<i>Greenfluencers</i> e a <i>creator economy</i> de 2026: influência e educação ambiental

Marketing

03 de fevereiro de 2026

Greenfluencers e a creator economy de 2026: influência e educação ambiental

Mais do que uma categoria de influência, eles funcionam como termômetro cultural e ponte entre discurso e prática, ajudando a definir o que será percebido como compromisso real

A creator economy chega a 2026 em um ambiente mais seletivo e desafiador. A audiência está pulverizada, a atenção é disputada em muitas telas e a comparação entre discurso e prática ocorre em tempo real. Nesse cenário, o valor do creator se transforma. O alcance importa, mas confiança e consistência ganham mais peso na escolha do público e no interesse das marcas. É nessa lógica que se consolidam perfis como o genuinfluencer, o influenciador genuíno associado à credibilidade construída no cotidiano, e o founder creator, aquele em que empreendedores assumem a comunicação do negócio como parte da estratégia.

O tema da sustentabilidade entra nesse mapa não por moda, mas pelo contexto social e cultural. Quando um tema passa a impactar decisões de compra, reputação e risco, ele deixa de fazer parte de campanhas e começa a ocupar espaço editorial nas agendas de negócios. Redes sociais, nesse ponto, funcionam como uma camada de mediação: explicam, contestam, comparam e dão escala a referências, isto é, transformam algo que existia no “micro” em um conteúdo que circula no “macro”, chegando para muito mais pessoas.

E é exatamente nesse contexto que surge o greenfluencer, um creator de causa com foco em sustentabilidade e consumo consciente. Uma figura relativamente nova que tem ocupado um espaço relevante na economia dos criadores de conteúdo.

O pano de fundo do consumidor

Uma pesquisa da ABDI (Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial) e da Nexus feita em 2025 mostra que 59% dos brasileiros incluem cuidados com o meio ambiente na rotina (39% sempre; 20% frequentemente). As práticas mais citadas são separar o lixo para reciclagem (62%), economizar água (40%) e economizar energia elétrica (29%). No recorte de consumo, 55% afirmam usar a preservação ambiental como critério de compra; 36% dizem que produtos com tecnologia mais sustentável têm preferência “sempre”, e 19%, “frequentemente”.

A Serasa Experian reforça o cenário: 3% dos brasileiros declaram não adotar nenhuma prática sustentável, 20% pretendem ampliar o consumo de produtos sustentáveis nos próximos anos e 6% afirmam que deixariam de comprar de marcas por impactos negativos ao meio ambiente. Em conjunto, esses indicadores descrevem um tema com presença cotidiana suficiente para sustentar comunidades, repertório e creators especializados.

O pano de fundo das empresas

Do lado corporativo, a discussão aparece sob a sigla ESG (Environmental, Social and Governance), usada para organizar práticas e critérios ligados a meio ambiente, responsabilidade social e governança. O Panorama ESG 2024, da Amcham Brasil, registra crescimento de 24 pontos percentuais em 2024 com relação a 2023, com 71% das empresas adotando práticas sustentáveis; entre as motivações, predominam impacto socioambiental (78%) e fortalecimento de reputação (77%).

Assim, o cenário corporativo avança para uma agenda que deixa de ser apenas declaratória, fincada no discurso, e passa a exigir consistência operacional e comunicacional. Se mais empresas incorporarem práticas ESG, a consequência natural será o aumento da atenção do público sobre o que está sendo feito por essas empresas. É um tipo de ambiente em que a criação de conteúdo ganha papel estratégico, porque o debate não acontece só em relatórios ou nas salas de reuniões: ele acontece na arena pública das redes.

Greenfluencers

Greenfluencers são influenciadores que estruturam sua produção em torno de sustentabilidade, combinando informação, prática e mobilização como eixo editorial. Assim, “greenfluencing” é a comunicação ambiental feita por influenciadores, e investiga como formatos e relações com o público afetam confiança e engajamento. Aqui, produção de conteúdo não é apenas um mero acessório: é o mecanismo principal.

Nesse mesmo ambiente cresce a vigilância sobre greenwashing: o uso de comunicação “verde” para aparentar sustentabilidade sem ações proporcionais, com alegações vagas, enganosas ou não comprovadas. Greenfluencers atuam, então, também como curadores críticos: questionam promessas, pedem lastro, explicam trade-offs e ampliam a alfabetização ambiental do público. Para as marcas, isso eleva o padrão de parceria: transparência, dados, rastreabilidade e clareza sobre o que é meta, etapa ou resultado. Em marketing e comunicação, o briefing muda: evidências, método e metas com prazos. Sem lastro, o conteúdo perde tração, e o risco reputacional cresce.

Em 2026, o greenfluencer deverá consolidar o seu lugar, pois ele conecta três forças já em movimento: consumidores com práticas e critérios ambientais presentes, empresas ampliando agendas ESG e redes sociais funcionando como espaço de educação e disputa de credibilidade. A influência, nesse caso, não se limita a recomendar produtos; ela organiza o entendimento público sobre sustentabilidade — e reposiciona o papel do conteúdo na economia dos creators.

Influência e educação ambiental

A creator economy chega a 2026 com um traço dominante: a audiência está mais desconfiada e mais exigente. Não porque ficou “contra os creators” (dados todos os escândalos envolvendo figuras de influenciadores digitais), mas porque aprendeu a reconhecer padrões, exageros e promessas fáceis.

Nesse ambiente, o que sustenta a relevância não é apenas o volume de visualizações; é a consistência e a confiança construídas com a audiência. Daí o espaço para perfis como o genuinfluencer, ou o “influenciador genuíno”, aquele que constrói credibilidade pela coerência do cotidiano, e o founder creator, quando o empreendedor assume a comunicação do negócio como parte da estratégia.

Sustentabilidade entra nesse cenário do mesmo jeito que qualquer tema relevante, ou seja, quando começa a impactar comportamento, mercado e risco. Esse tipo de pauta não cabe em “post comemorativo” nem em campanha pontual. Exige continuidade editorial, linguagem traduzida e consistência. É nesse terreno que aparece o greenfluencer: o creator de causa que organiza sua produção em torno de sustentabilidade e consumo consciente.

O que muda com os greenfluencers

Os greenfluencers ocupam um lugar particular na creator economy porque não operam apenas na recomendação ou no entretenimento. Eles atuam como mediadores (e também como curadores de produtos e marcas) de um tema que passou a compor a rotina do consumidor, das empresas e do mercado, e fazem isso por meio de um ativo precioso: credibilidade. Na prática, o papel do greenfluencer é transformar sustentabilidade em conteúdo recorrente, com linguagem acessível, mas sem esvaziar o assunto. Isso muda a lógica da influência porque o centro não está só em “indicar”, e sim em explicar, conscientizar, dar contexto, comparar escolhas e ajudar o público a distinguir ação, promessa e discurso.

A importância desses creators no cenário de 2026 cresce porque a creator economy passa a premiar não apenas carisma ou alcance, mas confiabilidade, especialmente em assuntos sensíveis de relevância cultural, social e econômica. Greenfluencers prosperam quando conseguem sustentar discussões longas sem depender de hype, mantendo coerência e repertório. Eles também ajudam a explicar por que a categoria “creator de causa” ganha relevância estratégica: o conteúdo deixa de ser apenas mídia e passa a fazer parte de um processo de educação. Em vez de só “falar sobre sustentabilidade”, eles contribuem para tornar o tema discutível, comparável e exigível no debate público.

Para as marcas, trabalhar com greenfluencers exige uma lógica diferente daquela do publipost tradicional. Sustentabilidade é um campo que não cabe em uma mera publicidade na rede social. E por ser um greenfluencer, esse criador de conteúdo não vai se associar a marcas que não sejam éticas ou transparentes. O valor do greenfluencer está justamente na voz crítica e na capacidade de explicar com o estilo que a audiência reconhece como próprio, além de sua coerência entre o discurso da rede social e aquilo que é de verdade. Para as marcas, a parceria não é comprar visibilidade; é entrar em uma conversa pública em que conteúdo funciona como filtro de credibilidade.

Que bom que estamos vendo a ascensão de criadores de conteúdo como os greenfluencers, porque isso indica também uma maturação da própria creator economy. Quando temas como sustentabilidade ganham espaço por meio de conteúdo consistente, saindo um pouco daquela esfera do conteúdo focado apenas em life style, o debate público tende a ficar menos refém de superficialidades e mais ancorado em relevância. Greenfluencers não são apenas mais uma categoria de influência; eles funcionam como termômetro cultural e como ponte entre discurso e prática, ajudando a definir o que será percebido como compromisso real.

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Quem publicou esta coluna

Silmara Regina de Souza

Mestre em Administração, consultora pelo Sebrae SP. Palestrante, conteudista, especialista em marketing e comunicação digital. Entusiasta da produção de conteúdo e do uso estratégico das redes sociais como canais de relacionamento e comunicação.

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