a cultura organizacional emerge como um elemento central, pois orienta comportamentos, práticas e relações no interior das instituições. Ela pode ser compreendida como um conjunto de valores, crenças, normas e pressupostos compartilhados que influenciam a forma como os indivíduos percebem, interpretam e atuam no ambiente de trabalho. De acordo com Schein e Schein (2022), a cultura organizacional é construída ao longo do tempo a partir das experiências coletivas da organização, sendo transmitida e reforçada por meio das práticas institucionais e da atuação das lideranças.

No ambiente escolar, essa dimensão adquire relevância ainda maior, especialmente em instituições confessionais, nas quais os valores são elementos estruturantes da identidade institucional. Nesses contextos, os valores organizacionais não apenas orientam as práticas pedagógicas, mas também influenciam diretamente as relações interpessoais, o clima organizacional e o nível de engajamento dos colaboradores. Organizações que desenvolvem uma cultura baseada em valores tendem a promover maior alinhamento entre os objetivos institucionais e as expectativas dos colaboradores, favorecendo o fortalecimento do senso de pertencimento, da motivação e do comprometimento (Barrett, 2017). Esse alinhamento torna-se ainda mais significativo quando associado à atuação das lideranças, responsáveis por traduzir os valores institucionais em práticas concretas no cotidiano organizacional.

O engajamento dos colaboradores, por sua vez, constitui um elemento essencial para o funcionamento das instituições educacionais, estando diretamente relacionado à motivação, ao comprometimento e à qualidade das práticas desenvolvidas no ambiente escolar (Dutra, 2017). Estudos recentes, como os de Madruga (2023), destacam que o engajamento está diretamente associado à experiência vivenciada no ambiente de trabalho, sendo influenciado por fatores como cultura organizacional, práticas de gestão, comunicação interna e qualidade das relações interpessoais.

Diante desse contexto, coloca-se a seguinte questão de pesquisa: de que forma a cultura organizacional baseada em valores, associada à atuação das lideranças, influencia o engajamento dos colaboradores no ambiente escolar? A relevância deste estudo reside na contribuição para a compreensão do papel da cultura organizacional e da liderança na gestão escolar, especialmente em instituições confessionais, nas quais os valores desempenham função estruturante na organização do trabalho e nas relações institucionais. O objetivo deste estudo foi analisar a influência da cultura organizacional baseada em valores no engajamento dos colaboradores em uma instituição educacional confessional católica, considerando também o papel da liderança na consolidação dessa cultura e na construção do ambiente de trabalho.

2. Material e Métodos

A pesquisa caracterizou-se como descritiva, com abordagem qualitativa, desenvolvida por meio de um estudo de caso em uma instituição educacional confessional católica. A instituição investigada é uma escola da rede privada de ensino, que atende à Educação Infantil e ao Ensino Fundamental – Anos Iniciais e Finais, contando com 269 alunos e 58 colaboradores.

Os procedimentos metodológicos incluíram revisão de literatura, análise documental e análise de dados provenientes de questionário de clima organizacional. A revisão de literatura forneceu embasamento teórico sobre cultura organizacional, valores institucionais, engajamento dos colaboradores e papel da liderança.

A análise documental concentrou-se no Projeto Político-Pedagógico e no Regimento Interno (Colégio Santa Clara, 2025b), ambos vigentes no período da pesquisa. Esses documentos foram submetidos à leitura sistemática e interpretativa, com foco na identificação de categorias relacionadas à cultura organizacional, valores institucionais, missão educativa e diretrizes de funcionamento. Para essa análise, utilizou-se a abordagem de análise de conteúdo, conforme Bardin (2011), visando organizar as informações em categorias temáticas alinhadas aos objetivos da pesquisa e subsidiar a interpretação dos dados do questionário de clima organizacional.

Adicionalmente, foram analisados dados de um questionário de clima organizacional aplicado pela gestão da instituição aos colaboradores em fevereiro de 2026. O questionário teve como finalidade promover a escuta dos profissionais e conhecer suas percepções sobre o ambiente institucional. A participação foi anônima, sem identificação individual dos respondentes. Os dados foram disponibilizados para esta pesquisa e analisados de forma agregada, preservando o anonimato dos participantes.

O instrumento do questionário contemplou questões estruturadas em escala Likert e uma questão aberta, abordando aspectos de cultura organizacional, valores institucionais, engajamento dos colaboradores e ambiente de trabalho. Do total de 58 colaboradores da instituição, 36 responderam ao questionário, incluindo professores e funcionários técnico-administrativos. Destaca-se que esta foi a primeira aplicação do instrumento no contexto institucional, não havendo dados históricos para comparação, o que se configura como uma limitação da pesquisa.

A análise dos dados foi realizada de forma interpretativa, buscando estabelecer relações entre os dados empíricos e o referencial teórico. Os resultados foram organizados em categorias de análise, compreendendo: cultura organizacional, valores institucionais, engajamento dos colaboradores, ambiente de trabalho, análises dos dados e das respostas abertas do questionário de clima organizacional e papel da liderança na consolidação da cultura organizacional.

3. Resultados e Discussão

A cultura organizacional da instituição em análise, conforme definido por Fleury e Fischer (2009) e Schein e Schein (2022), é um sistema de significados compartilhados que orienta práticas e comportamentos. Na instituição estudada, essa cultura é um elemento estruturante de sua identidade, construída ao longo de uma trajetória centenária e influenciada por valores fundacionais e pela missão educativa.

A instituição, fundada em 1922 por religiosas franciscanas alemãs, estabeleceu uma proposta educativa pautada na formação humana, religiosa e intelectual, com uma “pedagogia do amor” (Menezes, 1981). Sua missão é “Formar, através da excelência na educação, alunos solidários, competitivos, alto senso crítico, dinâmicos, imbuídos dos valores Evangélicos Cristãos, Franciscanos”. O Projeto Político-Pedagógico (Colégio Santa Clara, 2025a) e o Regimento Interno (Colégio Santa Clara, 2025b) reforçam esses valores, alinhando-se a documentos educacionais nacionais e promovendo uma formação integral que busca o desenvolvimento humano, social, cultural, artístico, religioso e ético dos estudantes.

Valores institucionais e sua presença no cotidiano escolar

Os valores organizacionais, compreendidos como princípios fundamentais que orientam o comportamento (Chiavenato, 2014), são particularmente significativos em instituições confessionais, pois se conectam diretamente à missão. Barrett (2017) destaca que a gestão baseada em valores promove alinhamento entre propósitos individuais e organizacionais, fortalecendo o engajamento dos colaboradores.

Na instituição, os valores evangélicos e franciscanos estão vinculados à tradição e à missão cristã. Eles se manifestam em práticas institucionais como reuniões pedagógicas, momentos formativos e religiosos, e ações solidárias, que incorporam princípios de integração, participação, solidariedade e espiritualidade. A proposta pedagógica enfatiza o “aprender a viver em comum”, estimulando a autonomia, socialização e trabalho em grupo, e valorizando atitudes como solidariedade, responsabilidade e respeito às diferenças. Esses valores, ao serem vivenciados, influenciam as relações e o comprometimento, contribuindo para um ambiente educativo coeso e colaborativo.

Engajamento e comprometimento dos colaboradores no ambiente escolar

O engajamento dos colaboradores é essencial para o funcionamento das instituições educacionais, influenciado pela cultura organizacional, ambiente e práticas de gestão (Dutra, 2017; Madruga, 2023). Os dados da pesquisa indicaram que o engajamento na instituição está associado à identificação com a missão e os valores organizacionais. Observou-se um elevado nível de engajamento, com aproximadamente 85% de concordância, além de 76% para valores institucionais e 74% para cultura organizacional.

As respostas abertas do questionário reforçaram esses resultados, destacando termos como acolhimento, respeito, espiritualidade, fraternidade e sentimento de pertencimento. A atuação da gestão é estratégica para sustentar esse engajamento, promovendo práticas coerentes com os valores, fortalecendo a comunicação interna e criando condições para a participação e o reconhecimento dos colaboradores.

Relação entre cultura organizacional baseada em valores e o engajamento dos colaboradores

A cultura organizacional influencia diretamente atitudes e comportamentos no trabalho, incluindo comprometimento e engajamento (Oliveira e Tamayo, 2004). Em instituições confessionais com tradição consolidada, os valores organizacionais orientam as práticas e o compromisso coletivo com a missão educativa. A cultura baseada em valores cria um ambiente de trabalho coerente, onde os princípios institucionais direcionam decisões e relações, fortalecendo o sentimento de pertencimento e o comprometimento.

Barrett (2017) aponta que organizações com cultura estruturada em valores compartilhados promovem maior alinhamento entre expectativas institucionais e motivações individuais. Na instituição analisada, os valores evangélicos e franciscanos, presentes na missão e proposta pedagógica, contribuem para uma cultura humanista e solidária. Isso é corroborado pelos altos índices de concordância na dimensão de valores institucionais (aproximadamente 76%) e cultura organizacional (cerca de 74%). A valorização do respeito, cooperação, solidariedade e compromisso com a formação integral fortalece as relações e o clima organizacional. A tradição histórica da instituição e a continuidade de seu projeto educativo reforçam o sentimento de identidade institucional, resultando em maior dedicação e comprometimento dos profissionais.

Análise dos dados do questionário de clima organizacional

O questionário de clima organizacional, aplicado em fevereiro de 2026 a 36 dos 58 colaboradores, buscou identificar percepções sobre o ambiente de trabalho, valores e engajamento. O instrumento, com escala Likert, abordou quatro dimensões: cultura organizacional, valores institucionais, engajamento dos colaboradores e ambiente de trabalho. A aplicação do questionário foi uma iniciativa recente, sem dados históricos para comparação, o que constitui uma limitação do estudo.

A Tabela 1 sintetiza os principais resultados obtidos.

Tabela 1. Síntese dos resultados do questionário de clima organizacional

DimensãoDestaque principal% Concordo totalmente (média)Interpretação
Cultura OrganizacionalForte identificação com missão e valores~74%Cultura consolidada
Valores InstitucionaisCoerência entre discurso e prática~76%Valores vivenciados
Engajamento dos ColaboradoresAlto nível de compromisso e pertencimento~85%Engajamento elevado
Ambiente de TrabalhoRespeito consolidado, mas com desafios em integração~66%Ponto de atenção

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Os resultados evidenciaram predominância de respostas nas categorias “Concordo totalmente” e “Concordo parcialmente” em todas as dimensões, indicando uma percepção predominantemente positiva do ambiente institucional. Na dimensão Cultura Organizacional, 91,6% dos colaboradores (74,4% totalmente e 17,2% parcialmente) concordaram com o conhecimento e internalização da missão e valores, indicando percepção de pertencimento (Schein e Schein, 2022). Na dimensão Valores Institucionais, 83,3% concordaram totalmente e 2,8% parcialmente com a promoção de respeito, solidariedade e cooperação, reforçando a coerência entre valores e práticas (Barrett, 2017).

A dimensão Engajamento dos Colaboradores apresentou os resultados mais expressivos, com 85,5% de concordância total e 6,7% parcial, indicando elevado nível de dedicação e identificação com a missão. Um exemplo prático foi a escolha de 9 dos 15 colaboradores com filhos em idade escolar por matriculá-los na própria instituição, sugerindo confiança. Contudo, fatores econômicos e políticas de bolsas também influenciam essas decisões (Robbins, 2005; Dutra, 2017). A taxa de rotatividade, com 6 pedidos de demissão em 2023, 3 em 2024 e 4 em 2025, em um quadro de 68-69 colaboradores, é relativamente baixa, sugerindo estabilidade, mas também deve ser analisada considerando fatores externos e individuais.

A dimensão Ambiente de Trabalho, por sua vez, apresentou maior variabilidade nas respostas. A Tabela 2 detalha essa dimensão.

Tabela 2. Distribuição das respostas da dimensão Ambiente de Trabalho (%)

QuestãoEnunciadoDT (%)DP (%)N (%)CP (%)CT (%)
Q15O ambiente favorece a colaboração entre os profissionais2,88,35,622,261,1
Q16Sinto-me respeitado(a) no ambiente de trabalho2,80,05,616,777,8
Q17Existe diálogo e abertura para ouvir os colaboradores2,85,68,319,463,9
Q18As equipes trabalham de forma integrada5,611,15,616,761,1

Fonte: Resultados originais da pesquisa

Observou-se que os maiores índices de concordância se concentraram na percepção de respeito interpessoal. No entanto, aspectos relacionados à integração entre equipes, comunicação e diálogo apresentaram maior dispersão, evidenciando oportunidades de aprimoramento. Isso sugere que, embora a instituição tenha bases culturais sólidas, ainda existem desafios cotidianos ligados à comunicação interna e ao trabalho integrado. A Tabela 3 apresenta uma visão geral da distribuição das respostas em todas as dimensões.

Tabela 3 – Distribuição das respostas do questionário de clima organizacional (%)

QuestãoDimensãoDTDPNCPCT
1Cultura2,82,80,016,777,8
2Cultura2,82,82,825,066,7
3Cultura2,82,85,616,772,2
4Cultura2,82,85,619,469,4
5Cultura2,82,80,08,386,1
6Valores2,82,82,811,180,6
7Valores2,80,02,82,883,3
8Valores2,82,82,825,066,7
9Valores2,80,05,616,775,0
10Engajamento5,62,85,616,769,4
11Engajamento2,82,82,82,888,9
12Engajamento2,80,02,88,386,1
13Engajamento2,80,02,80,094,4
14Engajamento0,02,82,85,688,9
15Ambiente2,88,35,622,261,1
16Ambiente2,80,05,616,777,8
17Ambiente2,85,68,319,463,9
18Ambiente5,611,15,616,761,1

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A predominância de respostas de concordância em todas as dimensões, com destaque para o engajamento, reforça as evidências da análise documental sobre a influência da cultura organizacional no engajamento. No entanto, a maior dispersão na dimensão ambiente de trabalho e as limitações da pesquisa (ausência de dados históricos e participação parcial) indicam a necessidade de continuidade das práticas de escuta institucional para análises futuras mais consistentes.

Análise das respostas abertas

A questão aberta do questionário convidou os colaboradores a identificar os aspectos da cultura e dos valores que mais contribuem para o engajamento. A análise qualitativa das respostas permitiu identificar padrões relevantes, ilustrados na Figura 1.

Figura 1. Nuvem de palavras das respostas abertas do questionário de clima organizacional

Fonte: Resultados originais da pesquisa

A recorrência de termos como acolhimento, respeito, valores institucionais, trabalho em equipe e espiritualidade indica que o engajamento está fortemente associado a dimensões relacionais e simbólicas. O destaque para “acolhimento”, ligado a relações interpessoais positivas e cuidado, reforça a importância do ambiente relacional (Chiavenato, 2014). Termos como valores, solidariedade, fraternidade, escuta e empatia sugerem que os princípios institucionais são vivenciados no cotidiano (Schein e Schein, 2022).

A frequência de palavras como equipe, colaboração, formação, valorização, diálogo e comunicação evidencia a importância das interações coletivas. Contudo, a variabilidade nos dados quantitativos para essas dimensões sugere que, embora reconhecidas, tais práticas ainda demandam fortalecimento. A menção à espiritualidade, oração, fraternidade e gratidão reflete a identidade confessional e um sentido de propósito compartilhado (Dutra, 2017), onde o trabalho transcende aspectos funcionais.

Papel da liderança na consolidação da cultura organizacional e no engajamento dos colaboradores

A liderança exerce um papel fundamental na construção e fortalecimento da cultura organizacional, traduzindo valores em práticas (Lück, 2009). O regimento escolar explicita que compete à diretora “planejar, dirigir, coordenar e avaliar as atividades do Colégio”, relacionando a liderança à concretização dos princípios filosóficos e educacionais da cultura institucional.

A Figura 2 ilustra a estrutura organizacional da instituição.

Figura 2. Estrutura organizacional da instituição.

Fonte: Resultados originais da pesquisa.

A liderança na instituição é descentralizada, distribuída em níveis administrativo, pedagógico e operacional. Essa configuração de liderança compartilhada exige coerência entre os diferentes líderes para a efetividade da cultura institucional (Schein e Schein, 2022). As lideranças pedagógicas, por exemplo, desempenham um papel central na mediação entre valores e práticas educativas, influenciando o engajamento dos professores.

No entanto, a existência de múltiplos níveis de liderança também implica desafios, especialmente na comunicação, integração entre setores e articulação de práticas, conforme evidenciado pela maior variação nas respostas da dimensão ambiente de trabalho. O fortalecimento da integração entre as lideranças, por meio de reuniões intersetoriais, espaços de diálogo e práticas de gestão participativa, é estratégico para a melhoria do ambiente de trabalho e a consolidação de uma cultura organizacional mais integrada.

Os resultados da pesquisa indicam que a cultura organizacional da instituição, fundamentada em valores evangélicos e franciscanos, apresenta forte alinhamento com as percepções dos colaboradores, refletido nos elevados índices de engajamento. Esse alinhamento manifesta-se tanto nos dados quantitativos quanto nas respostas qualitativas, que reforçam a presença de elementos como acolhimento, respeito, espiritualidade e sentimento de pertencimento. Por outro lado, a análise também evidencia pontos de atenção relacionados à dimensão ambiente de trabalho, especialmente no que se refere à comunicação interna, à integração entre equipes e à abertura ao diálogo, indicando a necessidade de aprimoramento nessas áreas. Nesse contexto, o papel estratégico da liderança, com atuação articulada e alinhada aos valores institucionais, é fundamental para a manutenção dos aspectos positivos e para o enfrentamento dos desafios apontados, constituindo um elemento central para o fortalecimento contínuo do ambiente institucional.

4. Conclusão

O presente estudo analisou a influência da cultura organizacional baseada em valores no engajamento dos colaboradores em uma instituição educacional confessional católica, considerando o papel da liderança na consolidação dessa cultura e na construção do ambiente de trabalho. Verificou-se que a cultura organizacional da instituição, profundamente enraizada em valores evangélicos e franciscanos, constitui um elemento estruturante de sua identidade, orientando tanto as práticas pedagógicas quanto as relações interpessoais. Os resultados evidenciaram um elevado nível de engajamento dos colaboradores, associado à forte identificação com a missão e os valores institucionais, conforme indicado por uma predominância de percepções positivas nas dimensões analisadas. Observou-se que a vivência de princípios como acolhimento, respeito, espiritualidade e fraternidade contribuiu significativamente para o senso de pertencimento, a cooperação e o comprometimento dos profissionais. A principal contribuição deste trabalho reside na demonstração de que uma cultura organizacional sólida, alinhada a valores compartilhados e vivenciados, é fundamental para promover o engajamento no ambiente escolar, oferecendo um diagnóstico que reforça a importância da gestão baseada em valores para a sustentabilidade institucional.

Contudo, a pesquisa identificou pontos de atenção na dimensão ambiente de trabalho, especialmente no que se refere à comunicação interna, à integração entre equipes e à abertura ao diálogo, aspectos que apresentaram maior variabilidade nas respostas e indicam desafios cotidianos. A atuação da liderança, embora descentralizada, mostrou-se estratégica para traduzir os valores em práticas, mas a necessidade de maior articulação entre os diferentes níveis de gestão foi apontada como crucial para aprimorar o ambiente de trabalho. Como limitações do estudo, destaca-se a primeira aplicação do questionário de clima organizacional, sem dados históricos para comparação, e a participação parcial dos colaboradores. Sugere-se para estudos futuros a continuidade das práticas de escuta institucional e o acompanhamento sistemático do clima organizacional, por meio de novas aplicações do questionário, a fim de permitir análises comparativas e um aprofundamento na compreensão da dinâmica institucional e dos impactos das estratégias de melhoria.

Referências Bibliográficas

Bardin, L. 2011. Análise de conteúdo. Edições 70, São Paulo, SP, Brasil.

Barrett, R. 2017. A organização dirigida por valores. Alta Books, Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

Chiavenato, I. 2014. Gestão de pessoas. Manole, Barueri, SP, Brasil.

Colégio Santa Clara. 2025a. Projeto Político-Pedagógico. Goiânia, GO, Brasil.

Colégio Santa Clara. 2025b. Regimento Interno. Goiânia, GO, Brasil.

Dutra, J. S. 2017. Gestão de pessoas: modelo, processos, tendências e perspectivas. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Fleury, M. T. L.; Fischer, R. M. 2009. Cultura e poder nas organizações. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Libâneo, J. C. 2013. Organização e gestão da escola: teoria e prática. Heccus, São Paulo, SP, Brasil.

Lück, H. 2009. Dimensões da gestão escolar e suas competências. Positivo, Curitiba, PR, Brasil.

Madruga, R. 2023. Employee experience, gestão de pessoas e cultura organizacional. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Menezes, M. L. 1981. O Colégio Santa Clara e sua influência educacional em Goiás. Goiânia, GO, Brasil.

Oliveira, A. F.; Tamayo, A. 2004. Inventário de perfis de valores organizacionais. Revista de Administração, São Paulo, SP, Brasil.

Robbins, S. P. 2005. Comportamento organizacional. Pearson Prentice Hall, São Paulo, SP, Brasil.

Schein, E. H.; Schein, P. A. 2022. Cultura organizacional e liderança. Atlas, São Paulo, SP, Brasil.

Artigo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Gestão Escolar do MBA USP/Esalq

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08 de outubro de 2026

A organização escolar do aluno de inclusão e garantias de direitos

O presente estudo analisou a convergência entre a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e a organização da vida escolar no âmbito da secretaria das instituições de ensino. O marco legal brasileiro estabelece o direito ao Atendimento Educacional Especializado (AEE) em todas as escolas, mas sua efetivação depende da gestão administrativa, onde a secretaria escolar atua como ponto inicial de contato e registro. O objetivo foi investigar como a organização escolar adequada dos alunos de inclusão impacta o atendimento às suas necessidades pedagógicas e a garantia de seus direitos fundamentais. A metodologia fundamentou-se em um estudo de caso único e pesquisa documental, que verificou a coerência entre as práticas administrativas atuais nas escolas do Estado de São Paulo e as exigências da LBI. Os resultados demonstraram que a organização fidedigna dos registros de matrícula, frequência e do Plano de Ensino Individualizado (PEI) pela secretaria escolar e demais documentos garante a validade jurídica do atendimento especializado. Concluiu-se que a gestão administrativa atua como o alicerce para a efetivação da LBI, sendo a secretaria um setor estratégico para transformar o direito abstrato em cidadania plena e documentada.

Palavras-chave: Direito à Educação; Gestão Administrativa; Inclusão Escolar; Lei Brasileira de Inclusão; Secretaria Escolar.

Gestão Escolar

08 de outubro de 2026

Governança e gestão escolar no ensino superior: o papel do procurador institucional

Diante da crescente complexidade dos processos regulatórios e avaliativos na educação superior brasileira, analisou-se a atuação do Procurador Institucional (PI) nas Instituições de Ensino Superior (IES), articulando sua função à gestão escolar, especialmente no âmbito do planejamento, da governança e da qualidade institucional. O estudo objetivou analisar a atuação do Procurador Institucional como agente estratégico na gestão educacional de Instituições de Ensino Superior pertencentes a um mesmo grupo educacional privado, localizadas nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste do Brasil, identificando suas atribuições, desafios e contribuições para a governança e a qualidade institucional. Adotou-se abordagem qualitativa, de natureza descritiva, com aplicação de questionário semiestruturado a 37 Procuradores Institucionais, dos quais 17 responderam. A análise dos dados realizou-se por meio da Análise de Conteúdo, com identificação de categorias temáticas. Os resultados evidenciaram o PI como elo articulador entre regulação, avaliação e planejamento, contribuindo para a integração dos processos institucionais. Contudo, sua atuação foi condicionada por fatores como acúmulo de funções, autonomia limitada e ausência de formação continuada estruturada. A partir dos achados, propôs-se um modelo de atuação estratégico-sistêmica, estruturado em quatro eixos: governança, regulação, planejamento e avaliação, o qual evidenciou seu papel na mediação e integração institucional. Concluiu-se que o fortalecimento dessa função depende de sua inserção efetiva nos processos decisórios e da adoção de práticas de gestão escolar orientadas por evidências.

Palavras-chave: Avaliação institucional; Planejamento estratégico; Qualidade institucional; Regulação educacional; Tomada de decisão.

Gestão Escolar

07 de outubro de 2026

Gestão de sala de aula e inclusão escolar: práticas pedagógicas para a sustentabilidade social na educação básica

A gestão de sala de aula é um dos pilares da prática docente e exerce papel decisivo na construção de ambientes escolares inclusivos e socialmente sustentáveis. A inclusão de alunos com deficiência e/ou dificuldades de aprendizagem demanda do professor não apenas domínio pedagógico, mas também sensibilidade, planejamento e compromisso com a equidade. Objetivou-se identificar práticas de gestão de sala de aula promotoras de inclusão de alunos com deficiência e/ou dificuldades de aprendizagem em uma escola municipal do interior de São Paulo. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório, configurando-se como um estudo de caso. O estudo compreendeu pesquisa bibliográfica, levantamento e análise documental, aplicação de formulários Google Forms a professores, entrevistas semidiretivas com a gestão escolar e observação direta de práticas pedagógicas em sala de aula. Os resultados indicaram que a inclusão escolar não depende exclusivamente de documentos normativos, mas se concretiza principalmente nas práticas pedagógicas desenvolvidas no cotidiano da sala de aula. A gestão da sala de aula, quando orientada por princípios de equidade, colaboração e respeito à diversidade, constituiu um elemento central para a promoção da sustentabilidade social, contribuindo para a formação de sujeitos críticos, participativos e conscientes.

Palavras-chave: Diversidade escolar; Ensino e aprendizagem; Equidade educacional; Mediação docente.

Gestão Escolar

07 de outubro de 2026

Da formulação à implementação: a gestão escolar na política Compromisso Nacional Toda Matemática

A educação brasileira é um direito social fundamental, mas a participação de gestores escolares e professores nas fases iniciais do ciclo de políticas públicas educacionais mostrou-se restrita à implementação. Analisou-se como a participação desses atores nas etapas iniciais do ciclo de políticas públicas educacionais contribuiu para o fortalecimento da legitimidade, aderência e efetividade das ações implementadas, tomando como referência o Compromisso Nacional Toda Matemática. Complementarmente, examinou-se a potencial aplicação dos eixos da política na rede municipal do Rio de Janeiro. Adotou-se uma abordagem qualitativa, exploratória e analítica, baseada em pesquisa documental de fontes oficiais do Ministério da Educação e revisão bibliográfica sobre ciclo de políticas públicas e burocracia educacional. Realizou-se uma análise aplicada da rede municipal do Rio de Janeiro, utilizando dados públicos de aprendizagem em Matemática. Os resultados indicaram que a escuta nacional subsidiou o diagnóstico e fortaleceu a legitimidade inicial da política, embora tenha assumido caráter predominantemente consultivo, sem inserção efetiva dos docentes nos espaços decisórios. Os gestores escolares foram posicionados como mediadores estratégicos da implementação. A análise aplicada evidenciou aderência entre os eixos estruturantes da política e os desafios de aprendizagem e equidade identificados na rede analisada, onde apenas 48% dos estudantes do 5º ano e 18% dos do 9º ano atingiram nível adequado de aprendizagem em Matemática. Concluiu-se que a ampliação da escuta representou um avanço, mas persistiram limites à institucionalização da participação deliberativa, e a política oferece potencial para adaptação local visando aprimorar a aprendizagem e a equidade em Matemática.

Palavras-chave: Burocracia educacional; Ciclo de políticas públicas; Governança educacional; Implementação de políticas; Participação docente.

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