21 de maio de 2026
Humanização no EAD: Pertencimento e Experiência do Aluno
Mayra Jailine Daniele da Silva Sousa; José Eduardo Vilas Bôas
Resumo elaborado pela ferramenta ResumeAI, solução de inteligência artificial desenvolvida pelo Instituto Pecege voltada à síntese e redação.
O avanço das tecnologias de informação e comunicação tem impactado diretamente o cenário educacional contemporâneo, consolidando a Educação a Distância como uma modalidade flexível e acessível para indivíduos com rotinas intensas. Dados do Censo da Educação Superior indicam um aumento expressivo das matrículas nessa modalidade, impulsionado pela necessidade de alternativas viáveis e pela aceleração da transição digital ocorrida em períodos recentes (INEP, 2022). No entanto, apesar das vantagens logísticas, o distanciamento físico permanece como um desafio crítico, afetando a motivação discente e contribuindo para índices de evasão. Pesquisas indicam que a falta de interesse dos alunos é a causa principal da interrupção dos estudos em 40% dos casos, superando questões financeiras, o que reforça a urgência de estratégias que fortaleçam o vínculo entre estudantes e instituições (Neri e Osorio, 2022). Nesse contexto, a humanização surge como uma abordagem central para qualificar a experiência educacional, buscando elevar o engajamento e reduzir a fragilidade dos vínculos institucionais por meio de uma conexão humana essencial (Clementino et al., 2020).
A fundamentação teórica que norteia a compreensão da humanização no ensino remoto pressupõe uma abordagem integrada que articula aspectos técnicos, socioemocionais e relacionais. Três elementos fundamentais devem trabalhar em conjunto para a criação de um ambiente de aprendizado eficaz: o docente, a plataforma tecnológica e o discente. A implementação de práticas que priorizam a comunicação, a cognição e a emoção resulta em melhorias significativas na percepção de pertencimento e na qualidade do aprendizado (Xavier et al., 2024). Além disso, a inclusão digital desempenha um papel determinante, pois garante que o acesso às ferramentas tecnológicas ocorra de forma equitativa. Políticas que asseguram infraestrutura digital robusta e suporte técnico adequado promovem um ambiente mais interativo e acessível, mitigando o isolamento inerente ao formato virtual (Souza, 2024). A justificativa para o aprofundamento deste tema reside na necessidade de transformar a funcionalidade técnica do ensino a distância em uma experiência verdadeiramente significativa, onde o aluno não seja apenas um usuário do sistema, mas parte integrante de uma comunidade acadêmica viva.
Para investigar como os processos de humanização podem melhorar a experiência do usuário, adotou-se uma abordagem metodológica de natureza quantitativa e objetivo descritivo, caracterizando-se como uma pesquisa aplicada com delineamento de levantamento de campo (Gil, 2019). O instrumento de coleta de dados consistiu em um questionário estruturado, organizado em sete blocos temáticos distintos para garantir a abrangência da investigação. O primeiro bloco dedicou-se à caracterização do perfil sociodemográfico, utilizando parâmetros de amostragem e letramento estatístico para situar a amostra (Luna et al., 2024). O segundo bloco avaliou a conexão emocional com a instituição, enquanto o terceiro mediu a percepção de valorização e empatia. O quarto bloco focou em aspectos práticos e operacionais, como a usabilidade das plataformas e o suporte técnico. O quinto bloco analisou o impacto da flexibilidade na rotina discente, o sexto identificou oportunidades de melhoria e o sétimo coletou percepções qualitativas. Essa estrutura permitiu uma análise multidimensional da jornada do aluno no ambiente virtual.
A coleta de dados ocorreu entre 10 de março e 05 de abril de 2025, utilizando a plataforma Google Forms para a disseminação do questionário. A estratégia de captação de respondentes baseou-se na técnica de amostragem em cadeia, também conhecida como bola de neve virtual, na qual os participantes iniciais compartilham o link em suas redes sociais e grupos de comunicação instantânea, alcançando perfis específicos ligados ao ensino a distância. O processo contou com a participação voluntária de 288 indivíduos, dos quais 27 foram excluídos por não atenderem aos critérios de elegibilidade, como o vínculo exclusivo com cursos presenciais ou idade inferior a 18 anos. Assim, a amostra final foi composta por 261 participantes válidos que cursaram programas de graduação, pós-graduação ou cursos livres na modalidade a distância ou semipresencial nos últimos 12 meses. O rigor ético foi mantido conforme as diretrizes da Resolução 510/2016, garantindo o anonimato, a transparência dos objetivos e o consentimento livre e esclarecido de todos os envolvidos.
A análise dos dados foi realizada por meio de estatística descritiva básica e tabulação cruzada, permitindo investigar relações entre as variáveis sociodemográficas e as percepções sobre a humanização. O perfil da amostra revelou uma predominância do gênero feminino, representando 57,1% dos respondentes, e uma concentração na faixa etária entre 25 e 34 anos, que somou 52,1%. Em termos de escolaridade, 61,8% possuem ensino superior completo, e a maioria reside na região Sudeste do país. Quanto à ocupação profissional, 59,5% atuam no setor privado, e a renda familiar predominante situa-se entre R$ 2.601 e R$ 5.200, caracterizando um público de classe média com rotinas laborais ativas. A maioria absoluta dos participantes, totalizando 92,7%, realiza seus estudos de forma totalmente remota, o que acentua a relevância de discutir a presença social e o suporte institucional no ambiente digital.
Os resultados referentes à conexão emocional revelaram uma lacuna significativa no sentimento de pertencimento. A maioria dos respondentes, correspondendo a 62% da amostra, indicou que não se percebe como parte integrante da comunidade acadêmica de sua instituição. Esse dado é alarmante quando contrastado com a importância do vínculo social para a permanência no curso. Observou-se que participantes mais jovens e residentes em grandes metrópoles tendem a apresentar um senso de pertencimento ligeiramente superior, possivelmente devido à maior familiaridade com interações virtuais cotidianas. No entanto, a percepção geral de que o ambiente virtual não favorece vínculos sólidos corrobora a necessidade de estratégias que promovam a afetividade e a interação social online como forma de reduzir o isolamento (Aguiar et al., 2024). A neutralidade também marcou a avaliação sobre as oportunidades de interação, com 57% dos alunos mantendo uma posição indiferente quanto à existência de espaços suficientes para o diálogo e o fortalecimento do sentimento de comunidade.
No que tange à percepção de humanização e suporte, os dados indicaram uma avaliação predominantemente negativa em relação ao acolhimento e valorização, com 59% de discordância sobre sentir-se acolhido pela instituição. A comunicação com docentes e tutores foi classificada como neutra por 54% dos participantes, sugerindo que, embora a informação chegue ao destino, falta-lhe o componente empático e personalizado que caracteriza uma relação humanizada. A clareza comunicacional e os vínculos interpessoais são determinantes para a motivação no ensino superior, e a ausência desses elementos pode comprometer o engajamento discente (Cecatto et al., 2023). Quanto ao suporte institucional para desafios administrativos e tecnológicos, 52% dos alunos mantiveram-se neutros, enquanto 27% concordaram com a adequação do serviço. Nota-se que participantes com maior renda tendem a avaliar o suporte de forma mais positiva, o que pode estar atrelado ao acesso a uma melhor infraestrutura tecnológica individual, minimizando a dependência direta do suporte da instituição (Santos e Mendes, 2023).
A experiência operacional no ensino a distância apresentou resultados medianos. A facilidade de uso e a navegabilidade das plataformas receberam 56% de concordância, indicando que as ferramentas são funcionais, mas não necessariamente proporcionam uma experiência de uso marcante ou diferenciada. O letramento digital dos alunos influencia diretamente essa percepção, onde estudantes mais jovens tendem a navegar com maior facilidade (Gomes et al., 2022). O suporte técnico específico para a plataforma foi avaliado de forma neutra por 42% dos respondentes, evidenciando que a articulação entre as áreas técnica e pedagógica ainda carece de maior integração para oferecer uma jornada fluida. Desigualdades econômicas e tecnológicas impactam a experiência digital, e a neutralidade observada pode refletir disparidades no acesso a equipamentos de qualidade e conexão estável (Rocha et al., 2022).
Um ponto de destaque positivo foi a avaliação dos feedbacks sobre o desempenho acadêmico. A frequência das devolutivas foi considerada adequada por 69% dos participantes, e a qualidade das orientações recebidas também obteve aprovação majoritária. Essa percepção é essencial para manter a confiança do aluno, uma vez que a avaliação deve atuar como ferramenta diagnóstica e formativa (Simões (2020). Contudo, a transparência nos critérios de avaliação ainda gera incertezas, com 57% de respostas neutras, sugerindo que a clareza nas regras e processos avaliativos precisa ser reforçada para aprimorar a relação entre instituição e estudante. Em relação às ferramentas tecnológicas oferecidas, como bibliotecas virtuais e laboratórios remotos, 54% dos alunos demonstraram indiferença, o que indica que a simples oferta de recursos digitais não garante uma percepção positiva se não houver um alinhamento pedagógico claro (Carraro et al., 2022).
A flexibilidade, apontada como o maior benefício da modalidade, obteve 93% de concordância entre os participantes, que reconhecem o modelo como fundamental para equilibrar estudos, trabalho e vida pessoal. No entanto, surge uma contradição fundamental: embora a flexibilidade seja altamente valorizada, ela não se traduz automaticamente em pertencimento ou melhoria no desempenho acadêmico. Entre os profissionais do setor privado, 62% não associam a autonomia de horários diretamente a um melhor rendimento, o que pode estar ligado à sobrecarga profissional e ao cansaço. A gestão do tempo e espaço é um fator de inclusão, mas a flexibilidade isolada, sem o suporte de estratégias de integração social, não sustenta o engajamento a longo prazo (Santos et al., 2019). O sucesso na modalidade depende, portanto, da combinação entre a autonomia operacional e a criação de experiências que fomentem o vínculo humano.
As ferramentas pedagógicas, como vídeos, podcasts e fóruns, foram consideradas efetivas por 49% da amostra. A valorização desses recursos é maior entre alunos de áreas como Comunicação e Artes, que possuem maior familiaridade com conteúdos multimídia. A usabilidade e a acessibilidade desses materiais são cruciais para atender a diferentes perfis de usuários (Liao et al., 2023). Quanto aos prazos das atividades, 70% dos respondentes consideraram-nos adequados às suas rotinas, reforçando que a organização temporal proposta pelas instituições atende às necessidades da maioria. A disponibilidade dos conteúdos para consulta a qualquer momento também foi avaliada positivamente por 70% dos participantes, evidenciando que a autonomia do estudante é um elemento-chave para o sucesso no ensino a distância (Nakada e Urban, 2023).
As expectativas dos alunos para o futuro da modalidade concentram-se na ampliação das interações online. Cerca de 67% dos participantes manifestaram interesse em participar de mais eventos virtuais, workshops e atividades que promovam o diálogo direto com professores e colegas. Esse desejo por maior proximidade indica que a percepção de neutralidade em relação às ferramentas tecnológicas pode estar ligada à carência de usos pedagógicos mais interativos e engajadores. A presença de elementos como interação, comunicação e emoção no ambiente virtual é capaz de reduzir a evasão e fortalecer os vínculos afetivos (Xavier et al., 2024). Por outro lado, a percepção sobre o retorno do investimento financeiro permanece incerta para 57% da amostra, sugerindo que o valor percebido do curso está intrinsecamente ligado à qualidade do suporte humano e à profundidade da experiência acadêmica vivenciada.
A análise qualitativa, realizada por meio das narrativas dos estudantes, reforçou a centralidade de termos como interação, feedback, comunicação e suporte. As demandas mais recorrentes incluem a necessidade de atividades síncronas, espaços de convivência virtual e acompanhamento pedagógico personalizado. Tais elementos são vistos como essenciais para tornar a experiência mais dinâmica e menos solitária. A humanização no ensino a distância deve ser compreendida como uma estratégia para fortalecer o pertencimento, onde as práticas colaborativas desempenham um papel vital na ampliação da motivação discente (Miranda e Amaral, 2023). A integração entre os aspectos técnicos e socioemocionais configura-se, portanto, como a condição necessária para o engajamento efetivo e para a construção de uma identidade acadêmica sólida no espaço virtual.
Diante dos dados apresentados, observa-se que a jornada do aluno no ensino a distância é multifacetada e profundamente influenciada pela qualidade das relações estabelecidas. A contradição entre a alta valorização da flexibilidade e a fragilidade do senso de pertencimento aponta para uma falha na mediação emocional das instituições. Para os gestores, os resultados funcionam como um guia estratégico, indicando que a comunicação deve ser reformulada para destacar o suporte humano como um diferencial competitivo. Implementar ações de acolhimento que impactem a retenção e a satisfação discente é fundamental para consolidar a modalidade como uma experiência educacional de excelência. O fortalecimento da presença digital empática e o investimento em canais de comunicação eficientes são caminhos concretos para elevar a percepção de valor e garantir a sustentabilidade do modelo de ensino a distância em um mercado cada vez mais exigente.
Conclui-se que o objetivo foi atingido, uma vez que se identificou que a humanização é o fator determinante para qualificar a experiência do usuário no ensino a distância. Os resultados demonstraram que a disponibilidade tecnológica e a flexibilidade de horários, embora essenciais, são insuficientes para garantir o engajamento e o sentimento de pertencimento dos alunos. A pesquisa evidenciou uma lacuna crítica na conexão emocional entre discentes e instituições, manifestada em percepções majoritariamente neutras ou negativas sobre acolhimento e suporte. A melhoria da experiência acadêmica depende da implementação de estratégias que priorizem a comunicação empática, o suporte personalizado e a criação de espaços efetivos de interação social. Ao transformar a funcionalidade técnica em um ambiente de aprendizado humanizado, as instituições podem reduzir a evasão, fortalecer os vínculos institucionais e promover uma educação a distância mais inclusiva, significativa e alinhada às necessidades humanas dos estudantes.
Referências Bibliográficas:
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acionais Anísio Teixeira. 2022. Ensino a distância cresce 474% em uma década. Disponível em: <https://www.gov.br/inep/pt-br/assuntos/noticias/censo-da-educacao-superior/ensino-a-distancia-cresce-474-em-uma-decada>. Acesso em: 11 out. 20″
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I will use it as is.
INEP 2022 (Found)
It ends with “20”.
Luna (Not found)
Neri (Not found)
Okay, just the list.
Rocha (Not found)
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Santos et al.
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Souza (Not found)
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Resumo executivo oriundo de Trabalho de Conclusão de Curso da Especialização em Marketing do MBA USP/Esalq
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