<i>Lifelong learning</i>: além das salas de aula

Coluna

Educação

Gestão De Pessoas

20 de janeiro de 2025

Lifelong learning: além das salas de aula

Sugestões de leitura que podem ajudar no desenvolvimento de habilidades e contribuir para a tomada de decisões mais assertivas nos âmbitos profissional e pessoal

No cenário dinâmico em que vivemos, a prática do lifelong learning – aprendizagem ao longo da vida – é fundamental, pois vai além dos ambientes formais de educação, incentivando a busca de novos conhecimentos, o desenvolvimento de habilidades e o aprofundamento da compreensão sobre o mundo e sobre nós mesmos.

Ao mergulharmos em temas específicos por meio de leituras bem direcionadas, ampliamos nossas perspectivas em questões que, até então, poderiam parecer complexas ou distantes. Ao compreender um tema de forma mais aprofundada e transportá-lo para a nossa realidade, aprendemos e apreendemos um conhecimento, passando a contribuir de forma mais assertiva em debates, comportamentos, ações e, até mesmo, decisões, tanto no âmbito profissional quanto no pessoal.

Os livros abaixo foram selecionados como sugestão de leitura para 2025 não apenas porque abordam questões contemporâneas, mas também por convidar a reflexões profundas e aplicáveis. As obras recomendadas alinham-se ao propósito de inspirar curiosidade intelectual e fomentar a capacidade de pensar criticamente, competências indispensáveis para as pessoas que desejam estudar continuamente. Afinal, aprender é uma aventura sem fim.

O jeito certo de errar – Como as falhas nos ensinam a prosperar. Autora: Amy C. Edmondson (Ed. Intrínseca). Essa obra recente é uma verdadeira aula sobre como podemos lidar com as falhas de forma assertiva. Para isso, é fundamental compreender os tipos de falha, que podem ser funcionais ou disfuncionais. Para a autora, “a confusão surge quando não temos acesso a uma estrutura simples e prática para distinguir os tipos de falha. O medo vem do estigma social atrelado à falha” (Edmondson, 2024, p. 35). A autora ajuda a trabalhar a dicotomia das “duas culturas da falha”: uma que diz para evitarmos a todo custo o fracasso e outra na qual é até desejável falhar.

A coragem para liderar: trabalho duro, conversas difíceis, corações plenos. Autora: Brené Brown (Ed. BestSeller). Liderança não tem nada a ver com cargo, função, status, poder. Liderança tem a ver com atitude e comportamento. Se você inspira outra pessoa a ter sonhos, a aprender continuamente, a ter proatividade, a querer ser a melhor pessoa todos os dias, você é um(a) líder. É nesse contexto que a autora Brené Brown, já muito conhecida pelos seus estudos sobre vulnerabilidade, traz respostas a algumas perguntas que ela mesma faz no livro. Uma delas é: você consegue apontar as habilidades específicas que acredita serem a base para uma liderança corajosa? Além disso, ela compila os principais obstáculos identificados pelas lideranças, reforçando um deles: ter conversas difíceis, caracterizadas como dar feedbacks honestos às equipes. Uma pincelada sobre o que o leitor vai encontrar no livro pode ser vista em um artigo da Forbes com uma entrevista da autora: https://forbes.com.br/carreira/2024/12/a-formula-de-brene-brown-para-um-feedback-transformador/.

Conversas difíceis. Como discutir o que é mais importante. Autores: Bruce Patton, Douglas Stone e Sheila Heen (Ed. Sextante). Esse livro é um verdadeiro guia sobre como lidar com conversas difíceis. Os leitores entenderão que não adianta discutir sobre quem está certo ou errado; é mais importante explorar as histórias de cada um. Por exemplo, um líder que promove mudanças dentro de uma área tem clareza de que está fazendo o que é importante para ajudar a empresa a crescer, mas é também corresponsável por eventuais anseios, medos, dúvidas ou resistências que trará à equipe com a mudança. Assim, os autores convidam todos a parar de encontrar culpados e mapear a contribuição de cada um dentro de um conflito. Com isso, as conversas poderão ser mais fluidas e transparentes. O livro apresenta três tipos de conversas difíceis e explica como lidar com elas de forma assertiva.

Empatia assertiva: como ser um líder incisivo sem perder a humanidade. Autora: Kim Scott (Editora Alta Books). Como ex-executiva do Google e da Apple, Scott desenvolveu o conceito de empatia assertiva que é apresentado no livro de forma prática. Uma boa liderança se importa com as pessoas, mas também as confronta e, com essa afirmativa, a autora traz três comportamentos específicos da liderança, atrelando-os à empatia. A liderança que confronta sua equipe sem se preocupar com ela cai na armadilha da “agressividade ofensiva”. Caso a liderança se importe, mas não confronte sua equipe, acaba por demonstrar “empatia nociva”. Por outro lado, aquelas que não se importam nem confrontam as equipes são o exemplo claro da “insinceridade manipuladora”. Nesse sentido, o livro mostra que as lideranças podem conciliar entrega de resultados com humanização da gestão, ajudando as pessoas a encontrarem um sentido no trabalho e a criarem um ambiente colaborativo. Para isso, precisa cumprir suas três principais responsabilidades: promoção de uma cultura de feedback (elogios e críticas); criação de uma equipe coesa; e estímulo de resultados dos quais as pessoas se orgulhem.

Liderança humilde. O poder dos relacionamentos, da franqueza e da confiança na vida profissional. Autores: Edgar H. Schein e Peter A. Schein (Ed. Cultrix). Os autores são enfáticos ao afirmarem que as hierarquias estáticas, rígidas, verticais e que valorizam o distanciamento são totalmente contraproducentes. Com a dinamicidade do ambiente e a interdependência das tarefas, as lideranças precisam ser mais pessoais, garantindo uma comunicação aberta e transparente e fomentando relações de confiança. Incrementar inovação e resolver problemas complexos envolvem a colaboração de um grupo grande de pessoas; sem isso, as empresas continuarão enfrentando problemas de produtividade e qualidade nos serviços. Além disso, os autores conseguem responder a uma dúvida bastante frequente de muitas lideranças: que nível de relacionamento devo ter com a minha equipe? Assim, eles abordam quatro níveis de relacionamento assinalados por diferentes graus de confiança e franqueza, com base em vários graus de “personização”, conceito que define o processo de construção mútua de um relacionamento de trabalho. Os autores deixam claro que o desafio para a liderança humilde é “construir confiança e honestidade de Nível 2, tornando-se mais pessoal tanto nas perguntas quanto nas respostas; ao mesmo tempo, é preciso evitar a formalidade do distanciamento profissional do Nível 1 e as violações de privacidade evidentes na intimidade de Nível 3” (Schein e Schein, 2022, p. 70).

Accountability no trabalho: como comprometer-se, cumprir o prometido e conseguir que outros façam o mesmo. Autora: Carolyn Talyor (Editora Labrador). Quando uma liderança passa um desafio ao seu funcionário e este diz que irá entregar, há uma promessa consolidada nessa conversa. A grande questão é que muitas vezes o processo de delegação, as promessas feitas e os acompanhamentos realizados não ocorrem de forma efetiva, o que gera retrabalhos, atrasos, entregas inadequadas ou até mesmo uma não entrega do que foi acordado. Nesse sentido, a autora traz nesse livro um conjunto de princípios, comportamentos e habilidades que possibilitam às lideranças criarem um sistema escalável de accountability, tomando como base o processo de fazer e cumprir promessas. Esse sistema possibilita que as pessoas desenvolvam o mindset de accoutanbility, cumprindo o que prometem de forma consistente. Esse livro contribui de forma efetiva para líderes e equipes que desejam trabalhar com alta performance.

A organização sem medo. Criando segurança psicológica no local de trabalho para aprendizado, inovação e crescimento. Autora: Amy C. Edmonsdson (Editora Alta Books). O foco do livro está em ajudar as organizações e lideranças a fomentarem um ambiente em que as pessoas possam falar, debater, apresentar os seus pontos de vista sem sofrer retaliações – a segurança psicológica. Mas para além disso, a autora traz entendimentos profundos sobre a importância de um ambiente de diálogos constantes para os resultados organizacionais, o que pode refletir na melhoria da performance e no aumento da qualidade das entregas, dos produtos e dos serviços. Ela afirma que ninguém acorda pela manhã animado para ir ao trabalho e parecer ignorante, incompetente ou desagradável (os chamados riscos interpessoais). Assim, buscamos parecer inteligentes e interessantes para as pessoas à nossa volta. Quando somos adultos, dentro de uma organização, evitamos inconscientemente os riscos interpessoais da seguinte forma: não quer parecer ignorante? Não faça perguntas. Não quer parecer incompetente? Não admita erros ou fraquezas. Não quer parecer desagradável? Não faça sugestões. Portanto, se encontrarmos um ambiente de pouca segurança psicológica, dificilmente daremos nossas opiniões ou sugestões. Nesse contexto, as lideranças são fundamentais para incentivar as pessoas a falar, dar suas sugestões e opiniões, questionar o status quo para crescer e ajudar as empresas a crescerem também. Leitura essencial para quem deseja conhecer com profundidade o real significado de segurança psicológica.

Realizados. Aprenda a criar caminhos para viver com felicidade e propósito. Autoras: Carol Shinoda e Carolina Cavalcanti (Editora Benvirá). Recém-lançado, esse livro apresenta, de forma prática e profunda, o que muitos acreditam ser utopia: a felicidade.  As autoras nos convidam a olhar a felicidade e o propósito de vida como uma combinação de encontrar/construir uma vida com mais sentido. As histórias reais apresentadas no livro trazem reflexões sobre felicidade e propósito e, tomando como base os conceitos de bem-estar, como os definidos por Martin Seligman, e a ideia de propósito que transcende interesses pessoais, o livro ajuda os leitores a entender como alinhar as vidas pessoal e profissional de forma harmoniosa. As autoras também destacam o papel fundamental das lideranças em conectar os propósitos individuais de cada integrante de suas equipes com o propósito organizacional, criando ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos. Leitura essencial para todos que buscam sentido no que fazem.

A literatura sugerida não apenas enriquece o conhecimento teórico sobre liderança, comunicação e gestão, mas também oferece ferramentas práticas que contribuem para os inúmeros desafios vivenciados no ambiente corporativo e na vida. Essas obras são verdadeiros guias para o aprimoramento pessoal e profissional, ajudando líderes e profissionais a cultivarem habilidades essenciais como empatia, coragem, accountability e criação de ambientes seguros. Investir na leitura dessas obras é investir no desenvolvimento de competências que impactam positivamente não apenas os resultados organizacionais, mas também a qualidade das relações interpessoais e o crescimento humano.

Quem publicou esta coluna

Denise de Moura

É consultora de Recursos Humanos com 27 anos de experiência; atuou em pequenas, médias e grandes empresas como Petrobras SA e Lojas Americanas. É professora convidada do MBA USP/Esalq desde 2013, doutora em administração; tem mestrado em sistemas de gestão e pós-graduação em gestão da qualidade total. Escreveu o livro “Cansei de Sofrer no Trabalho” (Qualitymark Editora, 2012) e idealizou o site www.dicasinfaliveis.com.br.

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